NOTICIÁRIO Terça-feira, 19 de Maio de 2026, 11:42 - A | A

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ELEIÇÕES 2026

Rafaela Fávaro destaca as promessas perdidas de Cuiabá

Mauro Camargo

Rafaela Fávaro não começou a entrevista pela sua pré-candidatura. Começou pela cidade. A um ano e meio da eleição que a colocou como candidata a vice-prefeita na chapa de Lud Cabral, derrotada por Abílio Brunini, ela não fala em mágoa eleitoral. Fala em gestão. E o diagnóstico é duro: "É só andar pela cidade".

Desde que assumiu a chefia do Executivo cuiabano, o ex-deputado federal Abílio Brunini, segundo Rafaela, ainda não saiu do palanque. "Nós quase não temos nenhuma política do que foi prometido para a população cuiabana sendo implementada. O que vemos são ruas esburacadas, lixo, mato", afirma. Para a presidente do PSD Mulher em Mato Grosso, a postura de confronto com o Governo Federal e o estadual impede que recursos cheguem à cidade. "Ele se recusa a receber benefícios que não são para ele, são para a população."

A crítica, no entanto, não é isolada. Rafaela conta que, ao andar pelos bairros de Cuiabá e também pelo interior, ouve cada vez mais a insatisfação dos próprios eleitores que votaram em Abílio. "Alguns estão arrependidos. Mas o que mais me chamou a atenção foi ouvir, no interior, pessoas que vêm a Cuiabá e ficam espantadas com a situação da cidade. É muito triste, como moradora, ouvir que a sua cidade está feia, mal cuidada."

Um dos pontos altos da entrevista foi a cobrança em relação às prometidas Vilas da Saúde, principal bandeira de campanha de Abílio na área da saúde. A ideia era levar especialistas — ginecologistas, cardiologistas, nutricionistas — para dentro das UBS dos bairros. Rafaela gravou um vídeo recente procurando as unidades, que nunca saíram do papel. "Durante uma audiência pública sobre saúde na Câmara, ele apresentou dados, falou que foi difícil fazer algo em um ano e meio, mas não tocou no assunto das Vilas da Saúde. Cadê o projeto? Ele não mandou nem para a Câmara dos Vereadores."

A pré-candidata a deputada estadual defende que sua principal motivação é ampliar a representatividade feminina na Assembleia Legislativa. Nos últimos oito anos, Mato Grosso teve apenas uma mulher como deputada estadual — Janaina Riva (MDB), que não disputará a reeleição. "Isso é inadmissível. A partir do momento que defendemos a mulher, defendemos as famílias mato-grossenses. E Mato Grosso é campeão de feminicídio e de abuso contra crianças. Precisamos de políticas públicas que cuidem dessas mulheres e dessas crianças."

Rafaela reconhece que o ambiente político ainda é hostil para as mulheres. "É um ambiente muito masculino, onde as mulheres não são ouvidas." A violência política de gênero, que ganhou destaque em Mato Grosso após casos como a declaração de um vereador que comparou uma prefeita a "uma cachorra viciada", também foi tema. Na avaliação dela, apesar das dificuldades, o número de mulheres dispostas a entrar na política tem crescido. "Mas elas não querem entrar só para ser número na chapa. Elas querem representatividade de verdade."

À frente do PSD Mulher desde 2020, ela destaca ações de capacitação promovidas pelo partido, como um curso sobre lideranças femininas do INSP, de São Paulo. "A mulher que está passando por dificuldade — uma prefeita, uma vereadora — às vezes acha que está sozinha e pensa em desistir. Quando encontra outras mulheres, entende que tem força."

Ao falar da pré-candidatura ao governo da médica Natasha Slhessarenko, também do PSD, Rafaela defende que a candidatura é levada a sério. "Talvez seja essa questão de gênero, das pessoas não acreditarem que uma mulher possa ser governadora. Mas ela tem capacidade em várias áreas: médica, servidora pública, professora, empresária. E por onde ela passa, mostra seriedade e carinho com as pessoas. As outras candidaturas não têm empolgado."

Questionada sobre os principais legados do senador Carlos Fávaro, seu pai, que disputa a reeleição, ela não hesita: "A Embrapa da Baixada Cuiabana. O Promaq (Programa Nacional de Modernização e Apoio à Produção Agrícola) e o Solo Vivo são importantes, mas tudo isso se acaba com o tempo. A Embrapa vai se perpetuar e mudar a realidade da agricultura familiar por um longo período."

As informações são da entrevista de Rafaela Fávaro aos jornalistas Antero Paes de Barros e Michely Figueiredo, na Rádio Cultura FM 90,7, nesta terça, 19.

 



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