As revelações da Polícia Federal sobre as relações entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, entraram na campanha eleitoral em Mato Grosso e provocaram manifestações de candidatos às duas vagas do Senado.
José Medeiros (PL) pediu a prisão de Moraes. Margareth Buzetti (PP) voltou a defender seu impeachment e cobrou posicionamento dos adversários. Carlos Fávaro (PSD) afirmou que o ministro precisa se explicar, renunciar ou enfrentar um processo no Senado. Janaina Riva (MDB) disse considerar a situação do ministro “insustentável”. Pedro Taques defendeu a investigação de Moraes e também do ministro Dias Toffoli.
As manifestações ocorrem depois da divulgação do relatório da PF produzido a partir do celular de Vorcaro. O documento registra encontros, mensagens e documentos envolvendo Moraes e o banqueiro, além da participação do ministro na análise de uma minuta do contrato entre o Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes.
Medeiros pede prisão de Moraes
José Medeiros apresentou a reação mais dura entre os candidatos.
O deputado comparou as mensagens envolvendo Moraes e Vorcaro ao episódio que levou à prisão do então senador Delcídio do Amaral, em 2015.
Delcídio foi preso por determinação do STF depois da divulgação de uma gravação na qual discutia iniciativas relacionadas à saída do país do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.
Medeiros dirigiu seu pedido ao ministro André Mendonça, responsável pelas investigações do caso Master no Supremo:
“O senhor precisa prender Alexandre de Moraes.”
O candidato acrescentou:
“Pau que bate em Chico tem que bater em Alexandre também.”
Buzetti cobra os adversários
Margareth Buzetti aproveitou as revelações para cobrar publicamente os demais candidatos ao Senado.
A candidata lembrou que assinou, em agosto de 2025, pedido de impeachment de Moraes.
“Paciência tem limite. Ninguém está acima da lei, nem mesmo um ministro do Supremo Tribunal Federal.”
Buzetti direcionou então a cobrança aos concorrentes:
“E os outros candidatos ao Senado de Mato Grosso? Vão se posicionar ou vão continuar em silêncio?”
A candidata afirmou que quem pretende ocupar uma cadeira no Senado deve informar ao eleitor sua posição sobre o episódio.
Fávaro admite impeachment
Carlos Fávaro também se manifestou depois da divulgação do relatório.
O senador cobrou explicações públicas de Moraes e afirmou que o ministro tem direito à defesa, mas a sociedade tem direito de conhecer os fatos.
“O ministro Alexandre de Moraes tem a obrigação de vir a público e explicar, com clareza, tudo o que aconteceu.”
Fávaro defendeu a renúncia caso não sejam apresentados esclarecimentos e afirmou que, sem explicação e sem renúncia, caberá ao Senado agir:
“O Senado Federal precisa estar pronto para cumprir o seu papel e abrir imediatamente o processo de impeachment.”
Janaina diz que situação é insustentável
Janaina Riva também defendeu uma reação do Senado.
A candidata afirmou que a Constituição atribui à Casa a responsabilidade de processar e julgar ministros do Supremo e que essa competência precisa ser exercida.
“É insustentável a situação do ministro Alexandre.”
Janaina acrescentou:
“O Senado precisa agir com firmeza.”
Taques defende investigação
Pedro Taques adotou uma posição centrada na abertura de investigação.
O ex-governador afirmou que já defendia a apuração das relações envolvendo Moraes e também citou Dias Toffoli.
“Ninguém está acima da lei. Quem deve ser supremo é o tribunal e não o ministro.”
Taques também mencionou o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes como um dos fatos que precisam ser investigados.
Até o fechamento desta edição, não havia sido localizada manifestação atual de Mauro Mendes especificamente sobre as novas revelações envolvendo Moraes e Vorcaro.
Nota de Transparência
As declarações de Carlos Fávaro, José Medeiros, Margareth Buzetti, Janaina Riva e Pedro Taques foram confrontadas em diferentes publicações e manifestações divulgadas nesta terça e quarta-feira. Até o fechamento desta matéria não havia manifestação pública do candidato Mauro Mendes.






