A campanha eleitoral de Mato Grosso entra nesta sexta-feira (28) em uma nova fase. Depois de quase duas semanas concentrada nas ruas, entrevistas, debates e redes sociais, os candidatos passam a ocupar também o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.
E a distribuição do tempo cria uma correlação de forças diferente daquela apresentada até agora pelas pesquisas.
Na disputa pelo Governo, Otaviano Pivetta (Republicanos) terá o maior espaço: 3 minutos, 14 segundos e 82 centésimos por bloco. Natasha Slhessarenko (PSD) ficará muito próxima, com 3 minutos, 1 segundo e 29 centésimos. Wellington Fagundes (PL) terá 2 minutos, 43 segundos e 90 centésimos.
Na prática, Pivetta terá aproximadamente 31 segundos a mais que Wellington em cada programa. A vantagem sobre Natasha será de apenas 13 segundos.
A distribuição foi definida no Plano de Mídia elaborado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT). O cálculo considera os critérios estabelecidos pela legislação eleitoral, especialmente a representação na Câmara dos Deputados dos partidos e federações que integram as coligações.
Três candidatos ficam fora dos blocos
A diferença é ainda maior quando considerados os demais concorrentes ao Palácio Paiaguás.
Mauricio Coelho (Mobiliza), Rafaell Milas (Missão) e Sargento Laudicério (Agir) não terão participação nos programas em rede por não atenderem aos critérios de representação partidária exigidos para acesso ao horário eleitoral.
Eles continuam podendo realizar campanha pelos demais meios permitidos pela legislação, inclusive internet e redes sociais.
A televisão, portanto, reforçará uma assimetria já existente na estrutura das campanhas: três candidaturas terão exposição sistemática nos programas em rede e três precisarão procurar outros caminhos para alcançar o eleitor.
Natasha abre o primeiro programa
O sorteio realizado pelo TRE-MT definiu também a ordem de apresentação no primeiro programa destinado à eleição para governador.
Natasha será a primeira a aparecer, seguida por Pivetta e Wellington.
Essa ordem não permanece fixa. A Justiça Eleitoral estabelece um sistema de alternância: quem aparece por último em determinado programa passa à primeira posição no seguinte.
O objetivo é impedir que uma candidatura seja permanentemente beneficiada ou prejudicada pela posição ocupada no bloco.
Segunda, quarta e sexta
A propaganda para governador será exibida às segundas, quartas e sextas-feiras, juntamente com as campanhas para senador e deputado estadual.
Em cada bloco de 25 minutos, serão destinados:
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9 minutos aos candidatos a governador;
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7 minutos à disputa pelo Senado;
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9 minutos aos candidatos a deputado estadual.
Às terças, quintas e sábados, o horário será dividido entre a eleição presidencial e a disputa para deputado federal, com 12 minutos e 30 segundos para cada cargo.
No rádio, os programas serão transmitidos em dois horários. Na televisão também haverá duas exibições diárias.
O TRE-MT informa os horários oficiais de referência como 7h e 12h no rádio e 13h e 20h30 na televisão. Como Mato Grosso está uma hora atrás do horário de Brasília, a veiculação local corresponde a 6h e 11h no rádio e 12h e 19h30 na televisão.
O horário eleitoral do primeiro turno segue até 1º de outubro.
Inserções podem valer tanto quanto o programa
A disputa não ficará limitada aos programas em bloco.
As emissoras deverão reservar 70 minutos por dia para inserções eleitorais de 30 ou 60 segundos, distribuídas durante a programação normal entre 5h e meia-noite.
São 14 minutos diários destinados a cada uma das cinco eleições: presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual.
É justamente nesse formato que poderá ocorrer parte importante da batalha pela atenção do eleitor. Diferentemente do programa tradicional, que exige que o cidadão permaneça diante da televisão durante o horário eleitoral, as inserções aparecem no meio da programação habitual das emissoras.
Na disputa pelo Governo, a distribuição prevista dá a Pivetta 353 inserções equivalentes a 30 segundos durante o período eleitoral. Natasha terá 329 e Wellington, 297.
A vantagem de Pivetta sobre Wellington chega, portanto, a 56 inserções.
Senado terá outra disputa pelo relógio
A eleição para as duas vagas de Mato Grosso no Senado possui uma particularidade: os tempos são distribuídos às coligações e compartilhados pelos candidatos vinculados a elas.
A coligação Mato Grosso Não Pode Parar, de Mauro Mendes (União Brasil) e Margareth Buzetti (PP), terá o maior espaço: 2 minutos, 26 segundos e 14 centésimos.
Carlos Fávaro (PSD) e Pedro Taques (PSB), da coligação Mato Grosso Para Todos, dividirão 2 minutos, 15 segundos e 76 centésimos.
José Medeiros (PL) e Janaína Riva (MDB), da coligação Coração da Gente, terão 2 minutos, 2 segundos e 42 centésimos.
Antônio Galvan (Avante) terá aproximadamente 15 segundos.
Beny Godoy e Professor Nelson Ferreira, do Agir, e Coronel Darwin, do Democrata, não terão participação nos programas em rede, conforme a distribuição divulgada pela Justiça Eleitoral.
No primeiro programa para o Senado, Mauro Mendes e Margareth Buzetti aparecem primeiro. A chapa formada por MDB e PL vem em seguida; Antônio Galvan será o terceiro; Fávaro e Taques fecharão o bloco. Nos programas seguintes haverá alternância.
O relógio não acompanha as pesquisas
A distribuição do horário eleitoral cria um componente político importante para a campanha ao Governo.
Wellington chega ao início da televisão aparecendo numericamente à frente em levantamentos recentes, mas terá o menor tempo entre os três candidatos com acesso aos programas em rede.
Pivetta, por sua vez, terá o maior espaço e a maior quantidade de inserções. Seu desafio será utilizar essa vantagem para transformar a exposição proporcionada pelo governo e pela estrutura de sua coligação em identidade eleitoral própria.
Natasha talvez tenha a equação mais interessante. Embora apareça atrás dos dois principais adversários nas pesquisas, terá apenas 13 segundos a menos que Pivetta por programa e 18 segundos a mais que Wellington. A televisão oferece à candidata uma oportunidade de aumentar conhecimento e tentar romper a bipolarização.
Tempo de televisão, entretanto, não equivale automaticamente a voto.
O horário eleitoral já teve peso muito maior nas campanhas brasileiras, antes da expansão da internet e das redes sociais. Ainda assim, rádio e televisão continuam oferecendo algo difícil de reproduzir integralmente no ambiente digital: exposição simultânea, gratuita e recorrente para milhões de eleitores, inclusive aqueles que acompanham pouco a campanha política.
É por isso que a sexta-feira representa mais do que o início de uma obrigação prevista no calendário eleitoral.
Começa uma segunda campanha: aquela em que os candidatos terão de transformar segundos de televisão em argumentos para conquistar o voto.
NOTA DE TRANSPARÊNCIA
Esta reportagem foi produzida a partir do Plano de Mídia e das informações oficiais divulgadas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso sobre o Horário Eleitoral Gratuito das Eleições 2026. Para detalhar os tempos individualizados e o número de inserções, foram confrontados dados divulgados a partir dos relatórios da Justiça Eleitoral por veículos de comunicação de Mato Grosso. As regras gerais foram conferidas no calendário e nas normas do Tribunal Superior Eleitoral. A análise sobre os efeitos políticos da distribuição do tempo é do Nossa República.






