NOTICIÁRIO Terça-feira, 27 de Janeiro de 2026, 09:55 - A | A

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Jayme Campos critica governo, cobra isonomia no Fetab, expõe disputa i

Jayme Campos critica governo, questiona Fethab e reforça pré-candidatura em MT

Mauro Camargo

O senador Jayme Campos (União Brasil) rompeu a neutralidade que predominava no bloco governista e colocou em público uma série de divergências acumuladas. Foi uma fala direta, com acusações duras, críticas ao governo Mauro Mendes, questionamentos ao agronegócio e recados explícitos ao próprio partido. O senador, pré-candidato ao governo de Mato Grosso, expôs com clareza a disputa interna que se intensifica às vésperas do processo eleitoral.

O ponto de partida foi a manchete publicada pelo jornal A Gazeta, segundo a qual Jayme teria acusado o ex-governador Blairo Maggi de dever cerca de R$ 2 bilhões em Fethab, o Fundo Estadual de Transporte e Habitação. O senador confirmou a informação e afirmou que recebeu do próprio governador Mauro Mendes a confirmação de que Blairo não paga o tributo por força de liminar. Para Jayme, a questão é menos individual e mais estrutural: “É injusto que 99% dos produtores paguem e uma pequena casta não pague. Mato Grosso não é um fazendão onde meia dúzia impõe regras”, disse.

Sem apresentar outros nomes, o senador alegou ter informações internas sobre quem são os empresários que não recolhem o Fetab, mas afirmou que caberá à Assembleia Legislativa, ao Ministério Público e ao governo esclarecerem oficialmente o tema. Ele defendeu que a arrecadação perdida seria suficiente para quitar o passivo de 19,52% da RGA atrasada dos servidores públicos. “Com esse dinheiro, o Estado poderia recompor os salários. O servidor não pode ser sempre a parte que sacrifica”, disse.

As críticas a Mauro Mendes foram recorrentes. Jayme afirmou que o governador exerce influência excessiva sobre os poderes e que o veto ao reajuste do Tribunal de Justiça, mantido pela Assembleia, demonstrou “submissão institucional”. Ao tratar da RGA, classificou o índice aprovado de 1,14% como “mixaria” e disse que a postura do governo intensifica o sentimento de abandono entre servidores. Para ele, falta altivez ao Legislativo e transparência ao Executivo.

A entrevista foi também um palco para expor insatisfações internas na União Brasil. Jayme afirmou que não foi consultado sobre a decisão do governador de apoiar a candidatura de Otaviano Pivetta ao governo, e disse que nenhum deputado, vereador ou dirigente partidário foi ouvido. Afirmou que o partido está “engessado”, sem reuniões e sem planejamento para formação de chapa. “Não vou aceitar prato feito. Não tenho mais idade para receber imposição”, afirmou. Disse ainda que possui ampla maioria entre os convencionais do partido e que, se houver disputa interna, está preparado para vencer.

Questionado sobre a declaração do deputado Eduardo Botelho, que alertou para riscos eleitorais caso Jayme e Pivetta não caminhem juntos, o senador reafirmou que dialoga com todos, mas não aceita acordos decididos fora de Mato Grosso. “Eu sou independente. Não vivo de política. Quem vive de política para sobreviver aceita qualquer coisa. Eu não aceito”, disse. Sobre o comportamento do suplente Fábio Garcia — hoje aliado de Mauro Mendes e defensor da candidatura Pivetta — Jayme disse respeitar a decisão pessoal, mas lembrou que foi ele quem abriu vaga para Garcia assumir o Senado durante a campanha.

Sobre alianças, o senador confirmou diálogos com Wellington Fagundes e relatou, com naturalidade, conversas informais envolvendo eventuais composições e vices. Segundo ele, tratam-se de movimentos normais da política. Reafirmou, porém, que seu foco é consolidar sua própria pré-candidatura e, só depois, discutir acordos. “Estou conversando com todos. Mas a União Brasil precisará decidir de forma democrática quem será o candidato”, declarou.

Ao falar de sua trajetória, Jayme recuperou ações de impacto nacional: a renegociação da dívida de Mato Grosso, articulações para a construção da ferrovia Rondonópolis–Lucas do Rio Verde e o avanço da Ferrogrão. Relatou, em detalhes, a atuação junto ao Ministério da Infraestrutura para impedir mudanças no marco regulatório que poderiam travar investimentos no Estado. O senador citou ainda projetos de lei em tramitação no Congresso, como o que destina parte da arrecadação da Loteria Federal para abrigos de idosos.

No fecho, Jayme voltou ao tom político. Disse percorrer o estado com independência, sem pedir autorização a grupos econômicos, e afirmou que a eleição precisa refletir a vontade real dos mato-grossenses. “Não tenho medo de ninguém. Se o partido quiser um candidato, precisa ouvir prefeitos, vereadores e a base. Se não quiser, não serei eu a impor nada. Mas se quiser, estou preparado”, declarou.

A entrevista evidenciou que a disputa pelo governo de Mato Grosso não será apenas entre partidos, mas dentro deles. E que Jayme Campos, aos 74 anos, pretende entrar na arena com voz própria — sem aceitar tutelas, sem poupar aliados e sem suavizar críticas num ano em que alianças serão decisivas.



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