O Senado rejeitou, nesta quarta-feira (30), a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão ocorreu após intensa articulação nos bastidores e marcou uma das mais significativas derrotas políticas do governo no Congresso desde o início da atual gestão.
Messias — que precisava de 41 votos favoráveis — não atingiu o mínimo necessário durante a votação secreta realizada em plenário. A rejeição surpreendeu parte da base governista, que chegou a considerar consolidado o apoio ao nome do atual chefe da Advocacia-Geral da União. Parlamentares apontaram que pressões externas, resistência de grupos independentes e a insatisfação com a condução política do Executivo influenciaram diretamente o resultado.
A análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), realizada horas antes, havia sinalizado dificuldades. Senadores relataram desconforto com as respostas do indicado sobre temas como garantias individuais, atuação do Ministério Público e decisões recentes do governo. A oposição explorou críticas ao que classificou como “excessiva vinculação” de Messias ao Executivo.
No plenário, a articulação do governo não conseguiu reverter o desgaste. Lideranças políticas afirmaram que o resultado reflete um momento de distanciamento entre Planalto e Senado, agravado por disputas internas sobre critérios de escolha para o Supremo. A recusa a um indicado do governo é considerada rara e de forte impacto institucional.
A rejeição abre um novo capítulo na disputa pela composição do STF, ampliando a pressão sobre o Executivo para encontrar um nome com trânsito mais amplo entre diferentes blocos partidários. Até que nova indicação seja oficializada e submetida ao Senado, a Corte permanece com uma cadeira vaga, em um período de julgamentos sensíveis.
A decisão também deve repercutir nos debates internos do governo sobre estratégia legislativa e reconstrução de pontes com o Congresso. Aliados admitem que a derrota evidencia falhas no mapeamento de votos e no diálogo político.
As informações são do Senado Notícias




