NOTICIÁRIO Segunda-feira, 13 de Julho de 2026, 10:44 - A | A

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OPERAÇÃO TRANSPARÊNCIA

STF bloqueia R$ 6,1 milhões de Eduardo Cunha por suspeita de desvio de emendas

Mauro Camargo

OPERAÇÃO TRANSPARÊNCIA

 

STF bloqueia R$ 6,1 milhões de Eduardo Cunha por suspeita de desvio de emendas

 

Ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de bens do ex-presidente da Câmara após a PF identificar que ele indicava emendas parlamentares mesmo sem mandato — "espécie de agente privado" dentro do Parlamento, segundo a investigação.

 

Da Redação

 

O ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos-MG) teve R$ 6,1 milhões em bens bloqueados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. A decisão, assinada no último dia 6 e tornada pública neste domingo (12), integra a Operação Transparência, que apura o desvio de emendas parlamentares.

A Polícia Federal identificou ao menos 21 emendas — outros veículos apontam 29 — que teriam sido operacionalizadas com documentação fraudulenta para esconder que o verdadeiro autor das indicações era Cunha, que não tinha mandato. Os recursos eram direcionados a municípios de Minas Gerais.

Na decisão, Dino afirmou que Cunha atuava como "espécie de agente privado" dentro do Parlamento, com poderes que excedem os de parlamentares em exercício.

O esquema

A investigação da PF aponta que Cunha utilizava um deputado do Republicanos para formalizar as emendas perante a Câmara enquanto ele, nos bastidores, comandava a destinação das verbas. Mensagens de WhatsApp obtidas pelos investigadores revelam o teor das articulações.

Em uma delas, Cunha escreveu: "Não aguento mais esses mineiros enrolados". Em outra, o tom de autoridade: "Quem puder resolver, que resolva."

O montante bloqueado — exatos R$ 6.150.378 — corresponde ao valor total das emendas sob suspeita.

Conexão com Valdemar Costa Neto

A mesma Operação Transparência também atingiu o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Dino determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens do ex-deputado, investigado por suposto envolvimento no mesmo esquema de desvio de emendas.

Segundo a PF, Cunha e Valdemar utilizavam a mesma operadora dentro da Câmara dos Deputados para influenciar a destinação das emendas, o que sugere a existência de um núcleo organizado de captura de recursos públicos.

A reação de Cunha

Eduardo Cunha reagiu publicamente à decisão. Em postagens nas redes sociais, classificou a medida como "cheia de mentiras" e disse que Dino "engoliu o relatório da PF".

A defesa do ex-deputado afirmou que ele "desconhece irregularidades na tramitação de emendas parlamentares" e que "não apresentou, subscreveu ou endossou qualquer emenda". Prometeu apresentar documentos para comprovar sua inocência.

O histórico

Eduardo Cunha não é estreante no banco dos réus. Ex-presidente da Câmara dos Deputados, foi um dos articuladores do impeachment de Dilma Rousseff em 2016. No mesmo ano, foi cassado por 450 votos a favor e 10 contra, acusado de mentir à CPI da Petrobras sobre contas na Suíça.

Condenado a 15 anos e 11 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do campo de petróleo de Benin, na África, envolvendo a Petrobras, teve a pena posteriormente reduzida pelo STF. Chegou a ser preso, mas atualmente responde em liberdade.

Agora, mesmo sob investigação, Cunha planeja disputar uma vaga de deputado federal por Minas Gerais nas eleições de outubro de 2026 — mais um capítulo na trajetória de um político que insiste em retornar ao centro do poder.

Análise do autor

A decisão de Flávio Dino tem alcance que vai além de Eduardo Cunha. Ao afirmar que o ex-deputado "tem mais poderes que parlamentares", o ministro expõe uma das fragilidades do sistema de emendas parlamentares no Brasil: a possibilidade de que agentes sem mandato — mas com influência — continuem usando a máquina pública por intermédio de terceiros.

O bloqueio de R$ 6,1 milhões e a conexão com Valdemar Costa Neto indicam que a Operação Transparência pode ser apenas a ponta de um iceberg. Se a tese da PF se confirmar, o caso pode reabrir o debate sobre o controle das emendas parlamentares e a permeabilidade do Congresso a lobistas e operadores informais.

Cunha, cassado, condenado, preso e agora investigado de novo, tenta um retorno político. O STF e a Polícia Federal parecem determinados a não facilitar o caminho.



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