NOTICIÁRIO Terça-feira, 05 de Agosto de 2025, 19:22 - A | A

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REUNIÃO DO CONSELHÃO

Lula descarta ligar para Trump sobre tarifas, mas fará convite para a COP30

Da Redação com ABr

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta terça-feira (5) que não pretende telefonar para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir as tarifas impostas sobre produtos brasileiros, mas que o convidará para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá em novembro, em Belém. As informações foram divulgadas pela Agência Brasil, a partir de reportagem dos jornalistas Andreia Verdelo e Pedro Peduzzi.

A declaração ocorreu durante a abertura da 5ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), no Palácio Itamaraty, em Brasília. "Eu não vou ligar para o Trump para conversar nada porque ele não quer falar. Mas eu vou ligar para o Trump para convidar para a COP30 para saber o que ele pensa da questão climática", disse o presidente.

A tensão comercial foi formalizada em 9 de julho, quando Trump enviou uma carta a Lula anunciando a imposição de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. Em 30 de julho, uma ordem executiva foi assinada, efetivando a taxação, embora tenha excluído cerca de 700 produtos da lista. A medida entra em vigor nesta quarta-feira (6).

O governo norte-americano justifica a medida citando supostas práticas comerciais "injustas" do Brasil no uso do sistema de pagamentos instantâneo, o Pix. Lula rebateu os argumentos, classificando o Pix como um patrimônio nacional e uma referência global de infraestrutura pública digital. "Não podemos ser penalizados por desenvolver um sistema gratuito e eficiente", afirmou.

O presidente brasileiro também argumentou que a motivação dos EUA pode ser a influência de grandes empresas financeiras. "Se o Pix tomar conta do mundo, os cartões de crédito irão desaparecer. É isso que está por trás dessa loucura contra o Brasil", argumentou. Ele ainda sugeriu, em tom de ironia, que Trump experimentasse o sistema. "Gostaria que o presidente Trump fizesse uma experiência com o Pix nos Estados Unidos. Poderia levar o Pix para ele pagar uma conta, para ver que é uma coisa moderna".

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, informou que o governo federal apresentará uma resposta formal aos Estados Unidos sobre a questão do Pix no próximo dia 18 de agosto.

Durante seu discurso, Lula também mencionou a necessidade de apoio do empresariado nacional, afirmando que a defesa dos interesses do país se tornou mais complexa. "Você não tem mais aqueles empresários nacionalistas como você tinha nos anos 70, nos anos 80, nos anos 60. Você não tem. Hoje você tem mais mercantilista do que nacionalista".

O presidente criticou a contaminação das relações institucionais por interesses político-eleitorais, fazendo referência ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Lula citou que o parlamentar, licenciado do mandato, articula ações nos Estados Unidos contra a Justiça e a economia brasileiras, em um contexto ligado à situação jurídica de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

"O dia 30 de julho de 2025 passará para história das relações entre Brasil e Estados Unidos como um marco lastimável, de uma ação arbitrária como essa que sofremos", disse Lula. "Nossa democracia está sendo questionada, nossa soberania está sendo atacada, nossa economia está sendo agredida".

O governo brasileiro anunciou que irá implementar um plano de contingência para mitigar os impactos das tarifas sobre trabalhadores e empresas, além de recorrer a todas as medidas cabíveis na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Lula também reforçou o compromisso com a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia ainda neste ano, aproveitando a presidência brasileira do bloco sul-americano. Ele contrastou a relação com a Europa com a postura dos EUA, que recentemente fecharam um acordo com a UE considerado favorável a Washington.

Nesse acordo, os EUA elevaram tarifas para a UE em 15%, abaixo dos 30% anunciados, enquanto a Europa se comprometeu a não retaliar, zerar tarifas para produtos americanos e investir centenas de bilhões de dólares nos Estados Unidos. "Parceria sólida se constrói em base em benefícios mútuos", pontuou Lula.

O setor produtivo brasileiro manifestou grande preocupação. Representando a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Priscila Nasrallah pediu que o governo "olhe com carinho" para o setor, especialmente os pequenos produtores.

"A fruta perecível, ela perde no pé, elas estão lá para ser colhidas. Se for possível, postergar a entrada em vigor das tarifas, para que a gente possa trabalhar", disse Nasrallah. Ela lembrou que o Brasil é o terceiro maior produtor de frutas do mundo e que os EUA são um destino crucial para produtos como manga, uva e mamão. Apenas em 2024, foram exportadas 77 mil toneladas dessas frutas para o mercado norte-americano.

Do lado dos trabalhadores, o presidente do Fórum das Centrais Sindicais, Clemente Ganz, expressou preocupação com a manutenção dos empregos. Ele informou que as entidades sindicais enviaram um documento ao governo e estão buscando articulação com sindicatos nos Estados Unidos, Canadá, União Europeia e México.

"Fundamentalmente, nós consideramos essencial que tenhamos nessa trajetória de lutas um investimento no diálogo social, fortalecendo os entendimentos entre trabalhadores, empresários e governo", declarou Ganz. O fórum também planeja levar a questão para a Organização Mundial do Comércio.



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