CONTEMPORANEIDADES Quinta-feira, 03 de Setembro de 2020, 11:25 - A | A

Quinta-feira, 03 de Setembro de 2020, 11h:25 - A | A

ARIADNE CAMARGO

E quando voltar?

Ariadne Castro Camargo

@ariadnecastrocamargopsi

Ariadne Castro Camargo é professora, psicóloga clínica humanista, especialista em Abordagem Centrada na Pessoa, atua com psicoterapia individual, terapia de grupo, e roda de mulheres, é também aluna e voluntária da Organização Nova Acrópole Cuiabá. Atendimento presencial em Cuiabá e atendimento Online.

Divulgação

pós pandemia

Depois de 5 meses vivendo a realidade de uma pandemia com todas as suas implicações, já é possível compreender algumas coisas. O que se conhecia antes como normal possivelmente não voltará. Muitas coisas que se acreditava ser importantes realmente não fazem mais o menor sentido. As relações com as pessoas com certeza têm outros significados. Quando tudo “voltar” nada estará como era antes.

Acredito que a proximidade com a vida privada a qual a maioria vivenciou nos últimos meses fará com que muitos não consigam mais suportar tantas relações superficiais. Sejam elas na escola, no ambiente de trabalho ou mesmo nas reuniões de lazer. Isso porque ao deparar com vivências mais inteiras, os fragmentos já não se sustentam. Provavelmente também ficará mais difícil conseguir conviver com rotinas sufocantes, que não levam a um crescimento real, a uma evolução enquanto seres humanos. Em todos os âmbitos, todos fomos tocados.

Olhando por esse prisma, é evidente que teremos que experimentar mais uma forte reorganização quando tudo voltar ao “normal”, quando o isolamento social acabar, quando as reuniões de família estiverem liberadas e todos já puderem tranquilamente passear por aí sem a ameaça do corona. É verdade que há muitos lugares que parecem estar imunes, com movimento normal, cuja única diferença é modelito das máscaras, apesar de todas as notícias sobre o sistema de saúde, mas ainda vai um tempinho até que tudo retome seu curso.

Mas quando as pesquisas avançarem tornando possível dinâmicas cotidianas como a volta às aulas, por exemplo, o que será que as pessoas vão encontrar?

Não acredito num retorno assim tão tranquilo, como se nada tivesse acontecido. Penso que professores, alunos e comunidade escolar precisarão lidar com mais uma adaptação. Se foi necessário aprender a dar aulas online, elaborar e aplicar avaliações de forma virtual, organizar o intercâmbio de atividades, pais acompanharem de perto os filhos e perceberem suas dificuldades, famílias com limitações, entre muitas situações na fase de isolamento, no retorno, outros desafios virão.

Será necessário mesclar o que foi aprendido com o que já se sabia antes. Se na pré-pandemia a escola já estava em um formato obsoleto, agora então ficou mais evidente a necessidade de reformular a maneira de ensinar, assim como ficou mais nítida a participação da família nesse processo. É nisso que os envolvidos precisarão ser mais criativos ainda e estarem realmente dispostos a realizar uma transformação. Primeiro admitir que não se pode continuar de onde parou, depois reconhecer que será necessário tempo, disposição, vontade, criatividade para fazer da escola um ambiente de aprendizagem, trocas e construção com novos formatos.

Não se sabe o que esperar, nem se sabe como fazer isso, mas poucos sabiam usar tantos aparatos tecnológicos para lecionar antes da pandemia, os pais também não estavam tão inteirados dos pormenores do cotidiano escolar, no entanto, muitos aprenderam e conseguiram se expandir. É bom que estejamos preparados para mais um movimento de expansão quando a realidade trouxer os desafios do retorno pós-pandemia.

Certamente, profissionais ficarão pelo caminho e encontrarão outras formas de viver e se realizar, mas os bravos educadores que conseguirem se manter nesse processo e forem versáteis, continuarão a cumprir sua missão de outras formas e ocupando um novo lugar. As famílias também reconhecerão melhor seu papel na educação dos filhos e podem se tornar mais ativas. De uma maneira ou de outra, sempre é possível aproveitar a chance da adversidade para crescer e evoluir enquanto ser humano e apontar caminhos para os que vierem depois.



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