SAÚDE PÚBLICA
SES revela que Hospital de Câncer de MT deixou de realizar 32.2% dos atendimentos previstos
Secretário adjunto apresenta dados na ALMT e aponta que unidade executou apenas 67,8% do contrato em 2025; repasse mensal será elevado para R$ 7,8 milhões após aditivo para tentar sanar crise.
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) trouxe a público um dado alarmante sobre a assistência oncológica no Estado: o Hospital de Câncer de Mato Grosso (HCan-MT) não conseguiu cumprir um terço das metas estabelecidas em contrato durante o ano de 2025. Em audiência pública na Assembleia Legislativa (ALMT) nesta terça-feira (10.03), a gestão estadual revelou que a unidade realizou apenas 67,8% dos procedimentos contratados, um desempenho classificado como insatisfatório.
O impacto dessa baixa produtividade reflete diretamente no caixa da instituição. Do valor anual estimado de R$ 93,9 milhões, a SES efetivamente pagou R$ 63,7 milhões. A diferença de aproximadamente R$ 30 milhões não foi repassada porque, segundo o Estado, os serviços simplesmente não foram realizados ou comprovados.
Monitoramento rigoroso e o peso das dívidas
O secretário adjunto de Atenção e Vigilância à Saúde, Juliano Melo, explicou que a SES modernizou o controle sobre os hospitais filantrópicos. Com sistemas automatizados, o governo consegue monitorar o que foi feito "na véspera", permitindo pagamentos rápidos, mas estritamente baseados na produção real.
Melo reconheceu que o hospital enfrenta uma crise financeira profunda, herdada em grande parte de gestões anteriores com o município de Cuiabá, mas foi enfático ao separar os problemas: "É preciso dividir o que é deste contrato e o que é tratado como dívida. A regra é a mesma para todos".
Reajuste e busca por novos prestadores
Apesar das críticas à execução, o Estado sinalizou um "voto de confiança" para tentar equilibrar as contas do HCan. Um termo aditivo está sendo finalizado para elevar o repasse mensal de R$ 3 milhões para R$ 7,8 milhões. Além disso, foi acordado um reajuste de 8,63% nos valores contratuais para garantir o equilíbrio econômico-financeiro da unidade.
Entretanto, a SES não pretende ficar refém de um único prestador. Diante da demanda reprimida e das dificuldades operacionais do Hospital de Câncer, a secretaria confirmou que já iniciou tratativas com outros prestadores de serviço de oncologia para descentralizar o atendimento e garantir que nenhum paciente fique desassistido em Mato Grosso.
As Informações são das jornalistas Ana Lazarini e Luiza Goulart/SES-MT
FAQ
Porque o pagamento é feito por produção. Como o hospital realizou apenas 67,8% dos serviços, o Estado pagou apenas o que foi comprovadamente executado.
O valor do repasse vai aumentar?
Sim. Um aditivo contratual elevará o repasse mensal para R$ 7,8 milhões, além de um reajuste de 8,63% nos valores dos procedimentos.
Existe risco de interrupção no atendimento oncológico?
A SES afirma que está buscando outros hospitais e prestadores para fortalecer a rede e evitar que a população sofra com a baixa produção de uma única unidade.




