Em uma era marcada por filtros digitais, padrões estéticos cada vez mais inalcançáveis e comparações constantes nas redes sociais, a busca por procedimentos estéticos tem ganhado um novo significado. Mais do que transformar a aparência, muitas mulheres procuram recuperar a autoestima, fortalecer a confiança e promover o bem-estar emocional. A análise é da biomédica esteta Jennifer Pinheiro, que defende uma abordagem mais humana da estética, baseada na valorização da identidade e da naturalidade.
Segundo a especialista, o consultório estético deixou de ser apenas um espaço de transformação física e passou a receber mulheres que carregam inseguranças, pressões sociais e questões emocionais que muitas vezes se refletem na relação com a própria imagem. “Quando a autoestima melhora, a mulher muda sua postura diante da vida. Ela se posiciona melhor profissionalmente, nos relacionamentos e passa a se sentir mais confiante. O impacto vai muito além do físico”, afirma.
A profissional explica que nem toda insatisfação com a aparência tem origem exclusivamente estética. Em muitos casos, a queixa apresentada pela paciente pode estar associada a momentos de fragilidade emocional, como términos de relacionamento, perdas familiares ou períodos de grande estresse. Por isso, a avaliação realizada antes de qualquer procedimento vai muito além da análise da pele ou das características físicas.
“É fundamental compreender o que está motivando aquela busca. Existem situações em que o mais ético é dizer não e orientar a paciente a cuidar primeiro da sua saúde emocional”, destaca.
Pressão e comparações
Um dos fenômenos que mais preocupam os profissionais da área é o impacto das redes sociais sobre a autoestima feminina. Segundo Jennifer Pinheiro, o acesso constante a imagens editadas, filtros e padrões de beleza muitas vezes irreais tem provocado uma escalada de comparações que afetam diretamente a saúde mental.
“Recebemos muitas pacientes que chegam com fotos filtradas e desejam reproduzir exatamente aquela imagem. É importante explicar que aquilo não corresponde à realidade e que a beleza precisa respeitar a individualidade de cada pessoa”, afirma.
A especialista observa que essa pressão se intensificou nos últimos anos, especialmente após a pandemia, quando o uso de câmeras e videoconferências aumentou significativamente. O resultado pode ser o surgimento de ansiedade, insegurança e até quadros depressivos relacionados à autoimagem.
Estética e autocuidado caminham juntos
Para a biomédica, autoestima e autocuidado são conceitos inseparáveis. Enquanto o autocuidado envolve hábitos relacionados à saúde física, mental e emocional, a autoestima surge como consequência desse processo. “Quando a mulher cuida de si mesma, respeita seus limites e reconhece seu valor, ela fortalece sua autoestima. O procedimento estético pode fazer parte desse processo, mas não deve ser a única ferramenta”, explica.
Nesse contexto, hábitos simples continuam sendo fundamentais para a saúde da pele e para o envelhecimento saudável. Sono de qualidade, hidratação adequada, alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico são apontados como pilares essenciais para quem deseja preservar a beleza de forma natural. “Costumo dizer que o melhor skincare ainda é uma boa noite de sono”, brinca a especialista.
Envelhecer bem, não parecer mais jovem
Outra mudança observada no mercado da estética é a substituição da antiga ideia de combater o envelhecimento a qualquer custo. Hoje, segundo Jennifer, a tendência é promover um envelhecimento saudável, preservando a qualidade da pele sem descaracterizar a aparência natural.
Procedimentos como aplicação de toxina botulínica, bioestimuladores de colágeno e tecnologias de ultrassom microfocado estão entre os mais procurados por mulheres a partir dos 30 anos. “O objetivo não é parecer outra pessoa nem voltar aos 20 anos. As mulheres estão buscando envelhecer bem, com saúde e naturalidade”, afirma.
Para ela, o principal desafio continua sendo alinhar expectativas e combater a ideia de que felicidade e autoestima dependem exclusivamente da aparência. “A estética deve ser uma escolha leve, consciente e alinhada com a realidade de cada mulher. Mais importante do que seguir padrões é cuidar da saúde emocional e aprender a valorizar a própria história”.
Assista à entrevista na íntegra:
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