A trajetória política da vice-prefeita de Cuiabá, Vânia Rosa, ganha um novo contorno nesta segunda-feira (2). Isso porque ela assinou sua ficha de filiação ao MDB, presidido em Mato Grosso pela deputada estadual Janaina Riva.
Vânia, até então, estava filiada ao Novo. No entanto, após a vitória nas urnas na disputa pela prefeitura de Cuiabá, viu que sua participação na gestão não seria certa. Segundo a vice-prefeita, quem deixou isso muito claro já no primeiro dia depois do resultado do segundo turno foi o secretário de governo, Ananias Filho, que afirmou que ela poderia “ir para casa”.
Ela brigou por espaço, para agregar no projeto de “consertar Cuiabá”. Conquistou a Secretaria de Assistência Social. Poucos meses depois, foi remanejada para a Secretaria de Mobilidade Urbana, onde a crise foi escancarada. O prefeito Abílio Brunini exonerou Vânia, fez alarde sobre uma maca encontrada na secretaria e o episódio rendeu até mesmo a presença da polícia.
Para terminar de minar a possibilidade de Vânia atuar no Palácio Alencastro, Abílio retirou orçamento da vice-prefeitura, mas antes baixou decreto determinando que somente o prefeito pode falar pela gestão. Vânia havia externado a vontade de articular pela cidade junto ao governo federal.
Escanteada pelo prefeito, Vânia diz não ter recebido apoio do partido no qual estava filiada. As palavras de força e consolo vieram da deputada Janaina Riva, quando em evento da Procuradoria Especial da Mulher, denunciou que vinha sofrendo violência política de gênero.
Essa aproximação culminou na filiação ao MDB, sacramentada nesta segunda-feira. Vânia já anunciava a disposição de concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa, ao passo que o Novo não garantia suporte para o novo projeto.
O ato de filiação foi realizado na sede do Diretório Estadual do partido. A ficha foi abonada pela presidente estadual do MDB, deputada Janaina Riva, ao lado dos deputados estaduais Dr. João, Silvano Amaral, Thiago Silva e Juca do Guaraná, que recepcionaram a nova filiada com palavras de boas-vindas.
Ao falar sobre esse novo passo, Vânia Rosa deixou claro o espírito de disposição para contribuir. “Eu venho para servir o partido e, no que for preciso, estou pronta”, afirmou, destacando o compromisso com o fortalecimento do MDB e com a construção de projetos voltados ao desenvolvimento de Cuiabá e do estado.
O ato contou ainda com a participação virtual do presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi.
“Hoje temos uma filiação muito significativa da coronel Vânia Rosa, vice-prefeita de Cuiabá. O MDB se fortalece para fazer o que sabe fazer de melhor: entregar políticas públicas na ponta, melhorando a vida das pessoas”, declarou.
Para a deputada estadual Janaina Riva, a chegada de Vânia representa mais do que um reforço político. É também um avanço na luta contra todas as formas de violência contra a mulher e na valorização da presença feminina na política.
“Recebemos a vice-prefeita Vânia Rosa com muita alegria. Uma mulher de força e determinação, que aqui no MDB terá espaço e liberdade para seguir sua trajetória política”.
Em resposta ao acolhimento, Vânia destacou o significado simbólico do momento. “Essa receptividade acalenta o meu coração. Estar em um espaço onde há maturidade para acolher mulheres é algo impagável. Chego para somar e espero colher bons frutos nesta nova jornada”.
Abílio chegou a anunciar que se licenciará da prefeitura no período eleitoral para auxiliar na campanha da esposa, a vereadora Samantha Íris (PL) à Assembleia Legislativa e que neste período o Palácio Alencastro ficaria sob o comando de Vânia. No entanto, se o projeto de disputar uma cadeira na AL se consolidar, a vice não estará disponível para esta missão.
Abílio rechaça o MDB
Em outra oportunidade, o prefeito Abílio Brunini rechaçou a proximidade com o MDB, quando o senador Wellington Fagundes (PL), com vistas a construir alianças para a disputa ao governo de Mato Grosso, sinalizou conversas com o partido. As declarações de Abílio foram dadas em setembro de 2025.
“Se a gente ceder nesse momento ao MDB uma parceria, auxiliando esse partido a reconquistar espaços em 2026, se prepare para 2028. O MDB vai colocar de novo o Thiago Silva contra o Cláudio Ferreira, o Kalil contra Flávia e junto a outros aliados lançarão contra nós”, disse o prefeito.
Ele ainda acrescentou: “Digo ao senador Wellington Fagundes e a qualquer outro. Se esse for o projeto, não vamos estar nele. Não vamos subsidiar pintura de verde e amarelo com o MDB. Na última eleição, não juntamos por meio de aliança”.
Agora resta saber. Como fica a filiação de Vânia ao partido? Isso aumenta ainda mais a distância entre ela e o chefe do Executivo Municipal? Haverá um próximo passo de Abílio para minar a vice?
Disputa por vaga na AL
Além de ter escolhido o MDB para se filiar, Vânia entra para o confronto mais uma vez ao escolher disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, mesmo cargo almejado por Samantha Íris.
Ambas se classificam como representantes da direita em Mato Grosso e disputarão o voto do eleitorado que simpatiza com esse espectro político.
Novo desconhecia desfiliação
Por meio de nota, o presidente do partido Novo em Mato Grosso, Rafael Iacovacci, se manifestou a respeito da desfiliação de Vânia Rosa da legenda.
“O Novo é um partido que atua com coerência e transparência. Não negocia cargos, não distribui espaços de poder e não interfere na gestão municipal para acomodar interesses individuais. O papel institucional do partido é oferecer suporte técnico, jurídico e político aos seus mandatários e foi exatamente o que fizemos”, disse ao contestar a fala de Vânia que denunciou a falta de suporte da agremiação.
“A vice-prefeita procurou formalmente o Partido Novo uma única vez, por meio de ofício protocolado em 8 de janeiro de 2026. No mesmo dia, o Diretório Estadual respondeu com um parecer técnico-jurídico completo, contendo orientações detalhadas para proteção da responsabilidade pessoal da mandatária perante o Tribunal de Contas, a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei de Improbidade Administrativa. Além disso, o partido se colocou formalmente à disposição para intermediar reunião diretamente com o prefeito municipal e para auxiliar na articulação junto à Câmara Municipal, com o objetivo de restituir a autonomia orçamentária do Gabinete da Vice-Prefeitura. Medidas concretas, documentadas e dentro dos limites institucionais que regem a atuação do Novo. Falar em abandono ou isolamento diante desses fatos não encontra respaldo na realidade”, reforçou.
O presidente, por meio de nota, foi mais incisivo. “O que o partido não fez, e não fará, é negociar fatias de poder, intermediar cargos ou operar nos bastidores para atender demandas que contrariam seus princípios. Se essa é a expectativa de ‘respaldo’ ou de ‘abertura’, é preciso deixar claro: isso não faz parte da identidade do Partido Novo”.
O partido também contestou a declaração de que não oferece espaço para mulheres. Destacou a liderança de Gleisi Teixeira, que conduz atualmente a presidência estadual do Novo, a forte presença de Mirtes da Transterra em Sinop e a realização do evento Novo Mulher, no interior, a realizar-se no dia 7 deste mês.
“A desfiliação é um direito legítimo. A forma como foi conduzida, sem comunicação prévia ao partido, com o anúncio chegando pela imprensa, é que revela uma quebra de confiança e de respeito institucional. Ética e bom senso, valores que o Novo sempre praticou, começam justamente por aí: pelo respeito às pessoas e às instâncias que construíram o caminho junto. O Partido Novo reconhece a trajetória da Coronel Vânia Rosa. Ao mesmo tempo, reafirma que seguirá oferecendo suporte sério e institucional aos seus filiados, sem flexibilizar princípios para reter quadros ou atender expectativas incompatíveis com sua proposta. O Novo existe para fazer diferente. E continuará fazendo diferente, mesmo quando isso tem custo político”.





