Após mais de 16 horas de julgamento, o Tribunal do Júri da Comarca de Nova Mutum condenou, na noite desta sexta-feira, os irmãos Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde pelo assassinato da produtora rural Raquel Cattani, filha do deputado estadual Gilberto Cattani. O Conselho de Sentença, formado por sete jurados, reconheceu a autoria e materialidade do crime ocorrido em julho de 2024, acatando integralmente as teses do Ministério Público.
A juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, que presidiu a sessão, fixou penas severas. Rodrigo Xavier Mengarde, apontado como o executor do crime, foi condenado a 33 anos, 3 meses e 20 dias de reclusão pelos crimes de feminicídio e furto. Já Romero Xavier Mengarde, ex-marido da vítima e mandante do crime, recebeu a sentença de 30 anos de prisão, por feminicídio. Ambos cumprirão as penas em regime inicialmente fechado.
Os jurados consideraram a presença de quatro qualificadoras que agravaram a condenação: feminicídio, caracterizado pela condição de sexo feminino da vítima em contexto de violência doméstica; motivo torpe, revelando a repugnância da motivação do crime; meio cruel, evidenciado pela brutalidade dos golpes de faca; e recurso que dificultou a defesa da vítima, já que Raquel foi surpreendida dentro de sua própria casa.
Para o crime de feminicídio, a magistrada aplicou a pena máxima prevista na legislação brasileira, atendendo ao clamor por justiça expresso por familiares e pela sociedade mato-grossense ao longo das investigações. A decisão reflete a gravidade do planejamento e da execução do crime, que envolveu simulação de latrocínio e álibis friamente calculados.
Durante os debates, a promotoria sustentou que Romero, não aceitando o fim do relacionamento, orquestrou a morte da ex-mulher, utilizando o irmão Rodrigo para a execução. A defesa tentou, sem sucesso, afastar as qualificadoras e diminuir a responsabilidade dos réus, mas as provas técnicas — incluindo rastreamento de sinais de celular e análise de câmeras de segurança — foram decisivas para o convencimento dos jurados.
O julgamento, marcado por forte comoção, trouxe à tona detalhes sobre o ciclo de violência psicológica vivido por Raquel. Testemunhas relataram episódios de controle, humilhação e ameaças veladas por parte de Romero, culminando no desfecho trágico no Assentamento Pontal do Marape.
A sentença encerra a primeira fase judicial de um caso que mobilizou as forças de segurança do Estado. Com a condenação, os irmãos Mengarde retornam ao sistema prisional para o início do cumprimento da pena, sem direito de recorrer em liberdade.





