A médica pediatra, patologista e professora da Universidade Federal de Mato Grosso, Natasha Slhessarenko (PSD), pré-candidata ao governo do estado, concedeu entrevista ao Jornal da Cultura. Durante o programa, ela abordou questões políticas, sociais e de gestão pública, reafirmando seu compromisso com as forças progressistas e apresentando propostas para os principais desafios de Mato Grosso. As informações são da entrevista concedida aos jornalistas Antero Paes de Barros e Michely Figueiredo.
Slhessarenko confirmou que aguarda apenas a formalização de sua candidatura pelo PSD e pela Federação Brasil da Esperança. "Já houve conversa minha com o senador Carlos Fávaro pra que a gente pudesse então definitivamente alinhar toda essas aparar essas arestas pra que efetivamente pare toda essa confusão", afirmou. Segundo ela, o senador retorna de Angola no final de semana e a formalização ocorrerá em seguida.
Questionada sobre a clareza de seu posicionamento político, a médica reafirmou seu alinhamento com as forças progressistas. "Toda a minha vida, desde a minha infância, a gente tem alinhamentos aí com as teorias progressistas. O desenvolvimento socioeconômico, com distribuição de renda, inclusão social, fizeram parte da minha vida toda", declarou. Ela citou benefícios do governo federal em Mato Grosso, como a Carreta da Saúde, implementação da pesquisa de HPV e abertura de plantas frigoríficas.
Slhessarenko destacou que 329 mil pessoas no estado serão beneficiadas com a isenção do imposto de renda a partir de janeiro, para quem ganha até cinco mil reais. "Isso vai equivaler, do final do ano, a um décimo quarto salário. Isso faz o quê? Isso é inclusão social, isso é geração de renda", argumentou, ressaltando que a medida estimula a economia local.
Segurança pública como prioridade
A segurança pública foi apontada como um dos principais desafios do estado. Slhessarenko descreveu a situação como "extremamente caótica", citando que Mato Grosso é campeão em feminicídios e possui duas das dez cidades que mais violentam crianças no Brasil. "Nós temos aí, praticamente, as facções dominando todos os municípios", afirmou.
Como primeira medida, a pré-candidata propõe chamar os policiais militares aprovados em concurso que ainda não foram convocados. "Foram chamados aproximadamente setecentos policiais, ainda tem mais de mil policiais aí que estão classificados e que não foram chamados", informou. Ela também mencionou o déficit de aproximadamente seis mil policiais na ativa.
Slhessarenko defendeu a integração entre polícias civil, militar e federal para combate ao narcotráfico, além de aumento de patrulhas e reforma do sistema prisional. "O sistema prisional vira uma escola de se perpetuar no crime", criticou. Ela também citou a necessidade de aprovação da PEC da Segurança Pública e do PL anti-facção em nível federal.
Sobre feminicídios, a médica alertou que Mato Grosso terá pelo terceiro ano consecutivo o título de estado que mais mata mulheres. "Em 2023, foram quarenta e seis mulheres, em 2024, quarenta e sete mulheres, e em 2025, cinquenta e três mulheres assassinadas", informou. Ela propôs mais delegacias especializadas no atendimento à mulher, funcionando 24 horas.
Experiência e renovação política
Questionada sobre sua falta de experiência política anterior, Slhessarenko respondeu que sua trajetória profissional a qualifica. "Eu venho de trinta e cinco anos como médica, mais de vinte anos na área pública", destacou. Ela mencionou sua atuação como empresária, fundadora do Laboratório Cedilab e da Clínica Vida, além de sua experiência como professora e membro dos conselhos regional e federal de Medicina.
A pré-candidata argumentou que sua falta de cargo eletivo anterior é uma vantagem. "Eu não penso que isso seja algo que é ruim. Muito pelo contrário, eu acho que isso me qualifica, porque hoje o que se vê é um movimento muito contrário do que se espera", afirmou, criticando políticos que usam a política como meio de vida.
Slhessarenko respondeu a críticas sobre sua experiência comparando-a com outros políticos. "Mauro Bentes pela primeira vez foi prefeito. O Blairo Maggi pela primeira vez foi governador. Pedro Taques pela primeira vez foi senador", exemplificou. Ela também apontou duplo padrão: "Homem pode, mulher não pode. É que pra nós mulheres, né, sempre é muito mais difícil".
Saúde e educação
Sobre a Santa Casa de Misericórdia, Slhessarenko afirmou que a instituição não pode deixar de existir. "A Santa Casa tem um importante papel no, na medicina mato-grossense, sem sombra de dúvidas", declarou, mencionando que crianças com doenças renais crônicas e câncer são tratadas lá. "Em sendo governadora do nosso estado, cê pode ter absoluta certeza de que a Santa Casa vai estar como hospital funcionando", garantiu.
Na área de saúde, a médica propôs fortalecer a atenção primária e secundária, com foco na regionalização. Ela criticou as filas de regulação: "Essa fila é uma fila completamente desonesta e que a gente não sabe onde é que essa fila está". Slhessarenko defendeu transparência nas listas de espera e limpeza de registros de pacientes que já faleceram ou realizaram procedimentos.
"Determinadas áreas não dá pra esperar. Oncológica é uma delas. Outra coisa é coração", alertou, citando exemplo de paciente com suspeita de câncer que aguardava meses por biópsia. Ela também propôs valorização dos profissionais de saúde e política de medicamentos que evite desabastecimento.
Sobre educação, Slhessarenko criticou a militarização de escolas e propôs escolas em tempo integral. "A escola precisa ser lugar de transformação do indivíduo, e hoje a gente vê que, infelizmente, tá passando longe disso", afirmou. Ela identificou quatro grandes problemas: saúde mental de crianças e adolescentes, violência nas escolas, terceirização e falta de empoderamento das instituições.
Programa de governo
A pré-candidata informou que está construindo seu programa de governo através do projeto "Mato Grosso Que Queremos", que envolve escuta da população. "Política pública não se constrói dentro de quatro paredes, política pública se constrói escutando a população", explicou. Ela mencionou viagens programadas ao interior para diálogos com lideranças locais.
Slhessarenko destacou investimentos federais em educação, como reformas e expansão de campi do IFMT em Lucas do Rio Verde, Campo Verde, Canarana e Água Boa. "A educação aqui no nosso estado precisa de muito", reafirmou, criticando a qualidade do ensino apesar de avanços no Ideb.





