NOTICIÁRIO Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2026, 16:41 - A | A

Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2026, 16h:41 - A | A

ANÁLISE POLÍTICA

Eleições 2026: os riscos do radicalismo e a crise dos partidos no Brasil 

Da Redação

O Brasil inicia o ciclo rumo a 2026 mergulhado em desafios estruturais que vão além da simples escolha de nomes nas urnas. O cenário aponta para uma disputa eleitoral que, embora mobilize paixões, exige uma reflexão profunda sobre como superar o radicalismo e a divisão ideológica que fragmentou o país nos últimos anos.Nesta edição especial do programa Nossa República, o jornalista Mauro Camargo recebeu a cientista política e professora Cristiane Fonseca e o analista político Vinícius Carvalho. O debate focou nas perspectivas para o próximo pleito, o impacto do ambiente digital e a influência religiosa no Estado laico.

Riscos e oportunidades no horizonte democrático

Para o analista político Vinícius Carvalho, o principal risco de 2026 é o acirramento que pode deteriorar o processo democrático. Ele destaca a possibilidade de uma nova onda de não aceitação de resultados eleitorais, semelhante ao que ocorreu em 2022.

“A luta política se dá também no plano dos conceitos. Precisamos de clareza conceitual para intervir na realidade”, afirma Carvalho. Segundo ele, o risco de instabilidade ainda existe, especialmente se a diferença entre os candidatos for estreita, em torno de 5%.

Por outro lado, Carvalho vê na crise uma oportunidade para ampliar a democracia. A saída para os problemas institucionais, segundo ele, não deve ser o autoritarismo, mas sim o fortalecimento das regras democráticas e a apresentação de soluções transparentes para a sociedade.O descrédito nas instituições e o "complexo de herói"

A professora Cristiane Fonseca alerta para a desconstrução constante das instituições, especialmente do Poder Judiciário e da Justiça Eleitoral. Para ela, quando se desconstrói o árbitro do jogo, cria-se uma vacina de descrédito que deslegitima qualquer resultado desfavorável.

“As críticas são importantes, o problema é descredibilizar as instituições no tom de senso comum apenas quando elas não atendem à perspectiva de uma torcida”, pontua a cientista política. Ela também critica a tendência do eleitor brasileiro de buscar "salvadores da pátria".A aposta em figuras messiânicas — os chamados "Sassabutemas" ou "caçadores de marajás" — fragiliza a construção de políticas públicas sérias. Para Fonseca, o Brasil precisa parar de eleger projetos personalistas e focar em programas de governo estruturados.

O cansaço da polarização e a busca por estabilidade

Apesar dos riscos, há sinais de que a sociedade brasileira clama por pacificação. Pesquisas recentes indicam que cerca de 32% do eleitorado se define como independente, não se alinhando nem ao lulismo nem ao bolsonarismo.

Esse contingente, somado aos chamados "invisíveis" ou desengajados, pode representar mais de 50% dos votantes. Esse movimento indica um cansaço com o radicalismo extremo, forçando políticos a ajustarem suas bússolas em busca de um caminho de meio-termo.

No entanto, Vinícius Carvalho pondera que o "centro" no Brasil carece de uma agenda clara. O chamado Centrão é frequentemente associado ao fisiologismo e ao pragmatismo eleitoral, aderindo a qualquer governo em troca de manutenção de interesses específicos.

A crise de identidade dos partidos políticos

A fragilidade das siglas partidárias é outro ponto central do debate. O MDB, que já foi o símbolo da redemocratização, e o PSDB, que representava a social-democracia, hoje enfrentam crises de identidade e desidratação severa.Pragmatismo: Partidos funcionam mais como "cartórios" para abrigar candidatos do que como instituições ideológicas.

Cláusula de Barreira: As reformas eleitorais estão enxugando o número de siglas, o que pode, a longo prazo, trazer mais clareza às diferenças programáticas.

Oligarquização: As legendas ainda são controladas por elites fechadas, o que gera um déficit de legitimidade perante o povo.

O impacto do "partido digital" e dos algoritmos

A política moderna não se faz mais apenas em diretórios, mas nas redes sociais. Vinícius Carvalho cita o conceito de "partido digital", onde a metodologia de trabalho é focada no engajamento direto e na mobilização via algoritmos.

Cristiane Fonseca reforça que as redes sociais não são ambientes totalmente democratizados. "O algoritmo trabalha com engajamento, e o que mais engaja é o ódio, o medo e a violência", explica. Isso cria bolhas onde a informação é segmentada e a verdade se torna secundária.

Nesse contexto, o jornalismo profissional assume um papel vital. Diferente das redes, o jornalismo tradicional possui regras éticas, responsabilidade jurídica e o compromisso com a checagem dos fatos, sendo um pilar essencial para a manutenção da verdade factual.

Reformas necessárias para a reconstrução da confiança

Para os especialistas, a reconstrução da confiança institucional passa por mudanças profundas nas lideranças e na educação democrática da população. É preciso que os políticos respeitem os resultados das urnas, independentemente da vitória ou derrota.

Vinícius Carvalho defende a democratização interna dos partidos como condição para o acesso ao fundo partidário. Ele sugere a renovação das estruturas de comando e a implementação de cotas reais de vagas para mulheres e minorias, e não apenas cotas de candidatura.

A educação midiática também é urgente para que o cidadão consiga identificar desinformações e teorias conspiratórias. Sem critérios de verdade, a sociedade corre o risco de retroceder a visões distorcidas que ignoram a ciência e o progresso institucional.

Em 1 minuto

O cenário para 2026 aponta riscos de nova contestação de resultados eleitorais e acirramento da polarização.

Especialistas alertam para a crise de credibilidade do Judiciário e a busca ineficaz por "heróis" políticos.

Há um cansaço visível na sociedade, com mais de 30% do eleitorado buscando alternativas fora dos extremos.

Os partidos políticos enfrentam crise de identidade, funcionando muitas vezes como empresas financiadas por dinheiro público.

A regulação das redes sociais e a educação midiática são vistas como essenciais para proteger a democracia de algoritmos de ódio.

As informações são da redação do Nossa República.

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