#PAPO COM ELA Segunda-feira, 04 de Maio de 2026, 10:43 - A | A

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ENTENDA LÓGICA

Por que repetimos padrões nos relacionamentos? Psicóloga explica como romper ciclos

Michely Figueiredo

A sensação de “viver sempre a mesma história” nos relacionamentos amorosos é mais comum do que parece. Trocam-se os parceiros, mas os conflitos, frustrações e até os desfechos se repetem. Para muitas pessoas, isso é interpretado como “dedo podre” ou falta de sorte no amor. No entanto, a explicação pode ser mais profunda. Segundo a psicóloga Rainara Lino, esse padrão de repetição está diretamente ligado a processos inconscientes e experiências vividas, principalmente na infância.

Repetição de padrões: o que está por trás do comportamento

A psicóloga explica que a repetição de padrões nos relacionamentos é um conceito amplamente estudado dentro da psicanálise. Trata-se de uma tentativa inconsciente de elaborar situações que não foram resolvidas no passado.

“Na maioria das vezes, a gente repete algo que já viveu. É uma forma de tentar lidar com situações antigas, especialmente da infância, quando ainda não tínhamos recursos emocionais suficientes para compreender ou enfrentar aquilo”.

Esse processo acontece de forma automática, sem que a pessoa perceba. Por isso, não se trata de coincidência ou acaso, mas de escolhas influenciadas por registros emocionais já existentes.

Identificar que se está repetindo um padrão não é simples. Mesmo quando há alguma consciência, interromper o ciclo exige mais do que decisão.

“Não basta dizer ‘eu vou parar’. É algo inconsciente que precisa ser elaborado. E isso geralmente acontece em um processo terapêutico, revisitando experiências e dando novo significado a elas”, afirma Rainara.

Ela destaca que os relacionamentos amorosos acabam sendo o principal espaço onde esses padrões aparecem, justamente porque envolvem vínculo, afeto e troca constante com o outro.

Relações abusivas e os impactos da repetição

Os efeitos desses padrões podem ser profundos e, em alguns casos, perigosos. A repetição pode levar, por exemplo, à entrada recorrente em relações abusivas. “Existem muitos prejuízos. Algumas pessoas acabam revivendo situações de violência ou relações desequilibradas. Isso gera traumas e impactos importantes na vida emocional”, alerta.

Um dos mecanismos mais comuns é a busca por suprir ausências da infância, como falta de atenção, segurança ou reconhecimento. No entanto, essa busca pode levar a escolhas que misturam características desejadas com comportamentos prejudiciais.

Outro ponto importante é que os padrões podem se transformar ao longo do tempo, sem necessariamente serem resolvidos. “Às vezes ocorre um deslocamento. A pessoa deixa de repetir um tipo de situação, mas passa a viver outra semelhante em estrutura emocional. Isso não significa que o problema foi resolvido, apenas mudou de forma”, explica a psicóloga.

De acordo com Rainara Lino, não há diferença significativa entre homens e mulheres nesse aspecto. “Não é uma questão de gênero. Todos nós temos uma história de vida e experiências que influenciam nossas escolhas. A repetição está ligada a isso”, afirma.

A influência da infância na vida adulta

A infância é considerada uma fase determinante para a formação emocional. É nesse período que se constroem as primeiras referências de afeto, vínculo e identidade. “As primeiras relações que temos na vida deixam marcas. Não apenas com pais, mas com outras figuras importantes, como professores, avós e cuidadores”, explica.

Essas experiências funcionam como base para a forma como a pessoa vai se relacionar no futuro. Apesar da preocupação de muitos pais, a especialista destaca que não é possível garantir uma infância sem traumas. “A vida envolve experiências boas e ruins. Não existe controle total. O mais importante é oferecer o melhor possível e, se necessário, buscar ajuda para lidar com essas questões”, orienta.

Romper padrões repetitivos exige um processo de autoconhecimento e, muitas vezes, acompanhamento psicológico. Segundo a psicóloga, é nesse processo que a pessoa consegue acessar conteúdos internos, incluindo o que se chama de “criança interior”, uma forma de compreender como experiências passadas ainda influenciam comportamentos atuais.

“A gente não deixa completamente de carregar a infância. Ela permanece na vida adulta, muitas vezes de forma sutil, inclusive em atitudes como o silêncio, a dificuldade de diálogo ou até manipulações emocionais”. 

Confira a entrevista na íntegra: 




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