NOTICIÁRIO Domingo, 02 de Agosto de 2026, 19:07 - A | A

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VIRADA NO JOGO

Acordo entre Janaina e PL fortalece palanque de Wellington e Bolsonaro

Michely Figueiredo

Reprodução

wf e janaina

A presidente estadual do MDB, deputada estadual Janaina Riva (2) anunciou neste domingo (2) a aliança firmada entre o MDB e o Partido Liberal (PL) para as eleições 2026 em Mato Grosso. Desta maneira, ela passa a ser o segundo nome ao Senado no grupo. A articulação era buscada pelo candidato ao governo Wellington Fagundes (PL), mas enfrentava resistência de uma ala do partido no estado, que tinha como um dos principais opositores o deputado federal José Medeiros, candidato ao Senado, e alguns prefeitos da legenda, como Abílio Brunini, Claudio Ferreira e Flávia Moretti. No entanto, a negativa do União Brasil em ter Jayme Campos candidato ao governo e a possível construção de mais uma chapa para disputar ao governo articulada por MDB e Podemos fez com que o PL revisse o posicionamento tomado. 

A aproximação entre Janaina e o PL ganha ainda mais peso diante do histórico de resistência dentro da própria legenda em Mato Grosso. Em fevereiro, Medeiros afirmou que não havia possibilidade de o PL dividir o mesmo palanque com o MDB e sustentou que uma eventual aliança poderia retirar dele a condição de candidato ao Senado. 

A resistência continuou nos meses seguintes. Em março, Medeiros declarou que não havia espaço para o MDB na composição majoritária da direita. Em maio, classificou a relação entre as duas siglas como de “incompatibilidade total” e afirmou que uma eventual aliança seria um “casamento de fachada”. 

O veto chegou à direção estadual do partido. Na convenção do PL, em 22 de julho, o presidente regional Ananias Filho confirmou que uma composição com o MDB estava descartada e apontou Medeiros como responsável pela restrição. 

A posição contrastava com a estratégia defendida por Wellington Fagundes, que já vinha admitindo a necessidade de ampliar o grupo. O próprio senador reconheceu, na convenção que homologou sua candidatura ao Governo, que havia resistência à presença de Janaina, mas afirmou que não tinha poder para impor sozinho uma decisão ao partido, uma vez que não era "imperador" na agremiação.

Janaina, por sua vez, sempre procurou diferenciar a resistência de Medeiros de uma decisão institucional do PL. A presidente estadual do MDB chegou a afirmar que não via incompatibilidade entre as duas siglas e atribuiu o veto a interesses individuais dentro do grupo bolsonarista. 

Agora, menos de duas semanas depois de o PL estadual declarar a aliança descartada, o PL nacional anuncia justamente o acordo com Janaina para o Senado.

O que estava oficialmente descartado pelo PL de Mato Grosso em 22 de julho foi anunciado pelo comando nacional da legenda como aliança em 2 de agosto.

Cotada para vice

Embora nunca tenha declarado ter aberto mão de disputar o Senado, Janaina vinha sendo apontada nas últimas semanas como uma das principais opções para compor a chapa de Pivetta. A articulação era atribuída ao empresário do agronegócio Eraí Maggi, que defendia a composição e chegou a trabalhar pela aproximação entre os dois grupos. Em fevereiro, a articulação foi noticiada como uma aposta de Eraí para colocar Janaina como vice, embora a composição dependesse de outros fatores, inclusive do aval do então governador Mauro Mendes (União Brasil). 

A possibilidade ganhou força depois que a homologação das candidaturas de Wellington Fagundes (PL) ao Governo e José Medeiros (PL) ao Senado deixou Janaina sem espaço na chapa majoritária do PL. Naquele momento, a deputada chegou a ser apontada como alternativa para a vice de Pivetta. 

Agora, porém, o cenário mudou novamente.

Janaina anunciou que o PL nacional fechou aliança com sua candidatura ao Senado. Segundo a deputada, o acordo foi firmado diretamente com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e contará ainda com a participação de Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro na campanha em Mato Grosso.

“Falei há pouco com o presidente Valdemar Costa Neto e acabamos de fechar uma aliança com o Partido Liberal. Gostaria de comunicar isso em primeira mão”, afirmou Janaina.

A confirmação ocorre depois de Wellington Fagundes anunciar que Janaina e José Medeiros estarão juntos na chapa ao Senado. O senador também afirmou que a composição foi aceita por Medeiros e por seu primeiro suplente, Odílio Balbinotti, além de ser respaldada pelo comando nacional do PL.

De vice de Pivetta a candidata do PL ao Senado

A mudança é significativa porque Janaina esteve, em diferentes momentos, nos dois lados do tabuleiro. Em março, a deputada havia descartado publicamente a possibilidade de ser vice de Pivetta.  Mas, nas semanas que antecederam as convenções, a hipótese voltou a ganhar força, com uma reunião entre Janaina e Pivetta sendo tratada como decisiva para definir o futuro político da parlamentar. 

A articulação atribuída a Eraí Maggi chegou a ser descrita como uma tentativa de consolidar uma chapa com Pivetta candidato ao Governo e Janaina vice. A engenharia elaborada aqui visava não somente favorecer Pivetta, que vem demonstrando o desejo de ter uma vice mulher, como também deixar o caminho mais fácil para outros dois nomes colocados ao Senado: Mauro Mendes e Carlos Fávaro (PSD). Ambos são as apostas de Maggi para as cadeiras em Brasília e sem Janaina no caminho, a corrida seria mais simples para os dois nomes. 

A aliança com o PL muda essa equação.

Ao receber o apoio formal do PL nacional, Janaina passa a integrar uma composição que inclui Wellington e Medeiros, projeto mais consolidado do que uma candidatura independente. Na prática, o movimento esvazia fortemente a possibilidade de ela ocupar a vice de Pivetta, porque agora sua candidatura ao Senado está vinculada a uma aliança que coloca o PL em um campo eleitoral diferente do projeto governista.

Fábio Garcia ganha espaço

Com Janaina fora desse caminho, Fábio Garcia (União Brasil) passa a ganhar força para a vaga. O nome de Garcia é defendido por Mauro Mendes. Nos bastidores a informação é que com Fábio fora da chapa de federal do União Brasil, Virginia Mendes amplia as chances de ser eleita. 

O deputado federal, que já era citado entre os nomes avaliados pelo grupo governista, admitiu neste sábado (1º) que pode abrir mão da candidatura à reeleição para disputar a vice de Pivetta. A declaração ocorreu justamente na esteira da convenção do União Brasil, que decidiu apoiar Pivetta e rejeitou a candidatura de Jayme Campos ao Governo por 30 votos a 19. 

O próprio presidente estadual do União Brasil, Mauro Mendes, afirmou que deve apresentar Garcia e Gisela Simona como opções do partido para a vice. A decisão, entretanto, ainda passa pelas negociações com os demais partidos que poderão integrar a aliança governista. 

Jayme e Wellington já haviam discutido apoio mútuo

A nova configuração também precisa ser lida à luz de uma articulação anterior entre Jayme Campos e Wellington Fagundes.

Em janeiro, os dois senadores já discutiam uma possível aliança para a eleição ao Governo. Jayme confirmou que Wellington havia procurado seu apoio e relatou uma proposta baseada no desempenho das pesquisas: o candidato mais bem posicionado receberia o apoio do outro. A composição ainda previa a possibilidade de a esposa do candidato que não encabeçasse a chapa ocupar a vice. 

Meses depois, em junho, Wellington confirmou que continuava conversando com Jayme sobre uma eventual aliança ainda no primeiro turno. 

A articulação, entretanto, perdeu força depois que o União Brasil realizou sua convenção em 30 de julho e rejeitou, por 30 votos a 19, a proposta de candidatura própria de Jayme ao Governo, optando pelo apoio a Pivetta.

A derrota de Jayme desencadeou uma nova rodada de negociações e deixou grupos que haviam se movimentado em torno de sua candidatura diante da necessidade de redefinir seus projetos. MDB e Podemos aguardavam o resultado da convenção para definir o caminho a ser tomado. 

O efeito dominó

É nesse ponto que as peças se conectam. A saída de Jayme da disputa pelo Governo não apenas fortaleceu Pivetta. Ela também mexeu nas possibilidades de composição de outros grupos. Isso porque MDB e Podemos cogitaram lançar Max Russi ao governo, com as bençãos de Jayme Campos, depois da derrota do projeto majoritário na convenção. 

Esse movimento que poderia levar a um novo nome na disputa ao Palácio Paiaguás fez o PL rever o veto ao MDB. Com isso Janaina, que vinha discutindo uma nova chapa com Max Russi, agora fecha com o PL para o Senado, projeto que sempre foi prioritário para a parlamentar. 

O próprio Wellington reconheceu que a saída de Jayme foi um dos fatores que levaram seu grupo a ampliar a composição. “Nós precisávamos somar, principalmente a partir do momento que o senador Jayme Campos não teve a oportunidade de ser candidato.”

O senador ainda afirmou contar com o apoio de Jayme e antecipou que pretende conversar com o Podemos, partido presidido por Max Russi.

 



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Redação: Av. Historiador Rubens de Mendonça, nº 2000, 12º andar, sala 1206, Centro Empresarial Cuiabá

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