O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (26) que o Brasil não aceitará “desaforo, ofensas e petulância de ninguém”, em referência à atual política de tarifas adotada pelos Estados Unidos. A declaração ocorreu durante a segunda reunião ministerial de 2025, na qual o presidente orientou sua equipe a defender a soberania do país em discursos públicos. As informações foram publicadas pela Agência Brasil, com apuração da jornalista Andreia Veerdélio.
Segundo o presidente, as decisões do presidente norte-americano, Donald Trump, são descabidas. Apesar disso, ele ressaltou que o governo brasileiro permanece aberto para negociar as questões comerciais.
“Estamos dispostos a sentar na mesa em igualdade de condições. O que não estamos dispostos é sermos tratados como se fossemos subalternos. Isso nós não aceitamos de ninguém. É importante saber que o nosso compromisso é com o povo brasileiro”, declarou Lula.
Em sua orientação aos ministros, o presidente reforçou a necessidade de uma postura firme na defesa dos interesses nacionais. “É importante que cada ministro, nas falas que fizerem daqui para frente, façam questão de retratar a soberania desse país. Nós aceitamos relações cordiais com o mundo inteiro, mas não aceitamos desaforo e ofensas, petulância de ninguém”, disse.
Ele complementou o raciocínio histórico: “Se a gente gostasse de imperador, o Brasil ainda seria monarquia. A gente não quer mais. A gente quer esse país democrático e soberano, republicano”.
O pronunciamento inicial do presidente na reunião foi transmitido ao vivo pelo Canal Gov e por redes sociais. Após a fala, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, apresentou um balanço das ações do governo.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, que coordena as negociações sobre as tarifas, apresentou dados atualizados sobre o impacto das medidas no comércio bilateral.
De acordo com Alckmin, 35,6% de todos os produtos que o Brasil exporta para os Estados Unidos estão atualmente sob uma tarifa de 50%.
A política de tarifas foi implementada pela gestão do presidente Donald Trump com o objetivo de reverter a perda de competitividade da economia norte-americana em relação à China. Em 2 de abril, foram impostas barreiras alfandegárias a diferentes nações, com taxas variando conforme o balanço comercial de cada país com os EUA. Naquela ocasião, o Brasil foi submetido à menor alíquota, de 10%, por apresentar superávit na balança comercial com os Estados Unidos.
Contudo, em 6 de agosto, o governo norte-americano aplicou uma tarifa adicional de 40% contra o Brasil. A medida foi justificada como uma retaliação a decisões brasileiras que, segundo a Casa Branca, prejudicariam grandes empresas de tecnologia dos EUA, e também como uma resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Alckmin também explicou que 23,2% das exportações brasileiras para os EUA são taxadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial norte-americana, uma regra que se aplica a quase todos os países, com exceção do Reino Unido. Dentro dessa categoria, produtos como aço, alumínio e cobre enfrentam uma tarifa de 50%, enquanto automóveis e autopeças são taxados em 25%.
O restante das exportações brasileiras para o mercado norte-americano, que corresponde a 41,3% do total, é submetido a uma tarifa de 10%.