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PARCERIA ESTRATÉGICA

China compra 33% das exportações de Mato Grosso e Sedec negocia ZPE e logística

Da Redação com Sedec

A visita do embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec), nesta quarta-feira (11), tem um significado que vai muito além do protocolo diplomático. O encontro com o secretário César Miranda ilumina uma realidade que organiza, financia e dita o ritmo da economia mato-grossense: a China não é apenas um grande cliente de Mato Grosso; é, de longe, o parceiro comercial que sustenta a balança do Estado.

Os números oficiais do governo federal provam o tamanho dessa dependência mútua. Em 2024, Mato Grosso exportou o equivalente a US$ 25,95 bilhões. Desse oceano de dinheiro, a China sozinha foi responsável por 33,8% de todas as compras — injetando mais de US$ 8,7 bilhões na economia estadual e mantendo-se, com folga, como o principal destino da produção local.

O peso chinês na relação, no entanto, é duplo. Se de um lado a China compra a riqueza bruta de Mato Grosso, de outro ela vende os meios para que essa riqueza continue sendo gerada.

Mato Grosso exporta para os chineses produtos primários em escala colossal: soja em grão, carne bovina (que bateu recorde de faturamento no último ano), milho, algodão e gergelim. Na via inversa, o fluxo das importações mato-grossenses vindas da China é dominado por itens estratégicos: fertilizantes, defensivos agrícolas, produtos químicos, máquinas pesadas e equipamentos industriais.

Em linguagem direta: a China compra o que sustenta a balança comercial de Mato Grosso e vende o insumo que o Estado usa para plantar e colher. Poucos parceiros no mundo possuem essa capilaridade.

Foi nesse cenário de gigantismo e interdependência que a Sedec colocou novas ambições sobre a mesa. A pauta do encontro tenta empurrar a relação para a próxima etapa. Um dos temas centrais foi a ampliação de rotas logísticas com destaque para o Porto de Chancay, no Peru, inaugurado com forte investimento chinês. O terminal é tratado como peça-chave de uma nova arquitetura para aproximar a América do Sul da Ásia.

César Miranda demonstrou otimismo com a conexão de Mato Grosso a esse novo corredor. A aposta é clara: embarcar a produção por um porto moderno e virado para o Pacífico significa reduzir custo de frete, encurtar o tempo de viagem e ganhar competitividade global. Para uma economia que depende umbilicalmente de exportação, logística não é detalhe; é sobrevivência.

Do lado chinês, Zhu Qingqiao manteve o tom da segurança institucional, lembrando que Brasil e China completam 50 anos de relações diplomáticas. No vocabulário asiático, previsibilidade diplomática é pré-requisito para o avanço de capital.

Outro ponto nevrálgico do encontro foi a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Mato Grosso. O movimento do governo estadual tenta alterar a velha lógica primária. A ideia é parar de vender apenas a commodity bruta e atrair empresas chinesas para que instalem unidades industriais dentro de Mato Grosso, processando a matéria-prima local antes do embarque.

Se o plano vingar, Mato Grosso passa a disputar valor agregado. Para a China, a estratégia pode significar presença ainda mais profunda em uma das regiões mais produtivas do planeta, garantindo segurança alimentar em um mundo geopoliticamente instável.

César Miranda aproveitou para colocar no radar asiático o potencial mineral mato-grossense, abrindo mais um flanco de atração de investimentos. O recado foi nítido: Mato Grosso não quer ser visto apenas como a maior fazenda do Brasil, mas também como um território aberto à mineração, à indústria de transformação e à infraestrutura pesada.

No fundo, a visita do embaixador à Sedec atesta o que os gráficos do comércio exterior já gritavam. A relação entre a potência asiática e o gigante do Centro-Oeste brasileiro deixou de ser apenas uma rodada anual de compras e vendas. Virou uma engrenagem estrutural. Em tempos de acirramento global por mercados, Mato Grosso sabe que seu futuro imediato passa, necessariamente, por Pequim.

As informações são da jornalista Yasmim Di Berti, da Sedec e os dados da Comex Stat / MDIC, ApexBrasil e OEC

 



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