NOTICIÁRIO Sábado, 01 de Agosto de 2026, 15:52 - A | A

Sábado, 01 de Agosto de 2026, 15h:52 - A | A

TABULEIRO ABERTO

Max Russi e Janaina Riva ensaiam candidatura própria

Mauro Camargo

ALMT

Max Russi e Janaínna Riva

 

A decisão do União Brasil de retirar Jayme Campos da disputa pelo Governo de Mato Grosso não produziu a concentração política esperada em torno da candidatura à reeleição de Otaviano Pivetta, do Republicanos. Menos de dois dias depois da convenção, MDB e Podemos passaram a discutir publicamente a construção de uma candidatura própria, que poderá ter o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, ou a deputada estadual Janaina Riva como cabeça de chapa.

Janaina confirmou que o MDB começou a trabalhar com duas possibilidades: lançar seu próprio nome ao Governo ou apoiar uma candidatura de Max Russi. A alternativa implicaria a revisão do projeto original da deputada, que vinha sendo apresentada como candidata ao Senado. As direções nacionais das duas legendas também foram acionadas para avaliar uma aliança.

A movimentação ocorre às vésperas das convenções de MDB e Podemos, marcadas para terça-feira, 4 de agosto. Até lá, os dois partidos terão de decidir se comandam uma quarta candidatura ao Governo, se apoiam Pivetta ou se se aproximam do senador Wellington Fagundes, candidato já homologado pelo PL.

Retirada de Jayme não fechou o centro

A convenção do União Brasil eliminou uma candidatura, mas não resolveu a disputa pelo espaço político de centro e centro-direita.

Por 30 votos a 19, os convencionais rejeitaram o lançamento de Jayme Campos e decidiram apoiar Pivetta. A expectativa do grupo liderado pelo ex-governador Mauro Mendes era de que o resultado atraísse os partidos ainda sem candidato, especialmente MDB e Podemos.

O movimento ocorrido depois da convenção aponta na direção contrária. Max e Janaina passaram de potenciais integrantes de uma chapa comandada por Pivetta ou Wellington à condição de possíveis candidatos ao Governo.

A mudança decorre, em grande parte, do espaço político deixado pela exclusão de Jayme. O senador representava uma candidatura situada entre o governismo de Pivetta e o bolsonarismo do PL, com trânsito entre prefeitos, parlamentares e lideranças de partidos distintos.

 

Sem Jayme, esse espaço ficou disponível.

 

MDB e Podemos perceberam que podem tentar ocupá-lo com uma composição própria, menos identificada com a polarização nacional e capaz de dialogar tanto com setores governistas quanto com lideranças insatisfeitas com a condução do União Brasil.

 

Uma chapa com dois mandatos fortes

 

Max Russi preside a Assembleia Legislativa, comanda o Podemos em Mato Grosso e controla uma estrutura partidária considerada competitiva na disputa por vagas estaduais. Janaina Riva preside o MDB, exerce seu quarto mandato de deputada e vinha construindo uma candidatura própria ao Senado.

Juntos, os dois partidos possuem presença municipal, tempo de propaganda, candidatos proporcionais e capacidade de articulação com diferentes campos políticos.

A hipótese discutida apresenta, porém, configurações distintas.

Se Max disputar o Governo, Janaina poderá manter seu projeto para o Senado. Nesse caso, a chapa teria dois nomes eleitoralmente conhecidos, além da possibilidade de atrair uma segunda candidatura senatorial.

Se Janaina concorrer ao Governo, o MDB assumirá o comando formal da aliança, mas terá de encontrar um novo candidato competitivo ao Senado. Max, por sua vez, já havia afirmado anteriormente que não pretendia concorrer como vice e que sua prioridade era a reeleição à Assembleia.

A nova discussão exige, portanto, uma mudança relevante nos projetos pessoais dos dois parlamentares.

Candidatura real ou instrumento de negociação

A possibilidade de uma chapa própria precisa ser tratada como movimento político concreto, mas ainda não como decisão definitiva.

MDB e Podemos também utilizam essa hipótese para elevar seu poder de negociação.

Pivetta precisa de aliados para ampliar sua coalizão, definir o candidato a vice e apresentar uma segunda candidatura ao Senado. Wellington busca partidos que lhe ofereçam estrutura estadual e compensem o isolamento relativo do PL.

Quanto mais viável parecer a candidatura de Max ou Janaina, maior será o preço político para convencê-los a desistir.

Esse preço pode envolver:

 

  • indicação do candidato a vice;

  • apoio exclusivo a Janaina para o Senado;

  • participação na futura administração estadual;

  • garantia de recursos e estrutura às chapas proporcionais;

  • compromissos regionais e municipais.

A convenção do Podemos está marcada para 4 de agosto. O partido vinha mantendo conversas com Wellington, Pivetta e, antes da decisão do União Brasil, com Jayme Campos. O MDB realizará seu encontro no mesmo dia e deverá definir tanto a candidatura de Janaina quanto sua posição na disputa pelo Governo.

Pivetta ganhou o União, não a coalizão

A candidatura de Pivetta saiu formalmente fortalecida da convenção do União Brasil. O governador passou a contar com o apoio de uma das maiores estruturas partidárias do Estado, além do PP, que integra a mesma federação.

A vitória institucional, entretanto, veio acompanhada de uma ruptura política.

Jayme não declarou apoio ao governador. Júlio Campos criticou duramente a condução da convenção. Prefeitos, candidatos proporcionais e dirigentes vinculados ao grupo derrotado ainda não indicaram qual será o grau de engajamento na campanha oficial.

Pivetta terá agora de executar duas operações simultâneas: aproximar-se da ala dos Campos e impedir que MDB e Podemos consolidem um projeto próprio.

A escolha do candidato a vice será decisiva. O nome poderá ser utilizado para incorporar uma nova legenda, equilibrar regionalmente a chapa ou reforçar o grupo de Mauro Mendes dentro da aliança.

Cada alternativa produz consequências diferentes.

Uma indicação diretamente vinculada a Mauro consolida o núcleo que derrotou Jayme, mas pode aprofundar a resistência dos dissidentes. A entrega da vice ao MDB ou ao Podemos amplia a coligação, mas exigirá divisão real de poder.

Wellington observa a fragmentação

Wellington Fagundes também tenta aproveitar a nova configuração.

O PL já homologou sua candidatura ao Governo e a de José Medeiros ao Senado, mas deixou a definição da vice e das alianças para a fase final das convenções. A direção estadual confirmou conversas com Podemos, Novo e outras legendas.

A ruptura no União Brasil oferece ao senador a possibilidade de atrair aliados de Jayme Campos. A movimentação de Max e Janaina, contudo, também ameaça dividir o eleitorado que poderia migrar para o PL.

Wellington tem interesse em impedir uma candidatura própria de MDB e Podemos. Uma quarta chapa reduziria a concentração do voto oposicionista e disputaria prefeitos, lideranças municipais e eleitores insatisfeitos com Pivetta.

Uma composição com Janaina ao Senado ou com um nome do Podemos na vice poderia ampliar o alcance do PL. O problema é compatibilizar esses interesses com a candidatura de José Medeiros e com setores bolsonaristas resistentes ao MDB.

Chapa progressista aposta na unidade

Enquanto a direita e o centro reorganizam suas alianças, Natasha Slhessarenko inicia a campanha com a chapa majoritária completa.

A candidata do PSD terá Diogo Botelho, do PDT, como vice, e Carlos Fávaro e Pedro Taques na disputa pelas duas vagas ao Senado. A aliança reúne partidos de centro e de esquerda em torno da candidatura presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva.

A formação de uma candidatura de Max ou Janaina produziria um cenário mais fragmentado e poderia beneficiar a chapa progressista em determinados segmentos.

Natasha poderá explorar o contraste entre a unidade alcançada por sua coligação e os conflitos existentes no União Brasil e entre as forças de centro-direita.

Isso não elimina as dificuldades históricas da esquerda em Mato Grosso. A coligação ainda precisa ampliar sua presença no interior, dialogar com o setor produtivo e converter a estrutura partidária em mobilização eleitoral.

Mas a divisão entre seus adversários abre espaço para uma campanha mais competitiva do que a prevista no início do calendário das convenções

A eleição permanece aberta

O resultado da convenção do União Brasil não encerrou a primeira fase da eleição. Apenas deslocou o conflito.

Jayme Campos perdeu a legenda para disputar o Governo. Pivetta ganhou o apoio formal do partido. Mauro Mendes consolidou seu controle sobre a estrutura partidária.

Mas o centro político, que deveria ser incorporado pela candidatura governista, permaneceu disponível.

Max Russi e Janaina Riva perceberam essa oportunidade. Ainda não decidiram se irão ocupá-la, mas já demonstraram que não pretendem ingressar automaticamente numa chapa comandada por Pivetta ou Wellington.

Até 4 de agosto, a política de Mato Grosso terá de responder a uma pergunta que surgiu depois da convenção do União Brasil: a retirada de Jayme simplificará a eleição ou dará origem a uma nova candidatura?

A resposta poderá definir não apenas o número de candidatos, mas o equilíbrio completo da disputa pelo Governo e pelo Senado.

Nota de Transparência

Esta reportagem foi elaborada a partir de declarações públicas de Janaina Riva, Max Russi e dirigentes partidários, do calendário oficial das convenções e de inforações publicadas por veículos jornalísticos de Mato Grosso. O texto foi produzido segundo os procedimentos do SEI-NR, com separação entre fatos confirmados, hipóteses políticas e interpretação jornalística.



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Redação: Av. Historiador Rubens de Mendonça, nº 2000, 12º andar, sala 1206, Centro Empresarial Cuiabá

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