Outro dia, ouvi uma história sobre o medo que a criança tem de perder os pais. Quem nunca sentiu esse medo? Lembrei de quando eu era criança e sentia a mesma coisa. Na infância, lá pelos 7 anos, é natural vivenciar esse sentimento; é uma fase de mudanças, em que vai terminando a primeira infância, e eu acredito no quanto esse período pode ser difícil para a criança e para a família.
Nessa história, a menina pediu à mãe que prometesse algo que ela jamais poderia prometer: não morrer. Logicamente, a mãe não podia prometer isso, então a menina a fez prometer outra coisa: que faria tudo para viver o máximo possível. Isso, sim, ela podia prometer.
Mas cumprir essa promessa exige muito mais do que palavras; exige uma mudança de postura. Para viver o máximo possível, é necessário assumir novos hábitos e mudar prioridades. É aí que entram os fatores inegociáveis da vida. Melhorar definitivamente a alimentação, intensificar as atividades físicas e cuidar da saúde do corpo e da mente são aspectos que não deveriam ser negociados. Abrir mão de uma boa noite de sono, trocar comida saudável por qualquer besteira por falta de tempo, trabalhar além da conta ou se manter ocupada com coisas que podem esperar não podem mais ser uma opção, pois isso nos levaria na direção contrária ao compromisso de fazer o possível para viver mais.
Quantas vezes, ao longo da vida, somos convidados a recalcular a rota, reavaliar prioridades e repensar o que realmente é importante? Quantas vezes precisamos nos dar a chance de olhar para aquilo que nos eleva e nos traz à consciência? Algumas experiências servem justamente para lançar luz sobre algo que precisa ser visto e, a partir disso, transformado.
Histórias como essa fazem com que as atividades físicas diárias ganhem outra proporção e deixem de ser negociáveis. Não dá mais para trocar o treino por uma hora a mais para arrumar a casa, por exemplo. Os doces e as bobagens que não nutrem o corpo também mudam de sentido: deixam de ser apenas fontes de prazer rápido e passam a ser sinais de alerta, pois podem comprometer a saúde de quem se comprometeu a cuidar de si. Não se trata de excluir tudo o que pode fazer mal, mas de escolher com mais consciência o que se coloca para dentro do corpo e de realizar os acompanhamentos médicos necessários para garantir que se está fazendo o possível para viver o máximo.
Nesse pacote também entra a saúde mental. Reconhecer que determinados conteúdos, músicas, filmes e séries elevam a consciência, trazem bem-estar e alegria, enquanto outros nos deixam tristes, tensos e mal-humorados. Aqui também é preciso escolher criteriosamente o que deve entrar pelos olhos e ouvidos. As relações igualmente precisam ser avaliadas, para que não sustentemos vínculos tóxicos e adoecidos, escolhendo com mais cuidado os espaços e as pessoas com quem convivemos.
Tudo isso nos leva a refletir sobre a importância de identificar aquilo que é inegociável na vida. Tempo para educar os filhos é inegociável. Nutrir relações saudáveis é inegociável. Cuidar da saúde mental é inegociável. Atividades que nos ajudam a desenvolver virtudes são inegociáveis. Tempo de qualidade com as pessoas que amamos também é inegociável.
Evidentemente, cada um escolhe aquilo que não pode negociar. O mais importante é fazer essa escolha de forma consciente. Com o tempo, é natural reconhecer que as prioridades mudam e que certas experiências nos ajudam a compreender com mais clareza o que é inegociável em cada etapa da vida.
E para você, o que é inegociável?
Ariadne Castro Camargo é psicóloga clínica humanista, professora, mãe, dedicada ao estudo da filosofia e voluntária na Escola de Filosofia à maneira Clássica - Nova Acrópole Cuiabá. @ariadnecastrocamargopsi






Margoh 30/01/2026
Simplesmente verdadeiro. Orgulhosamente parabenizo.
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