O deputado federal Juarez Costa (Republicanos) afirmou ter sido proprietário de pelo menos oito veículos BMW ao longo da vida, mas admitiu que nenhum deles apareceu nas declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral nas eleições em que disputou cargos públicos. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Cultura, nesta quinta-feira (18). A afirmativa de que teve oito BMWs foi usada para contestar a informação dada por delatores de que quando era prefeito de Sinop teria recebido propina de R$ 30 milhões e exigido um veículo da marca em troca da concessão do serviço de saneamento básico à Aegea.
"Hoje mudou, mas durante muito tempo, quando você comprava e vendia um carro dentro do mesmo ano, ele não aparecia na declaração. Eu sempre troquei muito de carro. Já tive BMW branca, preta, vermelha. Todo mundo em Sinop sabe disso", afirmou.
Na mesma entrevista, o parlamentar ironizou a acusação apresentada pelos delatores. "Primeiro dizer que ao longo da minha vida já tive oito BMWs. Quem recebe R$ 30 milhões também vai pedir um carro? Fica meio estranho", declarou.
A delação foi divulgada inicialmente pelo portal Metrópoles e envolve depoimentos de cinco ex-diretores da Aegea. Segundo os relatos, Juarez teria sido beneficiado financeiramente durante o processo de concessão do sistema de água e esgoto do município, inclusive modificando leis da cidade para contemplar a concessionária, informação que é rebatida pelo atual deputado federal.
Juarez disse ter sido surpreendido pela divulgação do caso e afirmou que ainda não teve acesso ao conteúdo do processo, que tramita sob sigilo. "Eu desconheço totalmente o processo. Fiquei sabendo da existência dele por meio da matéria publicada na terça-feira. Estou buscando acesso por meio dos meus advogados", afirmou.
Segundo o deputado, a investigação trata do mesmo assunto que motivou uma operação do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) em 2016. "Naquela ocasião houve busca e apreensão na minha casa e nada foi comprovado de que eu tivesse favorecido a empresa ou recebido qualquer vantagem", disse.
O deputado também associou a divulgação da delação aos ciclos eleitorais e afirmou que denúncias relacionadas ao caso surgem desde 2016. Embora não tenha citado nome, Juarez insinuou a participação de Nilson Leitão (PP), que também é pré-candidato a deputado federal e adversário político do ex-prefeito. Ambos são de Sinop e passaram pela prefeitura da cidade. "Em 2016 apareceu. Em 2018 voltou. Em 2020 reapareceu. Em 2022 também. E agora, em 2026, novamente em período eleitoral", declarou.
Juarez afirmou ainda que pretende pedir acesso integral ao processo para exercer o direito de defesa. "Meu nome foi colocado na berlinda sem que eu tivesse sequer conhecimento do conteúdo da investigação".
Ao contestar as acusações, o parlamentar argumentou que a concessão dos serviços de saneamento em Sinop passou por audiências públicas, aprovação legislativa e processo licitatório. Conforme o deputado, o contrato previa investimentos de aproximadamente R$ 200 milhões ao longo de 30 anos.
"Estamos falando de R$ 30 milhões. É muito dinheiro. Se isso tivesse acontecido, eu não estaria aqui trabalhando até hoje", afirmou.
Entenda a acusação
Segundo reportagem do portal Metrópoles, cinco ex-executivos da empresa de saneamento Aegea firmaram acordos de colaboração premiada com o Ministério Público entre 2020 e 2021, homologados em 2025 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Nos depoimentos, eles afirmam que o então prefeito de Sinop, Juarez Costa, teria recebido cerca de R$ 30 milhões em vantagens indevidas entre 2010 e 2018 para favorecer interesses da companhia no município.
O principal delator é o ex-presidente da Aegea, Hamilton Amadeo. Segundo seu relato, parte dos recursos teria sido destinada ao pagamento de dívidas de campanhas eleitorais de Juarez Costa. O executivo também afirmou que, em 2014, o então prefeito teria solicitado uma BMW como parte das vantagens oferecidas pela empresa.
De acordo com os depoimentos, os pagamentos teriam sido operacionalizados por diferentes mecanismos. Um deles envolveria a utilização de contratos com empresas terceirizadas supostamente superfaturados. Outro método descrito pelos colaboradores seria a simulação de compras de combustíveis em postos localizados em Sinop para justificar repasses destinados ao grupo político do então prefeito.
Os delatores também relataram entregas de dinheiro em espécie realizadas por intermediários em cidades como Cuiabá e Balneário Camboriú (SC). Um dos depoimentos aponta que aproximadamente R$ 1,2 milhão teria sido entregue na cidade catarinense entre 2015 e 2016.






