NOTICIÁRIO Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2026, 08:23 - A | A

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ELEIÇÕES 2026

Edna Sampaio lança pré-candidatura ao Senado pelo PT

Da Redação

Edna Sampaio, ex-vereadora de Cuiabá e suplente de deputada estadual, anunciou sua pré-candidatura ao Senado pelo PT, enfatizando a importância de disputar as duas vagas disponíveis neste ano. "Esta minha posição não é nenhuma novidade. Quando eu entrei para a política em 2018, eu entrei exatamente para uma disputa eleitoral, discutindo a importância que o PT tem na frente, ocupando espaço de discussão e disputa eleitoral aqui no estado de Mato Grosso, que é um estado notadamente conservador", disse ela. A decisão surge em um contexto nacional perigoso, onde eleger maioria no Congresso Nacional é essencial para a continuidade da democracia. "Em nenhum estado do Brasil, onde há necessidade do PT se apresentar, ele deve recuar. Ele deve se apresentar para fazer o debate eleitoral", afirmou.

A pré-candidata explicou o processo interno no partido, que começa com a entrega de uma carta à direção do PT manifestando disponibilidade. "Primeiro, o PT tem que entender que vale a pena levar o nome, o meu nome, para a federação. E na federação, que é composta pelo PCdoB, pelo PV e o PT, eles vão deliberar se meu nome atende ou não os requisitos que eles querem para a disputa da segunda vaga do Senado", detalhou. Ela criticou a tendência do PT de recuar em disputas majoritárias, argumentando que isso dispersa o voto progressista. "Então, nós não temos uma vaga só, não é renovação de um terço do Senado, é renovação da maioria. Então, nós vamos ter duas vagas, nada impede, pelo contrário, a gente precisa de candidaturas alinhadas ao voto do presidente Lula aqui no estado de Mato Grosso".

Sobre a composição da chapa, Sampaio esclareceu que sua candidatura não se opõe à reeleição do senador Carlos Fávaro (PSD), mas fortalece a federação PT-PCdoB-PV. "Não é uma candidatura que eu coloco em oposição ao senador Carlos Fávaro. Ao contrário, é uma candidatura do Partido dos Trabalhadores que eu estou aqui me disponibilizando para construção e fortalecimento da nossa chapa nacional", disse. Ela respeita Pedro Taques, ex-governador que se apresenta como candidato do campo lulista, mas defende a necessidade de o PT ter seu próprio nome majoritário. "Pedro Taques nunca fez campanha para o PT, para o presidente Lula. E eu fico feliz que ele vem agora e que tenha evoluído, amadurecido para esse momento tão grave do nosso país, ele se apresentar como candidato do campo lulista".

A pré-candidata destacou a importância da representação feminina, citando discussões internas no PT. "A presidente Rosa Neide defendia a possibilidade de composição com Pedro Taques para ser o segundo nome ao Senado, tendo Carlos Fávaro como primeiro candidato, e Lúdio aqui falava: 'Eu defendo que seja uma mulher para que tenha representatividade, é chegado esse momento, a gente precisa garantir esse espaço'", lembrou. Ela vê sua candidatura como forma de pacificar a frente e garantir governabilidade. "Eu espero que sim, eu espero que seja, porque esse tempo todo eu não...", disse ela, antes de o jornalista intervir para lembrar que "o Lúdio tinha também ventilado o nome de uma vereadora lá de Sinop, a Professora Graciele". Sampaio confirmou: "Sim, o Lúdio, como qualquer outra pessoa dentro do PT, tem todo o direito de apresentar nomes e de se colocar nessa disputa. Mas o nome não foi colocado efetivamente. E nós precisamos avançar".

Sampaio contextualizou o cenário político, alertando para os riscos de um Congresso conservador. "Aqui nós temos uma bancada de oito parlamentares e apenas um votou com o presidente Lula ao longo desse período. Então, nós não podemos pensar que o presidente Lula possa ser reeleito pelo quarto mandato e, ao mesmo tempo, nós não façamos nenhum esforço de garantir a ele mais estabilidade para governar", afirmou. Ela comparou a situação atual a um golpe continuado desde 2016, citando episódios como a caminhada do Nikolas Ferreira como tentativa de naturalizar a violência política. "Olha o que aconteceu agora, a caminhada do Nikolas Ferreira, e a gente tem vários momentos da história, que o próprio movimento fascista, na Itália, na Alemanha, nos lugares onde aconteceu, também é marcado por caminhadas dessa natureza".

A pré-candidata defendeu a unidade democrática contra a extrema-direita, mesmo com diferenças ideológicas. "Temos diferença? Temos, muitas diferenças. O Fávaro é um candidato que está no espectro da direita, no estado de Mato Grosso. Eu sou uma pré-candidata que estou no espectro da esquerda. Porém, tanto o Fávaro quanto eu, somos defensoras da democracia. Então, há uma unidade, há um elemento que nos une nesse momento", disse. Ela enfatizou que a luta atual é pela manutenção da democracia, não apenas esquerda versus direita. "A luta que nós temos aqui é uma luta pela manutenção da nossa democracia, entre os que querem destruir a democracia – essa é a luta – e os que querem fortalecer, manter o regime democrático".

Sobre sua experiência passada, Sampaio abordou a cassação de seu mandato de vereadora em 2020, reconhecida como nula pela Justiça. "Para mim, não, porque o que eu sofri, todo mundo sabe, é uma violência política de gênero", afirmou. Ela descreveu o processo como irregular, liderado por pessoas envolvidas em denúncias de propina e compra de votos. "Eu estou sendo acusada por uma Câmara cujo presidente foi afastado por conta de um processo judicial, cento e oitenta dias, um processo judicial que investigava a cobrança de propina a uma empresa que prestava serviço para a prefeitura". A pré-candidata disse não ter sido condenada e defendeu que o episódio reforça a necessidade de debate sobre violência contra mulheres. "Então, se vão fazer isso, eu estou muito tranquila. Só prova o caráter misógino, racista que nós temos na nossa sociedade e prova mais ainda a necessidade do debate sobre as mulheres ser o centro do debate dessas eleições".

Ela criticou a naturalização da violência contra mulheres em Mato Grosso, estado com altos índices de feminicídio. "Que sociedade é essa que nós temos, que naturaliza a violência contra a mulher? Que sociedade é essa que nós temos, que publica ainda num jornal, ou nos veículos de comunicação, me acusando de rachadinha?", questionou. Sampaio afirmou que o episódio foi anulado pela Justiça e que não aceita ser desclassificada por perseguição política. "Eu não fui condenada por nada. Fui submetida a um tribunal de exceção na Câmara Municipal de Cuiabá".

Se eleita, Sampaio priorizaria pautas alinhadas ao governo Lula, com foco em desigualdade, questões femininas e desenvolvimento sustentável. "Primeiro, uma senadora do PT é uma senadora que sustenta um governo do PT. As pautas são as pautas que o governo traz para minimizar ou enfrentar a questão da desigualdade", disse. Ela destacou a defesa da soberania nacional, inclusão social e políticas para mulheres. "Para mim, o mandato de senadora nacional, junto ao governo Lula, é um mandato que vai dialogar principalmente sobre a questão das mulheres. Não é uma questão privada, não é uma questão passional, é uma questão de Estado".

A pré-candidata também abordou o modelo de desenvolvimento de Mato Grosso, defendendo agricultura sustentável. "A questão do modelo de desenvolvimento que nós temos aqui no Mato Grosso, nós não podemos naturalizar que nós sejamos ainda a fronteira agrícola do Brasil, quando nós estamos no século vinte e um e a gente pode desenvolver a agricultura respeitando o ambiente, respeitando as pessoas que vivem aqui", afirmou. Ela enfatizou a necessidade de diálogo com o povo trabalhador e alinhamento eleitoral para fortalecer a democracia. "Essa eleição nós precisamos fazer com que o voto seja um voto alinhado. Então, o voto alinhado no campo progressista, o PT tem muita possibilidade de fazer".

As informações são da entrevista concedida pela pré-candidata ao Senado, Edna Sampaio (PT) aos jornalistas Antero Paes de Barros e Michely Figueiredo, no Jornal da Cultura (Rádio Cultura 90.7).



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