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ECONOMIA

Brasil repudia tarifaço de 25% de Trump e aciona Lei da Reciprocidade

Da Redação

luzitanija/ Adobe Stock

Tarifaço de TRUMP

 

O governo brasileiro divulgou nota oficial na quarta-feira (15) repudiando a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos vindos do Brasil, anunciada pelo presidente Donald Trump. A medida, que passa a valer em 22 de julho, é resultado de investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) contra práticas comerciais brasileiras.

"O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável", diz o texto, assinado pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência.

O Brasil anunciou que acionará a Lei de Reciprocidade e o mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). "Iniciaremos imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomaremos o tema no âmbito da OMC", afirma a nota.

As alegações americanas

O USTR concluiu, após um ano de investigação, que práticas brasileiras "oneram ou restringem o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses". Entre as medidas citadas estão:

Práticas de comércio digital e serviços de pagamento eletrônico

Tarifas preferenciais consideradas injustas

Interferência anticorrupção

Proteção da propriedade intelectual

Acesso ao mercado de etanol

Desmatamento ilegal

O governo brasileiro rejeita as alegações, especialmente as que envolvem o Pix e a política ambiental. "O Pix é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital. Não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas", rebate a nota.

Sobre o desmatamento, o governo afirma que "a partir de 2023, combatemos de forma incisiva os ilícitos ambientais e reduzimos drasticamente o desmatamento em todos os biomas brasileiros".

O que fica de fora

A lista de exceção inclui mais de 2 mil itens. Ficaram isentos da sobretaxa produtos como:

Café (verde, torrado e solúvel)

Suco de laranja

Carne bovina

Aeronaves e peças de aviação civil

Petróleo

Celulose

Minério de ferro e ferro-gusa

Juntos, esses itens representam cerca de um terço da pauta de exportações do Brasil para os EUA no primeiro semestre de 2026.

As entidades do setor cafeeiro — Abic, Abics e Cecafé — celebraram a exclusão. Em nota conjunta, destacaram que o café brasileiro exporta de US$ 2 bilhões a US$ 2,5 bilhões por ano aos EUA e que a decisão "reforça a força do Brasil como maior produtor e exportador global, parceiro insubstituível aos norte-americanos". Elas alertam, no entanto, para uma segunda investigação do USTR que pode impor tarifa adicional de 12,5% sobre o café.

Os setores atingidos

Por outro lado, setores importantes não conseguiram escapar da taxação:

Ferro e aço

Vestuário e calçados

Açúcar

Etanol

Produtos farmacêuticos

Maquinário agrícola

Máquinas elétricas (exceto aviação)

Produtos manufaturados em geral

As isenções, segundo o USTR, foram concedidas para produtos brasileiros que os EUA não produzem internamente em quantidade suficiente ou a preços razoáveis, evitando escassez e perturbações na economia americana.

A reação da indústria

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) lamentou "com profunda preocupação" a medida. "A decisão é especialmente prejudicial por se limitar de forma unilateral ao Brasil, o que reduz significativamente a competitividade do país perante concorrentes globais", afirmou a entidade, que prometeu seguir trabalhando com parceiros nos EUA para reverter ou mitigar as tarifas.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) reforçou a "importância do diálogo e da cooperação entre os países, especialmente em um momento em que se exige serenidade e responsabilidade nas relações comerciais internacionais".

O presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Ricardo Alban, foi direto: "Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro trimestre. Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira."

O que dizem os números

O governo brasileiro contra-ataca com estatísticas. Segundo a nota da Presidência, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil. Em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no Brasil sem pagar imposto de importação, e a alíquota média efetivamente aplicada sobre produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%.

O governo afirma ainda que, nas audiências públicas promovidas pelo USTR, houve 78 intervenções do setor privado dos dois países, das quais 63 foram contrárias ao tarifaço.

O cenário

O tarifaço de Trump sobre o Brasil ocorre em meio a um contexto global de guerra comercial. Desde o primeiro tarifaço em 2025, o Brasil vinha tentando construir uma relação pragmática com os EUA. Agora, com a sobretaxa de 25% e a ameaça de novas tarifas sobre o café, o horizonte das relações bilaterais — que o próprio governo brasileiro chamou de "marco lastimável" — se deteriora.

Caberá à Lei de Reciprocidade brasileira e à OMC os próximos movimentos. Enquanto isso, a indústria nacional se prepara para o impacto em 20 estados que já viram suas exportações para os EUA encolherem.

As informações são da Agência Brasil, da Presidência da República, da Fiesp, da Fiemg e da CNI.



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