A vereadora Maria Avalone (PSDB) denunciou a paralisia da Câmara Municipal de Cuiabá na investigação de crimes de assédio sexual e moral ocorridos no Poder Executivo. Em entrevista aos jornalistas Antero Paes de Barros e Michely Figueiredo, no Jornal da Cultura (Cultura FM, 90.7), a parlamentar revelou que a falta de assinaturas impediu a abertura de uma CPI, o que ela classifica como uma "decepção profunda" vinda da gestão do prefeito Abílio Brunini. O fato expõe a fragilidade do acolhimento institucional às servidoras municipais.
De acordo com a vereadora, a tentativa de instalar a CPI do Assédio foi barrada por uma articulação política que teria partido do próprio prefeito para proteger aliados. Avalone afirmou que o recuo de parlamentares em assinar o requerimento é "vergonhoso" e representa uma "senha" perigosa, sugerindo que crimes dessa natureza podem ser politicamente blindados. Segundo a parlamentar, a omissão da Casa de Leis diante de uma servidora vítima de violência dentro da prefeitura é uma hipocrisia que ignora os números alarmantes de feminicídio e abusos na região.
Como medida prática para romper o silêncio institucional, a vereadora confirmou a instalação da Procuradoria da Mulher para o dia 20 de março, às 9h. O órgão terá caráter permanente e contará com estrutura de assistência jurídica e psicológica. Diferente da comissão especial, que possui prazo limitado e funções restritas, a Procuradoria terá autonomia para encaminhar casos diretamente à Defensoria Pública e ao Ministério Público, garantindo que a responsabilidade pela proteção das mulheres não dependa apenas da vontade política momentânea dos vereadores.
Descaso na saúde mental e recursos paralisados
Além da pauta do assédio, Maria Avalone denunciou o abandono da saúde mental em Cuiabá. Segundo a parlamentar, existem R$ 8 milhões parados em conta destinados à conclusão do CAPS III no Verdão, fruto de emendas do deputado Carlos Avalone (PSDB) e de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do Ministério Público. A obra, no entanto, segue inacabada há três anos. A vereadora associou o descaso administrativo à baixa autoestima da população e ao aumento da violência, ressaltando que a falta de infraestrutura básica nos bairros empurra jovens para a criminalidade e agrava o colapso social da capital.




