O balanço dos dois primeiros anos da gestão Abílio Brunini (PL) à frente da Prefeitura de Cuiabá, na avaliação da vereadora Maysa Leão (Republicanos), é de "incapacidade de gestão" e "cortinas de fumaça". Em entrevista ao Jornal da Cultura (Cultura FM 90.7), a parlamentar elencou uma série de promessas não cumpridas, indicadores objetivos de paralisia administrativa e o que considera improbidade no manejo de recursos públicos. As informações foram concedidas aos jornalistas Antero Paes de Barros e Michely Figueiredo.
Maysa recorreu a um dado concreto: das 32 metas apresentadas pelo CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) a todos os candidatos a prefeito em 2024 — um plano factível, segundo ela, de medidas como manter a cidade limpa, instalar lixeiras e executar o plano de arborização — nenhuma foi implementada. "Você não vai gastar a tinta da caneta para ticar o que ele realizou do projeto de governo", afirmou.
O plano de arborização, pago por R$ 126 mil à UFRJ, analisado pela UFMT e com audiências públicas concluídas, está pronto para aprovação na Câmara. O prefeito, segundo a vereadora, não o envia porque "não quer ser fiscalizado".
O ponto mais grave levantado por Maysa é o descumprimento das emendas impositivas — aquelas que os vereadores destinam a áreas específicas e cujo pagamento é obrigatório. "Cada vereador tem direito a nomear cerca de R$ 2 milhões para diferentes setores. Eu destinei R$ 710 mil para os CAPS. Esse dinheiro não foi aplicado. Onde ele está? Não são R$ 710 mil, são milhões de reais sem explicação", disse.
Segundo a vereadora, a não aplicação de emendas impositivas configura improbidade administrativa passível de cassação. "Eu falei: 'Gente, se continuar assim, sem prestação de contas... eu apresentei contra Emanuel o mesmo processo, porque emenda impositiva precisa ser cumprida'."
A Prefeitura, ainda segundo Maysa, não realiza processos licitatórios. Empresas contratadas por adesão em ata abandonam obras por incapacidade de execução. O dinheiro de emendas parlamentares estaduais — como os R$ 4 milhões do deputado Lúdio (PT) para o Postpol e os R$ 13 milhões para a policlínica do Cohab 13 — está parado à espera de licitação que não sai.
O relato mais contundente foi pessoal. Uma mulher de 55 anos, diabética, sofreu um acidente em um ônibus municipal, quebrou quatro costelas, foi levada a uma UPA e recebeu alta com “Tramal". Maysa precisou ligar para a secretária de Saúde para conseguir atendimento adequado. "E se essa pessoa não tem acesso a um vereador? Essa é a realidade. Não é uma questão de gostar ou não gostar do Abílio. É que uma mulher de 55 anos poderia ter morrido por uma bobeira, em 2026. É disso que a gente está falando."






