NOTICIÁRIO Segunda-feira, 10 de Novembro de 2025, 08:12 - A | A

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CÚPULA DO CLIMA

Belém sedia a COP30 com foco em financiamento e o futuro da Amazônia

Da Redação com Pedro Rafael Vilela/ABr

A partir desta segunda-feira (10), a cidade de Belém, no Pará, torna-se o centro das discussões climáticas globais ao sediar a 30ª Conferência das Partes (COP30) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). O evento, que acontece até 21 de novembro, marca a primeira vez que a principal cúpula do clima é realizada na Amazônia brasileira. As informações são da Agência Brasil e de outros portais de notícias.

A capital paraense se prepara para receber mais de 50 mil visitantes, incluindo delegações de 194 países e da União Europeia, cientistas, representantes da sociedade civil e movimentos sociais. O objetivo central é recolocar a emergência climática como prioridade na agenda internacional.

As negociações durante o evento devem se concentrar em três pilares principais: a definição de uma nova meta de financiamento climático para apoiar os países em desenvolvimento, a implementação do Balanço Global (GST) acordado na COP28 e o avanço em metas de adaptação.

O financiamento é considerado o ponto mais crítico. A comunidade internacional precisa estabelecer uma Nova Meta Quantificada Coletiva (NCQG, na sigla em inglês) para substituir a promessa anterior, e não cumprida integralmente pelos países ricos, de mobilizar US$ 100 bilhões por ano. A expectativa é que o novo valor supere US$ 1 trilhão anuais.

"Os países ricos, há muito tempo, prometeram que iriam colocar dinheiro em cima da mesa", afirmou Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, à Agência Brasil. "Só que o dinheiro prometido para fazer essa transição nunca apareceu, na verdade. E isso gerou uma crise de confiança."

Para destravar esse gargalo, as presidências da COP29 (Baku, Azerbaijão) e da COP30 apresentaram o "Mapa do Caminho de Baku a Belém", um plano para viabilizar os recursos necessários e garantir que as nações cheguem ao Pará com propostas concretas.

O segundo pilar é a implementação do Balanço Global (GST), um diagnóstico apresentado na COP28, em Dubai, que revelou que o mundo não está no caminho certo para limitar o aquecimento a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. A COP30 será o momento para os países apresentarem novas e mais ambiciosas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que são seus planos nacionais de redução de emissões.

A adaptação às mudanças climáticas, que envolve a preparação de cidades e ecossistemas para eventos extremos, é o terceiro tema central. Espera-se que a conferência defina indicadores para medir o progresso dos países em se tornarem mais resilientes.

Anfitrião do evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido que a conferência seja decisiva. "A COP30 é a COP da verdade", declarou o presidente, que busca um consenso para acelerar a transição energética e o abandono dos combustíveis fósseis, responsáveis por 75% das emissões de gases de efeito estufa.

Como parte de sua agenda, o governo brasileiro lançou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que já conta com promessas de mais de US$ 5,5 bilhões para financiar a proteção de florestas em cerca de 70 países.

A sede do evento

Para receber a conferência, Belém passa por um grande projeto de requalificação urbana. O complexo que sediará o evento inclui o Hangar Centro de Convenções, onde ocorrerão as principais negociações (Zona Azul), e o Parque da Cidade, um espaço de 500 mil metros quadrados que está sendo construído no local do antigo Aeroclube de Belém. O Parque da Cidade abrigará a Zona Verde, uma área de acesso público para exposições, debates e eventos culturais.

Além da infraestrutura para a COP, o governo federal e o governo do Pará investem em obras de mobilidade urbana, saneamento básico, modernização do porto e hotelaria, visando deixar um legado para a população local.

A escolha da Amazônia como palco da conferência é simbólica e estratégica. "Clima não é conversa de ambientalista ou de diplomata. Clima tem a ver com o nosso dia a dia", ressalta Márcio Astrini, mencionando o impacto das mudanças climáticas nos preços dos alimentos e na conta de energia.

A sociedade civil terá uma participação recorde. O evento deverá receber a maior mobilização indígena da história das COPs, com mais de 3 mil participantes. Eles se juntarão a outros movimentos sociais na Cúpula dos Povos, um evento autônomo organizado na Universidade Federal do Pará (UFPA) para debater uma transição climática justa e popular.

"O que precisamos é que esses acordos firmados, de fato, sejam efetivados e cumpridos. E chamar quem de fato lida com a proteção territorial, a preservação e a conservação para a mesa de negociação. De igual para igual", afirma Dinamam Tuxá, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

Em sua carta final à comunidade internacional antes do evento, o presidente-designado da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, convocou os países para que Belém se torne "um ciclo de ação", transformando as negociações em implementação efetiva para enfrentar a crise climática.

Fontes da pesquisa: agenciabrasil.ebc.com.br, gov.br/cop30, g1.globo.com, cnnbrasil.com.br, unfccc.int



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