O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro comentou em declaração exclusiva ao Nossa República, a filiação do governador Ronaldo Caiado ao partido e o alinhamento nacional com Eduardo Leite e Ratinho Junior. Fávaro destacou a habilidade política de Gilberto Kassab, elogiou o crescimento orgânico da sigla, mas deixou claro que, por coerência e pelo fato de integrar o governo federal, está comprometido com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Vejo com naturalidade. O Kassab é muito habilidoso, um mestre político. O PSD tem crescido de forma consistente e sem pirotecnia. É um partido equilibrado, de centro, atraindo forças políticas”, afirmou o ministro. Segundo ele, é natural que uma sigla do tamanho do PSD tenha três pré‑candidatos ao Planalto, mas isso não altera seu posicionamento. “Por reconhecimento do grande trabalho de reconstrução, de crescimento e de combate às desigualdades, tenho convicção de que o melhor para o Brasil é o presidente Lula reeleito por mais quatro anos. Eu estarei ao lado dele, sempre.”
A fala de Fávaro demonstra lealdade à Lula e ao governo ao qual pertence e para o qual desenvolve um trabalho considerado eficiente pela setor do agronegócio. "Sou Lula e sou pré candidato ao Senado", reafirmou.
O anúncio da filiação de Caiado ao PSD em vídeo gravado ao lado de Eduardo Leite e Ratinho Junior simbolizou a formação de um bloco político articulado para disputar espaço na corrida presidencial de 2026.
Caiado, que deixou o União Brasil após enfrentar resistência interna para viabilizar seu projeto nacional, afirmou que ingressa no PSD para “contribuir com a discussão nacional”. Leite e Ratinho destacaram que a chegada do goiano fortalece a legenda e amplia a possibilidade de construção de um projeto competitivo para o país.
Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, afirmou que os três governadores trabalharão juntos para consolidar uma candidatura que represente um projeto de futuro para o Brasil. Segundo Caiado, a escolha do nome será feita de forma consensual. “Aqui não tem interesse pessoal. Aquele que for escolhido terá o apoio dos demais”, disse Caiado.
A decisão de Caiado foi comunicada previamente à direção do União Brasil. Em nota, o partido afirmou que sua saída é “parte dos ciclos da política” e destacou sua trajetória e contribuição para o debate público. Com a filiação, o PSD reúne três governadores com potencial eleitoral relevante, ampliando seu peso político para além da esfera estadual.
Em entrevista, Caiado defendeu a pulverização de candidaturas da direita no primeiro turno de 2026. “Uma candidatura única é o que Lula quer. Nós queremos ganhar a eleição”, afirmou. Ele relatou ter discutido o tema com o senador Flávio Bolsonaro, pré‑candidato apoiado pelo ex‑presidente Jair Bolsonaro.
O encontro dos governadores em São Paulo, que também contou com a presença de Romeu Zema, consolidou o agrupamento de lideranças que se apresentam como alternativa ao que chamam de “extremos políticos”. No evento, eles defenderam reformas administrativas e eleitorais e reforçaram compromisso com austeridade fiscal.
Eduardo Leite afirmou que a escolha do nome do PSD não ocorrerá por prévias, mas por avaliação política conduzida por Kassab. Ratinho sugeriu que um grupo de dirigentes e lideranças nacionais deve auxiliar no processo. “Quem tiver mais condição de representar o projeto de um novo Brasil será o escolhido”, afirmou o paranaense.
Questionado sobre Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e possível concorrente no campo da direita moderada, Leite afirmou que o caminho natural do paulista é “a reeleição”, ecoando declarações públicas do próprio Tarcísio.
Zema, por sua vez, manteve sua pré-candidatura e afirmou que, no segundo turno, apoiará qualquer nome da centro-direita contra o PT, inclusive o senador Flávio Bolsonaro.
Com o novo cenário, o PSD assume posição central na reconfiguração da disputa presidencial. O partido agora abriga três governadores presidenciáveis, mantém influência no Congresso e ocupa espaço estratégico no governo federal por meio de Carlos Fávaro — que se torna figura-chave para preservar a aliança com Lula enquanto o partido estrutura seu projeto nacional.





