NOTICIÁRIO Terça-feira, 27 de Janeiro de 2026, 08:40 - A | A

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ELEIÇÕES DE 2026

O tabuleiro em movimento para as eleições de outubro

Mauro Camargo

A eleição de 2026 será um teste de maturidade para as lideranças políticas e para o próprio Estado. Um teste que exige clareza, responsabilidade e visão de futuro. Mato Grosso entra em 2026 com um cenário eleitoral raro: aberto, competitivo e sem um nome natural para ocupar o comando do Governo ou a vaga ao Senado. O ambiente político é marcado por incerteza, realinhamentos e pela disputa entre trajetórias fortes e discursos que tentam se impor num estado que busca estabilidade, mas não ignora a necessidade de renovação. É dentro desse quadro que o eleitor mato-grossense observa a movimentação de Otaviano Pivetta, Jayme Campos, Wellington Fagundes e Natasha Slhessarenko na corrida ao Governo, enquanto Mauro Mendes, Janaina Riva, Carlos Fávaro e Pedro Taques travam uma das disputas mais imprevisíveis pelo Senado desde 2010. Tudo isso ocorre sob a influência direta da polarização nacional, que atravessa fronteiras, molda percepções e redefine como cada liderança se apresenta ao eleitor.

Otaviano Pivetta se destaca pela experiência administrativa e pela imagem de gestor eficiente, atributos que contam muito em uma eleição estadual como a de Mato Grosso. Sua trajetória no Executivo municipal e no Governo do Estado o coloca como um nome preparado, com capacidade de execução e credibilidade entre setores produtivos. Mas seu desafio é outro: transformar capacidade técnica em presença política. Pivetta precisa ampliar sua comunicação, dialogar com o eleitor médio e construir uma narrativa que ultrapasse o agronegócio, alcançando quem ainda o percebe como líder distante. Sua viabilidade eleitoral dependerá de conseguir combinar a imagem de continuidade administrativa com a projeção de uma liderança de alcance mais amplo.

Jayme Campos, por sua vez, representa a política tradicional, o capital simbólico acumulado ao longo de décadas e a força do vínculo com o interior. A memória afetiva do eleitor mato-grossense ainda reconhece em Jayme um líder capaz de reorganizar o Estado. Mas sua candidatura exigiria enfrentar o peso da própria trajetória. Ele precisará apresentar um motivo convincente para voltar ao comando de um Mato Grosso que evoluiu, cresceu e se tornou mais complexo. O desafio é equilibrar experiência e renovação, mostrando que sua presença representa estabilidade, e não retorno ao passado.

Wellington Fagundes enfrenta uma conjuntura particular. Seu histórico político, consolidado no Senado e nas articulações federais, lhe garante base sólida entre prefeitos e lideranças regionais. Contudo, Wellington carrega também o desgaste natural de quem está na política há muito tempo. Representante do PL em um estado conservador, ele precisa negociar internamente com setores ligados ao bolsonarismo, que pressionam por nomes novos e discursos mais duros. Será necessário construir uma narrativa de convergência, que o apresente como ponto de equilíbrio entre tradição e mudança num momento em que o discurso nacional tende à radicalização.

Na outra ponta, Natasha Slhessarenko tenta se firmar como alternativa moderada ao governo de Mato Grosso em 2026. Sua formação técnica e trajetória administrativa conferem consistência ao seu discurso. Natasha busca ocupar o espaço do eleitor que rejeita os extremos e valoriza propostas organizadas. Sua dificuldade está na baixa capilaridade no interior e na necessidade de projetar protagonismo político num ambiente em que o eleitor ainda privilegia figuras fortemente identificadas com regiões e estruturas partidárias. Se conseguir ampliar seu alcance e sustentar seu discurso com presença pública constante, pode surgir como elemento surpresa na disputa.

No Senado, a disputa é igualmente intensa. Mauro Mendes aparece como favorito natural, sustentado por dois mandatos de forte execução e pela imagem de gestor rigoroso. No entanto, a migração para o Senado exige reposicionamento. O eleitor cobrará articulação política, protagonismo em temas federais e clareza ideológica — pontos que vão além da gestão técnica. Mendes tem musculatura eleitoral, mas precisará ajustar o discurso para um ambiente em que as demandas são outras e o debate político assume outra escala.

Janaina Riva cresce como liderança estadual e aparece como um dos nomes mais competitivos ao Senado. Sua atuação na Assembleia Legislativa, sua capacidade de articulação e sua presença constante no debate público lhe dão projeção. Janaina representa renovação dentro da política tradicional mato-grossense, com estilo que combina firmeza, interlocução e leitura precisa do cenário estadual. Será desafiada pelo confronto direto com Mendes, mas sua força está na autenticidade e na independência de posicionamento.

Carlos Fávaro apresenta outro tipo de disputa. Tem relevância no agronegócio e presença sólida no governo federal, mas enfrenta resistência em parte do eleitorado conservador de Mato Grosso. Sua candidatura depende de como conseguirá comunicar sua atuação no Ministério da Agricultura sem ser absorvido pela rejeição ideológica ao governo Lula. O PSD tem estrutura, mas precisará reforçar sua presença regional para sustentar Fávaro num cenário polarizado.

Há ainda a movimentação do ex-senador e ex-governador Pedro Taques, que volta ao cenário político como possível candidato ao Senado. Taques representa um capítulo singular da política mato-grossense: combina experiência no Ministério Público, projeção nacional como senador e uma trajetória marcada por enfrentamento direto às estruturas tradicionais do Estado. Seu ingresso na disputa pode reorganizar parte do tabuleiro, sobretudo entre eleitores que buscam um perfil independente e crítico ao sistema. Ao mesmo tempo, carrega o desafio de reconstruir pontes e recuperar capital político após uma passagem pelo Executivo que terminou sob desgaste. Taques tenta se reposicionar a partir da narrativa da experiência e do combate à corrupção, mas seu espaço dependerá da capacidade de se reconectar com segmentos do eleitorado que já o apoiaram e com lideranças que hoje operam em novos arranjos partidários.

Por trás desses nomes, a polarização política nacional continua como força determinante. Mato Grosso, embora majoritariamente conservador, combina pragmatismo e cobrança por resultados. O eleitor rejeita radicalização permanente, mas também não aceita fragilidade. A disputa ideológica entre lulismo e bolsonarismo influencia, mas não determina. No Estado, prevalece a percepção sobre entrega, coerência e capacidade de governar um território marcado por desigualdade regional, desafios logísticos e pressão econômica constante.

O que definirá o jogo em Mato Grosso será a combinação entre trajetória, discurso e articulação. A eleição será vencida por quem convencer o eleitor de que tem clareza sobre o estado, conhecimento dos seus desafios e maturidade para enfrentá-los. Não é uma eleição para improvisadores nem para salvadores da pátria. É uma eleição para lideranças capazes de produzir estabilidade, diálogo e visão de futuro.

O tabuleiro está posto. Os movimentos agora são dos candidatos — e, sobretudo, dos eleitores, que sabem que a escolha deste ano definirá qual projeto de futuro prevalecerá em Mato Grosso.



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