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PLANEJAMENTO FAMILIAR

Mulheres passam a ter acesso ao Implanon na rede pública de saúde de Cuiabá 

Michely Figueiredo

Considerado um dos métodos contraceptivos mais eficazes de longa duração e reversível para planejamento familiar, o dispositivo subdérmico de etonogestrel, conhecido comercialmente como Implanon, passa a ser ofertado em 70 unidades de saúde de Cuiabá. Os contraceptivos são fornecidos pelo Ministério da Saúde, que anunciou a ampliação das opções de planejamento familiar na rede pública ainda em julho do ano passado. 

Ele atua no organismo por até três anos, sem necessidade de intervenções durante esse período. Após esse tempo, o implante deve ser retirado e, se houver interesse, um novo pode ser inserido imediatamente pelo próprio Sistema Único de Saúde (SUS). 

Entre os contraceptivos atualmente oferecidos no SUS, apenas o DIU de cobre é classificado como LARC — sigla em inglês para contraceptivos reversíveis de longa duração. Esses métodos são considerados mais eficazes no planejamento reprodutivo por não dependerem do uso contínuo ou correto por parte da usuária, como ocorre com os anticoncepcionais orais ou injetáveis. Os LARC são reversíveis e seguros. O Implanon possui 99% de eficácia, ou seja, isso se traduz na prática a menos de uma gravidez por 100 usuárias por ano. 

A secretária municipal de Saúde, Danielle Carmona, destacou que a iniciativa representa um avanço importante na política de atenção à saúde da mulher em Cuiabá. 

“Estamos ampliando o acesso das mulheres a um método contraceptivo moderno, altamente eficaz e de longa duração. Isso significa mais autonomia, mais planejamento e mais cuidado com a saúde reprodutiva. É um passo muito importante para fortalecer a atenção básica e garantir um atendimento cada vez mais completo para a nossa população”, afirmou.

A implantação em Cuiabá acontece depois da capacitação de 22 médicos da Atenção Primária à Saúde (APS), realizada entre os dias 20 e 22 de janeiro, em parceria com a empresa Organon, responsável pelo treinamento teórico-prático. Os profissionais foram habilitados para realizar a inserção do dispositivo de forma segura e padronizada, garantindo qualidade no atendimento às usuárias do SUS.

O público-alvo inclui mulheres em idade fértil que desejam contracepção de longa duração, mulheres que estão amamentando (geralmente a partir da sexta semana pós-parto) e mulheres que não podem fazer uso de métodos que contenham estrogênio.

Em uma experiência relatada pela prefeitura do Guarujá (SP), a utilização do Implanon esteve associada a uma redução de cerca de 40% nos registros de gravidez na adolescência ao longo de cinco anos após a introdução do método. O planejamento familiar melhora a partir da oferta de educação sexual junto aos métodos contraceptivos de fácil acesso. 

Para garantir segurança às pacientes, o procedimento segue protocolos rigorosos, incluindo a realização de exame de Beta-hCG antes da inserção do dispositivo, assegurando que não haja gestação em curso. Também foi estruturado um fluxo logístico para solicitação, controle e reposição dos insumos pelas unidades de saúde.

As mulheres que desejarem fazer a inserção do dispositivo devem procurar a unidade de saúde da família mais próxima de sua residência para iniciar o protocolo de atendimento e avaliação, conforme os critérios estabelecidos pela rede municipal de saúde.

A meta da Secretaria é expandir progressivamente a capacitação para toda a rede de Atenção Primária até o final de 2026, além de estender o serviço para a rede hospitalar materno-infantil e especializada.

Como funciona o Implanon 

Trata-se de um pequeno bastão flexível inserido sob a pele (geralmente no braço) que libera continuamente um hormônio chamado etonogestrel, impedindo a ovulação e, assim, reduzindo muito a chance de gravidez. 

A proteção contraceptiva dura até 3 anos, é altamente eficaz (99% de eficácia contraceptiva). A fertilidade retorna rapidamente após a remoção do implante e por ser um método de longa duração, não depende do uso diário ou da disciplina da usuária, o que aumenta a efetividade no mundo real. 

Vale ressaltar que o Implanon evita apenas a gravidez. O método mais eficaz contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) ainda é o uso de preservativo. 

Além de prevenir a gravidez não planejada, o acesso ao contraceptivo também contribui para a redução da mortalidade materna. 

Atualmente, o produto custa entre R$ 2 mil e R$ 4 mil. A decisão de incorporar o contraceptivo ao SUS foi apresentada em julho do ano passado, durante a reunião da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).

“Essa decisão chega como uma política pública para transformar vidas. É mais um método e representa um avanço nas ações de fortalecimento do planejamento sexual e reprodutivo no país, que deve ser ofertado a todas as pessoas pelo SUS”, afirma a secretária de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Ana Luiza Caldas.

O município de Várzea Grande passou a ofertar o Implanon ainda em dezembro de 2025 às usuárias da rede pública de saúde. No ano passado, a cidade recebeu 1.074 unidades do contraceptivo. 



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