NOTICIÁRIO Terça-feira, 25 de Agosto de 2026, 20:40 - A | A

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ELEIÇÕES 2026

Duas pesquisas, um empate e cenários opostos

Mauro Camargo

Infográfico produzido com IA

Pesquisas

 

Duas pesquisas divulgadas num intervalo de pouco mais de 24 horas produzem uma fotografia aparentemente contraditória da eleição para o Governo de Mato Grosso. Quando examinadas com cuidado, porém, elas dizem algo bastante parecido sobre o momento atual da campanha: Otaviano Pivetta e Wellington Fagundes entraram numa disputa aberta, sem liderança estatisticamente consolidada no primeiro turno.

O Paraná Pesquisas, divulgado na segunda-feira (24), registrou Pivetta com 39% das intenções de voto e Wellington com 35%. A diferença de quatro pontos coloca os dois em empate técnico, considerada a margem de erro de 2,6 pontos percentuais para mais ou para menos.

A Quaest, divulgada nesta terça-feira (25), inverte a ordem: Wellington aparece com 27% e Pivetta com 23%. Novamente, quatro pontos de diferença e novamente empate técnico — agora com margem de três pontos percentuais. Natasha Slhessarenko aparece em terceiro lugar, com 8%.

A primeira conclusão, portanto, é menos complicada do que parece: não há fundamento estatístico para afirmar que Pivetta ou Wellington liderem hoje a eleição.

Os dois estão no mesmo território competitivo.

A diferença importante aparece quando a pesquisa avança para uma eventual segunda rodada.

O segundo turno divide os institutos

O Paraná Pesquisas testou um confronto direto entre os dois principais candidatos e encontrou Pivetta com 44,3% e Wellington com 40,8%.

São 3,5 pontos de diferença. Considerada a margem de erro de 2,6 pontos para cada lado, também existe empate técnico.

A Quaest produz uma fotografia bastante diferente.

No cenário entre Wellington e Pivetta, o senador aparece com 38% contra 29% do governador. São nove pontos de vantagem, diferença superior à margem de erro. Outros 11% escolheriam branco, nulo ou nenhum dos candidatos, enquanto expressivos 22% ainda não sabem em quem votariam.

É justamente aqui que a leitura das pesquisas exige mais cautela.

Não é correto concluir que Pivetta perdeu nove pontos ou que Wellington ganhou nove pontos de um levantamento para outro. As pesquisas foram realizadas por institutos diferentes, com amostras, questionários e procedimentos metodológicos próprios.

São fotografias independentes, não capítulos consecutivos de uma mesma série histórica.

O que elas permitem afirmar é que existe uma divergência relevante sobre o comportamento do eleitor num eventual segundo turno. E essa divergência precisará ser testada pelos próximos levantamentos.

Um eleitorado ainda disponível

Há outro dado da Quaest que talvez seja tão importante quanto os números dos candidatos.

No primeiro turno, 29% dos entrevistados responderam branco, nulo ou que não votariam em nenhum dos nomes apresentados, enquanto 8% aparecem como indecisos. Além disso, 47% disseram que ainda podem mudar de candidato até a eleição.

No confronto entre Wellington e Pivetta, são 22% de indecisos.

Isso ajuda a explicar por que a eleição permanece aberta.

Pivetta carrega as vantagens naturais de quem ocupa o Governo e tenta transformar a avaliação de sua administração em intenção de voto. O Paraná Pesquisas encontrou aprovação de 69,5% da gestão estadual. Mas aprovação administrativa e voto não são necessariamente a mesma coisa.

Wellington, por outro lado, entra na campanha com uma vantagem construída durante o período anterior à eleição e agora precisa demonstrar capacidade para preservá-la diante da exposição maior do governador e do início efetivo da disputa.

É precisamente esse movimento que as próximas pesquisas deverão medir.

Efeito Heritage ainda é uma pergunta

Há também um componente político inevitável.

As duas pesquisas foram realizadas depois da deflagração da Operação Heritage, que atingiu integrantes importantes do grupo político governista, provocou a saída de Fábio Garcia da candidatura a vice e levou Pivetta a reorganizar sua chapa com Gisela Simona.

O Paraná ouviu 1.504 eleitores entre 21 e 23 de agosto. A Quaest entrevistou 804 pessoas entre 21 e 24 de agosto. Portanto, os dois levantamentos já captam um eleitorado exposto à repercussão inicial da operação.

Mas seria precipitado transformar os resultados numa medida direta do impacto da Heritage.

Não existe, nos números gerais apresentados, mecanismo capaz de isolar essa variável das demais circunstâncias da campanha.

A pergunta relevante passa a ser outra: a investigação produzirá efeito duradouro sobre Pivetta ou será absorvida pela campanha sem alterar significativamente sua competitividade?

Ainda não temos resposta.

Senado também exige cuidado

As duas pesquisas também mediram a disputa pelas duas vagas ao Senado e novamente utilizaram formas de apresentação que recomendam cautela na comparação.

No Paraná Pesquisas, em questão que permitia ao entrevistado indicar até dois candidatos, Mauro Mendes obteve 52,3%, Janaina Riva 33,7%, José Medeiros 18,8%, Pedro Taques 16,5% e Carlos Fávaro 14,6%.

Na Quaest, considerando o resultado consolidado dos votos, Mauro aparece com 24%, Janaina com 18%, Taques com 8%, Medeiros com 6% e Fávaro com 5%. Há ainda 25% de indecisos.

Os percentuais absolutos não devem ser colocados lado a lado como se medissem exatamente a mesma coisa.

O sinal comum é mais seguro: Mauro Mendes permanece no primeiro pelotão e Janaina Riva ocupa posição competitiva na disputa pela outra vaga, enquanto existe um conjunto de candidatos tentando reduzir essa distância.

Também aqui a campanha está apenas começando.

A fotografia possível

Pesquisas eleitorais não são previsões do resultado das urnas. São medições realizadas em determinado período, sob determinadas condições e dentro de margens estatísticas conhecidas.

E talvez seja justamente essa a principal informação produzida pelos dois levantamentos.

Um instituto coloca Pivetta numericamente à frente. Outro coloca Wellington.

No primeiro turno, ambos dizem essencialmente a mesma coisa: empate.

No segundo, discordam.

E uma parcela importante do eleitorado ainda não consolidou sua escolha.

A eleição de Mato Grosso começa, portanto, menos definida do que as manchetes isoladas de cada pesquisa podem sugerir.

O que existe hoje não é um favorito estatisticamente estabelecido.

Existe uma disputa.

E ela está aberta.

Nota de Transparência

Esta reportagem confrontou dois levantamentos independentes. O Paraná Pesquisas ouviu 1.504 eleitores presencialmente em 56 municípios, de 21 a 23 de agosto, com margem de erro de 2,6 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pela Sedek Serviços, Tecnologia & Informação e registrada no TSE sob o número MT-02157/2026.

A Quaest entrevistou 804 eleitores entre 21 e 24 de agosto. A margem informada é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, e o levantamento está registrado sob os números MT-04846/2026 e BR-00817/2026.

O Nossa República não interpreta diferenças entre institutos como variação temporal automática das intenções de voto. Foram observadas diferenças de amostra e metodologia, razão pela qual os resultados foram analisados separadamente e comparados apenas onde há compatibilidade suficiente. Também não atribuímos à Operação Heritage causalidade sobre os números: as entrevistas ocorreram depois da operação, mas os resultados gerais não permitem isolar seu efeito sobre a decisão do eleitor.



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Redação: Av. Historiador Rubens de Mendonça, nº 2000, 12º andar, sala 1206, Centro Empresarial Cuiabá

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