O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) aparece numericamente à frente na disputa pelo Governo de Mato Grosso, mas ainda não conseguiu abrir uma vantagem estatisticamente segura sobre o senador Wellington Fagundes (PL). No Senado, Mauro Mendes (União Brasil) e Janaina Riva (MDB) ocupam posições mais consolidadas na corrida pelas duas vagas em disputa.
Esse é o quadro apresentado pela pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, divulgada nesta segunda-feira, 24. No cenário estimulado para o primeiro turno, Pivetta alcança 39% das intenções de voto, contra 35% de Wellington. A diferença de quatro pontos percentuais mantém os dois candidatos tecnicamente empatados, considerando-se a margem de erro de 2,6 pontos para mais ou para menos.
A candidata da coligação de centro-esquerda, Natasha Slhessarenko (PSD), aparece em terceiro lugar, com 8,7%. Sargento Laudicério, do Agir, tem 2,2%; Mauricio Coelho, do Mobiliza, 0,4%; e Rafaell Milas, do Missão, 0,3%. Eleitores que declararam voto branco, nulo ou em nenhum dos candidatos somam 8,1%. Outros 6,3% não souberam responder.
O resultado indica uma eleição polarizada entre Pivetta e Wellington, mas não autoriza falar em vantagem consolidada do governador. Pivetta lidera numericamente, tem a máquina estadual e administra um governo bem avaliado, porém Wellington permanece suficientemente próximo para sustentar uma disputa competitiva.
Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, Pivetta tem 15,9%, enquanto Wellington registra 8,6%. Natasha aparece com 2,7%. O dado mais importante, porém, está nos 65,2% que não souberam ou não quiseram indicar espontaneamente um candidato.
Esse índice mostra que grande parte do eleitorado ainda não transformou conhecimento ou simpatia em voto consolidado. A campanha está oficialmente nas ruas, mas a eleição ainda não entrou por inteiro na rotina da maioria dos eleitores.
A simulação de segundo turno reforça esse diagnóstico. Pivetta aparece com 44,3% e Wellington, com 40,8%. A diferença cai para 3,5 pontos, novamente dentro da margem de erro. Brancos, nulos e eleitores que não escolheriam nenhum dos dois somam 9,1%; outros 5,8% não souberam responder.
Os recortes da pesquisa mostram tendências relevantes, embora devam ser lidos com cautela, porque a margem de erro informada pelo instituto se refere ao resultado geral, não aos segmentos da amostra.
Pivetta apresenta desempenho mais forte entre os homens: 44,8%, diante de 32% de Wellington. Entre as mulheres, o quadro se inverte. Wellington chega a 37,8% e Pivetta fica com 33,4%.
O governador também alcança 42% entre eleitores com ensino superior e 42,4% na população economicamente ativa. Wellington registra 39,7% entre os que não integram a população economicamente ativa e 36,2% entre eleitores com ensino fundamental, praticamente empatado com Pivetta nesse segmento.
A divisão ajuda a identificar os desafios das campanhas. Pivetta precisa ampliar sua presença entre as mulheres, os jovens e o eleitorado fora da população economicamente ativa. Wellington, por sua vez, precisa reduzir a distância entre homens, eleitores com ensino superior e segmentos economicamente ativos.
A avaliação do governo oferece a Pivetta uma base política importante, mas também revela um problema eleitoral ainda não resolvido. A administração estadual é aprovada por 69,5% dos entrevistados e desaprovada por 23,3%. Na avaliação por conceitos, 49,2% consideram o governo ótimo ou bom; 32,2% o classificam como regular; e 14,4%, como ruim ou péssimo.
A distância entre os 69,5% de aprovação administrativa e os 39% de intenção de voto mostra que uma parcela expressiva dos eleitores aprova o governo, mas ainda não decidiu votar em Pivetta. O governador dispõe de uma reserva potencial de crescimento, porém terá de convertê-la em voto durante a campanha.
Wellington enfrenta dificuldade diferente. Ele lidera a rejeição, com 25,7%, seguido por Natasha, com 19,3%, e Pivetta, com 16,3%. Como os entrevistados podiam rejeitar mais de um candidato, os percentuais não devem ser somados.
A rejeição mais elevada estabelece um limite que Wellington precisará enfrentar se quiser ultrapassar o governador. Ao mesmo tempo, seus 35% no primeiro turno e 40,8% na simulação de segundo demonstram que o senador mantém uma base eleitoral ampla e competitiva.
No Senado, o quadro é mais definido nas duas primeiras posições. Mauro Mendes lidera o cenário estimulado com 52,3%, seguido por Janaina Riva, com 33,7%. José Medeiros (PL) aparece em terceiro, com 18,8%; Pedro Taques (PSB), em quarto, com 16,5%; e Carlos Fávaro (PSD), em quinto, com 14,6%.
Na sequência aparecem Coronel Darwin, com 4,7%; Professor Nelson Ferreira, com 4,1%; Galvan, com 4%; Margareth Buzetti, com 1,8%; e Beny Godoy, com 1,1%.
Cada eleitor poderá votar em dois candidatos ao Senado. Por isso, os entrevistados também podiam indicar até dois nomes, e a soma dos percentuais supera 100%. O levantamento não separa primeiro e segundo votos, mas mede a presença de cada candidato no conjunto das duas escolhas possíveis.
Mauro Mendes ocupa uma posição destacada. Além dos 52,3% no cenário estimulado, aparece com 15,8% na pesquisa espontânea. Janaina registra 33,7% na estimulada e 7,3% na espontânea. José Medeiros alcança 18,8% e Pedro Taques, 16,5%. Fávaro tem 14,6%.
A disputa pela segunda vaga, portanto, tem Janaina em vantagem, mas ainda não pode ser considerada encerrada. Medeiros, Taques e Fávaro formam um bloco que tentará reduzir a distância ao longo da campanha. O desafio dos três será convencer o eleitor a utilizar o segundo voto, evitando a escolha de apenas um nome.
Os 62,4% que não souberam indicar espontaneamente candidatos ao Senado confirmam que há um espaço considerável a ser disputado. Mauro Mendes e Janaina começam na frente, mas as escolhas para a segunda cadeira ainda estão menos cristalizadas do que os números estimulados podem sugerir.
A pesquisa registra uma fotografia favorável a Pivetta, mas não uma eleição definida. O governador lidera, dispõe de uma administração aprovada e apresenta rejeição inferior à de Wellington. O senador, entretanto, permanece dentro da margem de erro e mantém competitividade no segundo turno.
No Senado, Mauro Mendes ocupa a posição mais confortável. Janaina Riva inicia a campanha como principal candidata à segunda vaga, enquanto Medeiros, Taques e Fávaro disputam espaço para alterar essa configuração.
A campanha começa, assim, com duas situações diferentes: equilíbrio na corrida pelo Governo e uma hierarquia mais visível na eleição para o Senado. Em ambos os casos, o elevado número de eleitores sem escolha espontânea recomenda prudência. Pesquisa mede o momento; não antecipa o resultado das urnas.
NOTA DE TRANSPARÊNCIA
A matéria foi produzida a partir do relatório integral do Instituto Paraná Pesquisas fornecido ao Nossa República. Foram consideradas as tabelas gerais, os cruzamentos por segmentos, os índices de rejeição e a avaliação do Governo de Mato Grosso.
O levantamento ouviu presencialmente 1.504 eleitores em 56 municípios, entre 21 e 23 de agosto de 2026. A margem de erro estimada é de 2,6 pontos percentuais para os resultados gerais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pela Sedek Serviços, Tecnologia & Informação Ltda. e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número MT-02157/2026.
Os percentuais dos segmentos demográficos foram tratados como tendências, porque o relatório informa margem de erro apenas para a amostra geral. No levantamento para o Senado, cada entrevistado podia escolher até dois candidatos; por isso, os percentuais somados ultrapassam 100%.






