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ELEIÇÕES 2026

O tipo de liderança que Mato Grosso precisa eleger

Mauro Camargo

Mato Grosso entra em um ciclo que vai testar a maturidade política de um estado que cresceu rápido demais para continuar sendo conduzido pelos mesmos métodos. O tamanho da nossa economia, a complexidade da nossa sociedade e o peso que exercemos no mapa político do país exigem mais do que líderes populares. Exigem líderes capazes de compreender que governar um estado como o nosso não pode ser exercício de vaidade, improviso ou bravata. É tarefa de responsabilidade pública de longo prazo.

O candidato ideal para governar Mato Grosso não é aquele que promete rupturas espetaculares ou soluções imediatas para problemas antigos. É o que sabe o tamanho da máquina que pretende comandar e tem clareza sobre o impacto de cada escolha. Nossas demandas não cabem em slogans. O estado precisa de alguém que enfrente a desigualdade regional, que olhe para o Araguaia, o Nortão e o Vale do Guaporé com a mesma atenção dada ao eixo da BR-163. Alguém que compreenda que saúde e educação não são gastos, mas garantias de futuro. E que segurança pública não se resolve apenas com operações pontuais, mas com inteligência, integração e presença real do Estado onde ele ainda falha em existir.

Mato Grosso precisa de um governador que saiba dialogar com a força que move nossa economia, mas que não se submeta a ela. O agronegócio é o motor do estado, mas não pode ser o único horizonte. É necessário diversificar, modernizar e preparar a economia para um mundo que exige inovação, sustentabilidade e capacidade de competir além das fronteiras nacionais. O líder que Mato Grosso precisa deve ter coragem para enfrentar o debate sobre infraestrutura, logística, energia e proteção ambiental sem cair em extremismos. Um governo equilibrado precisa entender que desenvolvimento e responsabilidade podem caminhar juntos — e que quem governa é o Estado, não um setor específico.

No campo político, o futuro governador terá de conduzir o estado além da polarização que se instalou no país. Mato Grosso não pode ser refém de projetos nacionais que nada têm a ver com a nossa realidade. Governar exige firmeza diante do radicalismo e independência diante das pressões ideológicas de ambos os lados. O gestor ideal precisa entender que a política é negociação, não submissão; é construção, não confronto permanente; é liderança que escuta, não que impõe. O próximo governador terá de ter habilidade para trabalhar com prefeitos, com a Assembleia e com o governo federal — qualquer que seja ele. Mato Grosso não pode perder oportunidades por orgulho político.

No Senado, o perfil ideal é o do representante que compreenda que a cadeira em Brasília não é um troféu, mas um instrumento de defesa do estado. Não basta registrar presença em votações ou repetir discursos alinhados a grupos nacionais. O senador que Mato Grosso precisa deve conhecer profundamente temas como pacto federativo, reforma tributária, financiamento da saúde pública e políticas de segurança em fronteiras. Precisa ter capacidade real de negociação, independência intelectual e compromisso com o interesse público — não com plataformas ideológicas que apenas inflam os extremos.

O senador ideal para Mato Grosso deve ser capaz de transitar entre blocos, construir pontes institucionais e defender o estado em pautas que envolvem recursos, infraestrutura e desenvolvimento. Precisa entender que o Brasil vive um momento de reorganização política em que o debate deixou de ser esquerda contra direita e passou a ser responsabilidade contra aventureirismo. O representante mato-grossense que fizer diferença será aquele que se posicionar com seriedade, não com frases fáceis; com propostas, não com ataques; com visão de futuro, não com alinhamentos automáticos.

Para ambos os cargos, governador e senador, há um ponto comum: a necessidade de coerência. Mato Grosso amadureceu, e o eleitor também. As pessoas observam, cobram, analisam e discutem. A política, cada vez mais, é testada pela coerência entre fala e ação. O eleitor não responde mais apenas ao discurso que agrada, mas ao comportamento que sustenta esse discurso.

O desafio do próximo ciclo eleitoral é simples de traduzir e difícil de executar: Mato Grosso precisa de líderes que entendam a complexidade do estado e se comprometam com um projeto que vá além de campanhas e mandatos. Líderes que não temam o debate público, que não se escondam em radicalismos e que saibam que política é pacto, não imposição. Nossa responsabilidade histórica não comporta pequenos projetos. O estado cresceu — e a liderança que o conduz também precisa crescer.

Esse é o tipo de liderança capaz de governar Mato Grosso e de representá-lo com dignidade no Senado: firme, preparada, responsável e comprometida com o futuro — não apenas com a próxima eleição.



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