A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (15) a Operação Fugazi, que investiga um grupo econômico suspeito de utilizar operações de crédito consignado e cartão de crédito consignado para fraudar servidores públicos, aposentados e pensionistas.
Policiais federais cumprem 13 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul, todos expedidos pela Justiça Federal em Mato Grosso. Além das buscas, a Justiça determinou o sequestro de bens móveis e imóveis e o bloqueio de valores e ativos financeiros dos investigados.
O esquema
Segundo a PF, as empresas do grupo ofereciam aos consumidores operações financeiras apresentadas como cartão de crédito consignado. Na prática, porém, os contratos funcionavam como empréstimos consignados com juros elevados, estruturados com mecanismos que dificultavam a quitação da dívida e provocavam aumento progressivo do saldo devedor.
O nome da operação — "Fugazi", gíria inglesa para "falso" ou "falsificado", popularizada pelo filme Fugazi (1997) e pelo universo do rock — faz referência à natureza do esquema: a maquiagem de um produto financeiro como sendo algo que não era.
A investigação apura, ainda, possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e indícios de lavagem de dinheiro, sem prejuízo de outros delitos que venham a ser identificados ao longo das apurações.
Contexto
O golpe do consignado maquiado como cartão de crédito é uma modalidade antiga, mas que tem se reinventado. Na versão clássica, o consumidor acredita estar contratando um cartão de crédito com desconto em folha — que permite parcelamento e tem juros mais baixos — mas, na verdade, assina um contrato de empréstimo consignado com juros elevados e taxas que tornam a dívida impagável.
No caso sob investigação, a PF busca agora reunir novos elementos probatórios, identificar o fluxo financeiro dos recursos movimentados pelo grupo e esclarecer a participação de cada um dos investigados. As medidas cautelares representam um avanço significativo na apuração, que pode revelar a extensão real dos prejuízos causados às vítimas.
A escolha de Mato Grosso como base da investigação — com ordens judiciais expedidas pela Justiça Federal no estado — decorre em razão de denúncias envolvendo como vítimas servidores públicos estaduais e municipais de Mato Grosso, categoria particularmente exposta a esse tipo de fraude.
O que vem pela frente
A Operação Fugazi é mais um capítulo na ofensiva da Polícia Federal contra fraudes no sistema de crédito consignado, que historicamente afeta os trabalhadores de baixa renda, aposentados e pensionistas — justamente aqueles que têm no desconto em folha a garantia de pagamento.
As investigações seguem em sigilo, mas novas fases não estão descartadas. A Justiça Federal em Mato Grosso continuará monitorando o caso até o esclarecimento completo dos fatos.
As informações são da Comunicação Social da Polícia Federal em Mato Grosso.






