A convenção do Republicanos homologou a candidatura do governador Otaviano Pivetta à reeleição e apresentou ao eleitorado o núcleo da chapa que tentará manter o atual grupo político no comando de Mato Grosso. O deputado federal Fábio Garcia foi confirmado como candidato a vice-governador, enquanto o ex-governador Mauro Mendes e Margareth Buzetti compõem a dobradinha da Federação União Progressista para as duas vagas ao Senado.
Realizado na noite desta terça-feira (4), no Ginásio Dom Aquino, em Cuiabá, o encontro fechou a parte principal da chapa, mas não encerrou a montagem do arco de alianças. O Podemos, presidido em Mato Grosso pelo deputado estadual Max Russi, adiou para esta quarta-feira (5) a decisão entre o apoio a Pivetta e a adesão à candidatura do senador Wellington Fagundes, do PL.
A convenção também foi marcada por um fato ocorrido fora do ginásio: poucas horas depois de Pivetta ser oficializado, o senador Jayme Campos compareceu à convenção do MDB, declarou apoio “incondicional e irrestrito” à candidatura de Janaína Riva ao Senado e confirmou que estará no mesmo palanque de Wellington Fagundes.
O resultado é a formação de dois campos que passam a se enfrentar de forma mais definida. De um lado, Pivetta, Fábio Garcia, Mauro Mendes e Margareth Buzetti. Do outro, Wellington Fagundes, Janaína Riva, José Medeiros e, agora, Jayme Campos — ainda que a posição formal do senador dentro do União Brasil permaneça por ser esclarecida.
A chapa da continuidade
A convenção cumpriu o objetivo de transformar o discurso da continuidade administrativa numa composição eleitoral. Pivetta não se apresentou apenas como candidato do Republicanos, mas como representante do projeto político iniciado por Mauro Mendes em 2019.
A escolha de Fábio Garcia para a vice-governadoria reforça essa estratégia. Filiado ao União Brasil, deputado federal licenciado e ex-chefe da Casa Civil, Garcia estabelece uma ligação direta entre o candidato do Republicanos e a estrutura política construída por Mendes.
Sua indicação foi anunciada na véspera da convenção, depois de Pivetta receber uma manifestação assinada por 122 prefeitos favoráveis ao nome do deputado. Na prática, a mobilização funcionou como uma demonstração de força municipal e como instrumento para afastar as demais alternativas discutidas para a vaga.
Fábio Garcia também resolve parte do problema criado pela decisão do União Brasil de apoiar uma candidatura de outro partido. Embora o cabeça da chapa seja do Republicanos, a vaga de vice devolve ao União Brasil uma posição de destaque na disputa pelo Palácio Paiaguás.
A composição, entretanto, tem consequências. Ao escolher Garcia, Pivetta retirou do Podemos a possibilidade de indicar o candidato a vice, espaço que vinha sendo negociado por Max Russi. O fechamento de uma parte da chapa abriu, portanto, uma nova frente de instabilidade.
Mauro e Buzetti ocupam o centro
A convenção também confirmou politicamente a aliança entre Mauro Mendes e Margareth Buzetti na disputa ao Senado. Os dois nomes já haviam sido apresentados pela Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, mas receberam no ato do Republicanos a chancela do grupo liderado por Pivetta.
A dobradinha ocupa as duas vagas ao Senado dentro da chapa governista e encerra, nesse campo político, a possibilidade de acomodação de Jayme Campos.
Mauro Mendes é o principal articulador da candidatura de Pivetta e o responsável pela decisão do União Brasil de abrir mão de uma candidatura própria ao Governo. Margareth Buzetti, por sua vez, representa o PP e preserva o equilíbrio interno da federação.
A presença dos dois no palanque deixa claro que a candidatura de Pivetta não é um projeto isolado do Republicanos. Trata-se de uma aliança construída sobre três partidos centrais: Republicanos, União Brasil e PP, além do apoio da Federação PSDB/Cidadania e de outras legendas incorporadas ao grupo.
Antônio Galvan permanece no arco político de Pivetta, mas sem integrar a chapa oficial ao Senado. Sua permanência amplia o campo de apoio ao governador, embora crie uma situação eleitoral particular: Galvan disputará votos com Mauro e Buzetti, os candidatos prioritários do grupo.
Podemos mantém a porta entreaberta
A ausência de uma definição do Podemos impediu que a convenção entregasse a imagem de unidade completa pretendida pelo grupo governista.
Durante a convenção de seu partido, Max Russi descartou o lançamento de uma candidatura própria ao Governo e afirmou que apoiará o projeto que “valorizar o Podemos”. A direção partidária adiou a decisão entre Pivetta e Wellington.
O PL oferece ao Podemos a vaga de vice-governador. O grupo de Pivetta, depois de entregar essa posição a Fábio Garcia, apresentou como alternativas a segunda suplência na candidatura de Mauro Mendes ao Senado e apoio à recondução de Max à presidência da Assembleia Legislativa.
As propostas têm pesos diferentes. A vice-governadoria representa participação imediata na chapa majoritária. A suplência e o apoio à presidência da Assembleia dependem de outros resultados eleitorais e de decisões futuras.
Mauro Mendes reconheceu, durante a convenção do Republicanos, que a movimentação do Podemos produziu “constrangimentos”. Segundo ele, porém, o partido ainda tem espaço na aliança e as negociações podem prosseguir até o encerramento do prazo legal.
A declaração revela o esforço para evitar que o desconforto se transforme em rompimento. O Podemos possui deputados, candidatos competitivos e uma estrutura proporcional relevante. Sua decisão poderá afetar o tempo de campanha, a mobilização regional e a formação das chapas para a Assembleia Legislativa e a Câmara Federal.
Pivetta também evitou fechar a porta. Disse que o nome de Fábio Garcia “soma mais pontos” à chapa e afirmou que continuará buscando o apoio de Max Russi.
Jayme atravessa a rua
Se o diálogo com o Podemos permanece aberto, a relação com Jayme Campos passou a outro estágio.
Derrotado na convenção do União Brasil por 30 votos a 19 — houve ainda um voto nulo —, Jayme perdeu a disputa interna pela candidatura ao Governo. A maioria dos convencionais decidiu apoiar Pivetta, conforme defendia Mauro Mendes.
Na noite da convenção do Republicanos, Jayme compareceu ao encontro do MDB para manifestar apoio a Janaína Riva. Questionado se havia conversado com Wellington Fagundes e se os dois estariam no mesmo palanque, respondeu: “Já conversamos, estaremos juntos”.
A declaração produz uma ruptura política objetiva, ainda que a situação partidária do senador não esteja formalmente resolvida. Jayme continua filiado ao União Brasil, partido que integra a chapa de Pivetta e apresenta Mauro Mendes ao Senado.
Sua adesão a Wellington e Janaína representa, assim, uma reação à derrota interna e amplia as dificuldades de recomposição do União Brasil. Também oferece ao palanque adversário uma liderança com trajetória eleitoral, presença municipal e influência especialmente em Várzea Grande e na Baixada Cuiabana.
Pivetta evitou responder com ataques. Ao comentar a decisão, disse apenas que “cada um escolhe quem quer”. A frase preserva o tom institucional, mas reconhece que Jayme já fez sua escolha.
Uma convenção de consolidação, não de unidade
A convenção do Republicanos consolidou a chapa mais estruturada até este momento da disputa estadual. Pivetta chega à campanha com o apoio formal da Federação União Progressista, com um vice escolhido, dois candidatos ao Senado e o suporte direto de Mauro Mendes.
Isso não significa, entretanto, que o grupo tenha alcançado unidade.
O União Brasil saiu de sua convenção dividido. Jayme Campos transferiu sua força política para o campo adversário. O Podemos mantém abertas as negociações com Wellington. E Antônio Galvan continuará concorrendo ao Senado dentro do mesmo arco que já escolheu Mauro e Buzetti como candidatos prioritários.
Pivetta obteve uma vitória importante ao fechar a chapa e apresentar uma base formada por partidos, prefeitos e lideranças estaduais. Mas a mesma operação que consolidou sua candidatura produziu perdas e deslocamentos.
Fábio Garcia fortalece a ligação com Mauro Mendes, mas ocupa o espaço pretendido pelo Podemos. Buzetti assegura a representação do PP, mas elimina qualquer possibilidade de acomodar Jayme ao Senado. A vitória de Mauro dentro do União Brasil garantiu o apoio da federação a Pivetta, mas empurrou o senador derrotado para o palanque de Wellington.
A convenção, portanto, não encerrou o processo de formação das alianças. Ela definiu o centro da disputa e tornou mais visíveis as suas contradições.
A partir de agora, Pivetta terá de transformar a força administrativa e partidária em unidade eleitoral. Wellington, por sua vez, tentará converter os descontentamentos acumulados no campo governista numa coligação competitiva.
A decisão do Podemos mostrará qual dos dois conseguiu aproveitar melhor as últimas horas da temporada de convenções.
Nota de Transparência
Esta matéria foi produzida a partir do acompanhamento da convenção estadual do Republicanos, de declarações públicas concedidas por Otaviano Pivetta, Mauro Mendes, Max Russi e Jayme Campos e de informações divulgadas por veículos de comunicação de Mato Grosso.
A parte analítica identifica as consequências políticas das decisões anunciadas e foi separada dos fatos formalmente confirmados. As listas completas de candidatos proporcionais e as composições definitivas das coligações deverão ser confrontadas com as atas partidárias e os pedidos de registro apresentados à Justiça Eleitoral.
O texto foi estruturado segundo os princípios do Sistema Editorial Inteligente do Nossa República (SEI-NR), com supervisão editorial humana, rastreabilidade das informações, distinção entre notícia e análise e transparência sobre pontos ainda sujeitos a definição.






