NOTICIÁRIO Sexta-feira, 28 de Agosto de 2026, 20:26 - A | A

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OURO ILEGAL

PF prende empresários e rastreia ouro de Poconé

Da Redação

Ilustração produzida por IA

Ouro Ilegal

 

A Polícia Federal prendeu preventivamente dois empresários em Cuiabá e cumpriu 22 mandados de busca e apreensão em três estados na Operação Arcanjo, investigação destinada a rastrear uma cadeia de aquisição e comercialização de ouro de origem ilícita que teria como ponto de partida a região de Poconé, em Mato Grosso, e chegaria a São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.

Os dois presos foram identificados por veículos da imprensa de Mato Grosso como José Roberto Ribeiro e Geraldo Henrique Costa Neto. A Polícia Federal confirmou as duas prisões preventivas, mas, até o fechamento desta reportagem, não havia divulgado oficialmente os nomes dos investigados.

Geraldo Henrique Costa Neto possui vínculo empresarial direto com o setor mineral. Ele é titular da GM Brasil Mineração, nome fantasia de empresa individual registrada em Poconé, com atividade econômica principal de extração de minério de metais preciosos.

O cadastro empresarial também registra entre as atividades da empresa extração de gemas, comércio atacadista de produtos da extração mineral e comércio de joias, relógios, bijuterias e pedras preciosas.

A vinculação empresarial, por si só, não comprova participação nas condutas investigadas. A atribuição específica que a Polícia Federal faz ao empresário dentro da estrutura sob investigação ainda não foi divulgada.

Também não havia sido localizada, até esta atualização, manifestação das defesas de José Roberto Ribeiro e Geraldo Henrique Costa Neto.

Do ouro ao dinheiro

Segundo a Polícia Federal, a investigação identificou a negociação de aproximadamente 17,3 quilos de ouro e movimentação superior a R$ 5,2 milhões relacionada às operações apuradas.

A análise financeira permitiu aos investigadores mapear uma estrutura composta por fornecedores, operadores financeiros, intermediários, transportadores e compradores.

O circuito começaria na região de Poconé. De Mato Grosso, o ouro seguiria para São José do Rio Preto, onde seria recebido e mantido em um estabelecimento utilizado para custódia e comercialização.

A investigação procura estabelecer não apenas a origem do minério, mas também o caminho percorrido pelo dinheiro.

Segundo informações divulgadas sobre a apuração, teriam sido identificadas movimentações envolvendo contas de terceiros, pessoas jurídicas e empresas ligadas a pagamentos digitais, além de saques de valores em espécie.

A Polícia Federal afirma ter encontrado mecanismos destinados à ocultação e à dissimulação dos recursos provenientes das operações.

Os fatos investigados podem configurar, em tese, os crimes de usurpação de matéria-prima pertencente à União, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Joalheria confirma busca

A Império Jóias, de Poconé, confirmou publicamente ter sido alvo de mandado de busca e apreensão durante a Operação Arcanjo.

Em nota divulgada nesta sexta-feira, a empresa afirmou que colaborou integralmente com a Polícia Federal e que, segundo sua versão, nada de ilícito foi encontrado no estabelecimento.

A confirmação de que uma empresa foi alvo de busca não significa responsabilização criminal. A Polícia Federal não divulgou a relação completa das pessoas físicas e jurídicas investigadas nem detalhou a condição processual da joalheria.

A operação alcançou Cuiabá, Várzea Grande, Poconé e Pontes e Lacerda, em Mato Grosso; Campo Grande, em Mato Grosso do Sul; e São José do Rio Preto, em São Paulo.

Segunda operação em dez dias

A ofensiva desta sexta-feira ocorre dez dias depois de outra investigação federal atingir a cadeia clandestina do ouro em Mato Grosso.

Em 18 de agosto, Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal deflagraram a Operação Solo Sagrado para investigar a extração ilegal de ouro na Terra Indígena Sararé e sua posterior inserção no mercado formal.

Foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva, além de quebra de sigilos bancário e fiscal e sequestro de bens e valores.

A investigação da Solo Sagrado revelou uma estrutura econômica de dimensão superior à identificada até agora na Operação Arcanjo.

Somente um dos núcleos financeiros investigados movimentou mais de R$ 20 milhões entre 2022 e 2025. Outros R$ 3,5 milhões foram identificados em recebimentos provenientes de instituições de pagamento e empresas de serviços digitais.

Segundo os investigadores, a estrutura atuaria desde o financiamento e apoio logístico às frentes de garimpo até a circulação e comercialização do ouro.

A Receita Federal identificou indícios de utilização de cooperativas para conferir aparência de origem lícita ao minério e permitir sua introdução no mercado formal.

Durante fiscalização na Terra Indígena Sararé, uma escavadeira hidráulica pertencente a uma das empresas investigadas foi encontrada em atividade de garimpo ilegal. O equipamento foi apreendido e inutilizado. Posteriormente foi aplicada multa administrativa superior a R$ 3 milhões.

Duas investigações, nenhuma conexão confirmada

Apesar da proximidade temporal e de ambas atingirem a cadeia econômica do ouro em Mato Grosso, não existe até agora informação oficial estabelecendo conexão entre os investigados da Operação Arcanjo e os alvos da Operação Solo Sagrado.

Também não há confirmação de que o ouro investigado na Arcanjo tenha sido retirado da Terra Indígena Sararé.

São, portanto, duas investigações distintas.

O elemento comum conhecido até agora está no objeto das apurações: os mecanismos utilizados para retirar ou adquirir ouro de origem clandestina, movimentá-lo entre diferentes agentes econômicos e introduzi-lo no mercado formal.

Na Operação Arcanjo, uma das principais questões ainda sem resposta é justamente a origem física dos 17,3 quilos de ouro identificados pela investigação.

A análise dos celulares, computadores, documentos, movimentações bancárias e demais materiais apreendidos deverá permitir à Polícia Federal reconstruir com maior precisão a cadeia formada por fornecedores, intermediários, transportadores e compradores.

O Nossa República continuará acompanhando a investigação e atualizará esta reportagem quando houver divulgação dos demais alvos, das empresas envolvidas, da decisão judicial que autorizou as prisões e buscas e das manifestações das defesas.

 

Nota de Transparência

Esta reportagem foi produzida prioritariamente a partir de informações oficiais da Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal sobre as operações Arcanjo e Solo Sagrado.

A Polícia Federal confirmou duas prisões preventivas na Operação Arcanjo, mas não divulgou oficialmente os nomes dos presos até o fechamento desta versão. A identificação de José Roberto Ribeiro e Geraldo Henrique Costa Neto foi publicada por diferentes veículos jornalísticos de Mato Grosso e é apresentada com essa ressalva.

A vinculação de Geraldo Henrique Costa Neto à GM Brasil Mineração foi confrontada com informações cadastrais empresariais disponíveis publicamente.

A Império Jóias confirmou publicamente ter recebido mandado de busca e divulgou nota afirmando ter colaborado com a Polícia Federal e que nada ilícito foi encontrado em seu estabelecimento.

Não existe até agora confirmação oficial de vínculo entre os investigados das operações Arcanjo e Solo Sagrado nem de que o ouro investigado na Arcanjo tenha origem na Terra Indígena Sararé. A reportagem será atualizada à medida que novos documentos, manifestações das defesas e informações oficiais forem disponibilizados.

A espinha dorsal documental permanece bastante sólida: a comunicação oficial da Polícia Federal sobre a Arcanjo⁠ confirma os 22 mandados de busca, duas prisões, R$ 5,2 milhões e 17,3 kg de ouro. A Polícia Federal também documenta a Operação Solo Sagrado⁠, enquanto a Receita Federal detalha a investigação financeira da operação anterior⁠.



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Redação: Av. Historiador Rubens de Mendonça, nº 2000, 12º andar, sala 1206, Centro Empresarial Cuiabá

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