O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse a prefeitos nesta sexta-feira (19) que a pasta deve alterar a estratégia de vacinação contra a Covid-19.
A partir de agora, cidades não precisam mais reservar a segunda dose da vacina para ser aplicada. A justificativa é que já há maior garantia de produção.
A informação foi divulgada pela Frente Nacional dos Prefeitos, que pediu a reunião com o ministro.
"Agora, a partir do dia 23, com a chegada de 4,7 milhões de novas vacinas, a imunização será em 4,7 milhões de brasileiros, não a metade, como estava acontecendo até então", informou a frente.
No encontro, Pazuello também disse que deve alterar cronograma para vacinar professores mais cedo. A expectativa é que isso ocorra até março.
O número de pessoas vacinadas contra a covid-19 no Brasil chegou na quinta-feira (18) a 5.614.633, de acordo com dados reunidos pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias estaduais de saúde. 25 Estados informaram dados atualizados e 211.720 pessoas receberam a primeira dose nas 24 horas anteriores.
Pazuello está sob forte pressão pelo ritmo lento na vacinação contra a covid-19. Além disso, o general da ativa é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta omissão para evitar o colapso de saúde no Amazonas.
Cobrado por um cronograma de entrega de vacinas, Pazuello disse a governadores na quarta-feira, 17, que toda a população "vacinável" (menores de 18 anos, por exemplo, não estão recebendo as doses) será imunizada neste ano. Ele ainda prometeu a entrega de cerca de 455 milhões de doses de vacinas em 2021, mas considerou a vinda de imunizantes que ainda nem sequer entregaram todos os dados de segurança e eficácia à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), como a Covaxin e a Sputnik V.
O ministro também ignorou atraso na entrega de insumos farmacêuticos para o envase ou fabricação de vacinas no Instituto Butantan e Fiocruz.
Como mostrou o jornal O Estado de S. Paulo, no ritmo em que a vacinação contra a covid-19 é conduzida no Brasil, o País levaria mais de quatro anos para ter toda a sua população imunizada.
O cálculo é do microbiologista da Universidade de São Paulo (USP) Luiz Gustavo de Almeida. Ele lembrou que, durante a campanha de vacinação contra a gripe em março do ano passado, já em plena pandemia do novo coronavírus, os brasileiros vacinavam até um milhão de pessoas por dia.
Atualmente, a média de imunizações diárias é de um quinto disso, cerca de 200 mil pessoas. (Cm Estadão Conteúdo)






