Reportagem divulgada ontem pelo Fantástico, da Rede Globo, revela dados de investigação da Polícia Federal sobre a origem das queimadas que já consumiram 20% da vegetação do Pantanal e provocaram a morte de centenas de animais.
A partir de imagens de satélite a PF identificou os primeiros focos de incêndio numa fazenda na divisa entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, no coração do Pantanal. De acordo com a reportagem, imagens de satélite da Nasa revelam que no dia 30 de julho apareceu o primeiro foco de incêndio nessa fazenda. E, no dia seguinte, outras fazendas vizinhas registravam focos de incêndio.
A PF comparou as imagens de satélite da Nasa com imagens do banco de dados so Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – Inpe e a conclusão foi de que os incêndios no Pantanal começaram mesmo dentro de quatro fazendas com o uso indevido do fogo para a limpeza das pastagens.
Segundo análise da PF, o fogo ultrapassou o limite dessas fazendas e atingiu cerca de 33 mil hectares, incluindo áreas de preservação permanente. Para os investigadores, os incêndios que já consumiram quase 3 milhões de hectares no Pantanal tiveram início pela ação no homem na prática de atear fogo na pastagem para renovar o pasto, que brota forte com a primeira chuva.
Fazendeiros do Pantanal defendem a técnica como forma de eliminação de massa e apontam a proibição da limpeza de pastagens como responsável pelo volume de fogo no Pantanal este ano.
A reportagem do Fantástico mostrou que uma das fazendas alvo da investigação da PF é de propriedade do pecuarista Ivanildo Miranda, delator de grave escândalo de corrupção no Mato Grosso do Sul envolvendo políticos e empresários.
Confirmadas as suspeitas da Polícia Federal, os responsáveis pelos incêndios criminosos podem pegar até 15 anos de prisão por danos ao Pantanal.




