O governo de Mato Grosso instituiu, por meio de resoluções publicadas no Diário Oficial, um grupo de trabalho para desenvolver protocolos de comunicação em casos de feminicídio, com o objetivo de evitar o chamado efeito copycat, que é a replicação de crimes violentos após a divulgação midiática detalhada do modus operandi do agressor.
A medida integra o programa Mato Grosso em Defesa das Mulheres, lançado em abril pelo Estado em parceria com o Poder Judiciário, a Assembleia Legislativa, o Tribunal de Contas, a OAB, a Defensoria Pública e o Ministério Público. O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) no Palácio Paiaguás, na última sexta-feira (17).
"Compreendemos que a imprensa é um importante instrumento de transformação social", afirmou a delegada Mariell Antonini, que lidera o programa. Ela explicou que o grupo de trabalho se inspirou em experiência do Distrito Federal, que elaborou um guia orientativo para a imprensa local sobre como comunicar casos de feminicídio sem estimular a replicação.
A delegada citou como exemplo o caso de repercussão nacional do homem que agrediu a mulher dentro do elevador. "Esse caso teve repercussão, foi replicado em vários outros estados. Quando focamos na responsabilização criminal, o efeito é inverso: tende a diminuir o número de feminicídios", disse.
Além do protocolo de comunicação, o grupo de trabalho também desenvolverá políticas específicas para mulheres indígenas e para a segurança de mulheres no transporte intermunicipal. Serão dois eixos de atuação: um interno, voltado à forma como a segurança pública presta informações sem expor a vítima ou detalhar ações criminosas; e outro externo, de diálogo direto com a imprensa.
A defesa pessoal de Pivetta
Provocado sobre se está preparado para sofrer ataques na campanha, especialmente sobre o episódio envolvendo a Lei Maria da Penha, do qual foi investigado, Pivetta respondeu sem hesitar.
"Eu já sofro há muito tempo. Estou preparado. Sobre o episódio da Lei Maria da Penha, fui inocentado em Santa Catarina e fui inocentado aqui. Nunca me referi a esse assunto por respeito e amor às crianças que participavam dessa vida conjugal, a quem dediquei o melhor de mim. O oportunismo há, a covardia também há. Estou preparado pra isso."
Questionado se teme que a ex-mulher, que chegou a se colocar como pré-candidata a deputada federal, seja usada contra ele no período eleitoral, disse: "Não posso falar por ela. Espero que não. Tenho muita boa fé. Não é agradável, mas me proponho. Quero ser um homem público, tenho que ter condições e não me aborrecer com as conversas que vêm a meu respeito".
Segurança em números
Pivetta apresentou dados do programa de segurança: redução de 10% nos homicídios em relação ao ano passado e de 7% nos feminicídios. A projeção, segundo ele, é fechar o ano com cerca de 15 homicídios por 100 mil habitantes, quase metade do índice registrado em 2019, quando a atual gestão assumiu o Palácio Paiaguás.
Ele atribuiu os resultados a investimentos contínuos em nomeações de policiais, equipamentos e celeridade nas investigações. "Não começamos a trabalhar agora. Tem muito pra fazer e estamos fazendo. Vamos colocar Mato Grosso no lugar certo."
O governador também anunciou a recriação da coordenadoria de defesa dos agentes de segurança pública, liderada pelo ex-secretário de Segurança Alexandre Bustamante. "Muitos policiais, no exercício da sua obrigação, agindo de boa fé, acabam tendo problemas. O Estado vai acolher todos os agentes da lei que precisarem de defesa jurídica. A nossa polícia não pode ter medo de fazer o seu trabalho".






