A entrevista de Ananias Filho ao Jornal da Cultura nesta quarta-feira, 6, não foi apenas um exercício de retórica política; foi o retrato de um partido que, sob o manto do "dever de casa feito", parece estar à venda no melhor estilo "quem dá mais". O presidente estadual do PL tentou, de forma quase heróica, pintar como "normalidade institucional" o que qualquer cidadão com o mínimo de discernimento chamaria de promiscuidade política.
O ponto mais vergonhoso dessa narrativa é a aceitação passiva — e até agradecida — de uma reunião clandestina em um escritório de advocacia para rifar a cabeça de Wellington Fagundes. Ananias não se diz traído; diz-se "avisado". É a institucionalização da rasteira. Valdemar da Costa Neto, o cacique mor, desceu em solo mato-grossense em um jatinho providenciado por um "financiador oculto" para discutir como Piveta poderia herdar o espólio de Wellington. E Ananias? Acha tudo muito "ético".
Ananias Filho cobra fidelidade dos prefeitos de Rondonópolis e Várzea Grande, chamando-os de "ingratos" e "sem cérebro" por flertarem com o governo Mauro Mendes. Mas qual é a autoridade moral de um partido que permite que um financiador externo sente-se à mesa para ditar quem deve ser o candidato ao governo? Se a lealdade no PL tem preço e é negociada em planos de voo privados, por que os prefeitos não poderiam também buscar seus próprios "negócios"?
Ao não revelar — ou fingir não saber — quem é o dono do dinheiro e do avião, Ananias e o PL-MT prestam um desserviço à transparência. A política de Mato Grosso não pode ser decidida em "acertos de jatinho". Se Wellington Fagundes é mesmo o candidato inabalável, por que Valdemar precisou ouvir propostas de quem queria retirá-lo do páreo?
O PL de Mato Grosso hoje assemelha-se a uma vitrine: o produto está exposto, mas o dono da loja (Valdemar) parece disposto a mudar a etiqueta de preço a qualquer momento, dependendo de quem aparecer para pagar a conta do voo de volta a Brasília.




