O Podemos decidiu apoiar a candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) à reeleição em Mato Grosso. O anúncio feito pelo presidente estadual da legenda, deputado Max Russi, encerrou uma negociação que atravessou o último dia do prazo das convenções, passou pela possibilidade de candidatura própria e incluiu ofertas de participação nas chapas majoritárias de Pivetta e Wellington Fagundes (PL).
O desfecho mantém o Podemos no grupo político do qual Max faz parte desde o início do Governo Mauro Mendes. Mas a adesão ocorre sem que o partido tenha conquistado a vaga de vice-governador ou uma posição confirmada nas duas candidaturas governistas ao Senado.
A chapa encabeçada por Pivetta tem Fábio Garcia, do União Brasil, como candidato a vice. As duas candidaturas ao Senado são de Mauro Mendes, também do União, e Margareth Buzetti, do PP.
Ao anunciar a decisão, Max afirmou que consultou prefeitos, candidatos e dirigentes da legenda. Segundo ele, a maioria defendeu a continuidade da relação política construída com o Governo do Estado.
Uma decisão após sucessivos movimentos
A escolha de Pivetta encerra uma sequência de mudanças de posição do Podemos.
Inicialmente, Max negociava a participação do partido na chapa governista. A prioridade era a vaga de vice, para a qual foram apresentados nomes como o empresário Elson Ramos e a primeira-dama de Rondonópolis, Alessandra Ferreira.
A definição de Fábio Garcia para a vice, na segunda-feira (3), retirou do Podemos o principal espaço pretendido. Naquela mesma noite, Max anunciou que o partido trabalharia pela construção de uma candidatura própria ao Governo.
A possibilidade, entretanto, durou menos de um dia. Na abertura da convenção partidária, na terça-feira (4), Max descartou a candidatura própria e informou que a decisão ficaria entre Pivetta, Wellington ou a neutralidade.
A convenção terminou sem uma definição. Os convencionais homologaram as chapas proporcionais e transferiram à Executiva estadual o poder de decidir sobre a aliança majoritária.
Durante esse período, Wellington ofereceu ao Podemos a possibilidade de indicar seu candidato a vice, posição que poderia ser ocupada por Elson Ramos. A composição exigiria, porém, que Max rompesse com o grupo governista e ingressasse formalmente na oposição estadual.
Suplência foi oferecida e recusada
Antes do anúncio, Pivetta se reuniu com Max, Fábio Garcia, Rogério Gallo, Eduardo Manciolli e Mauro Carvalho. Ao comentar o encontro, o governador afirmou que aproximadamente 90% dos candidatos do Podemos preferiam a continuidade da parceria com o Governo.
Pivetta também revelou que Gallo colocou à disposição do partido a segunda suplência na candidatura de Mauro Mendes ao Senado. Segundo o governador, Max agradeceu, mas recusou a oferta.
Compromissos programáticos
Sem ocupar posição confirmada na chapa majoritária, o Podemos informou ter apresentado ao grupo governista uma pauta com compromissos para os próximos quatro anos.
Entre os temas mencionados por Max estão políticas habitacionais e valorização dos servidores públicos. O conteúdo integral do documento, caso tenha sido formalizado, ainda não foi divulgado.
O presidente do partido também reconheceu que o tempo disponível e a falta de condições políticas impediram a construção de uma candidatura própria ao Governo.
“Decisão tomada, ouvindo a todos. Vamos juntos seguir firmes na caminhada por um Mato Grosso cada vez melhor”, afirmou.
Pivetta amplia base
A entrada do Podemos amplia a base parlamentar e municipal de Pivetta. O partido chegou às convenções com três deputados estaduais, candidaturas competitivas à Assembleia e à Câmara Federal e um grupo de prefeitos distribuído por diferentes regiões do Estado.
A legenda homologou 25 candidatos a deputado estadual e nove a deputado federal. Entre seus principais nomes estão os deputados Max Russi, Beto Dois a Um e Fábio Tardin, além de candidaturas como as de Nelson Barbudo, Neri Geller e Coronel Roveri à Câmara.
Esse conjunto dá ao Podemos importância superior ao espaço que obteve na composição majoritária. Para Pivetta, a adesão reduz a possibilidade de dispersão de sua base na Assembleia e acrescenta estruturas municipais à campanha.
Wellington perde a última disputa
Para Wellington Fagundes, o resultado representa uma derrota na última grande negociação das convenções.
A oferta da vice ao Podemos poderia reforçar sua candidatura e retirar do Governo uma legenda com presença expressiva no Legislativo. Com a decisão de Max, Wellington deverá manter a negociação com o Novo para confirmar Marcelo Maluf como candidato a vice.
O senador permanece apoiado pelo MDB, que lançou Janaína Riva ao Senado, e recebeu a adesão de Jayme e Lucimar Campos. A chapa, entretanto, convive com resistências dentro do próprio PL e com a decisão de José Medeiros de conduzir uma campanha ao Senado independente da candidatura de Janaína.
Pragmatismo e preservação política
A escolha do Podemos foi orientada por uma avaliação pragmática. Ao apoiar Wellington, Max teria acesso à vice, mas precisaria abandonar uma relação construída ao longo de quase oito anos com Mauro Mendes, Pivetta e a estrutura do Governo.
Ao permanecer com Pivetta, o presidente da Assembleia evita o rompimento, preserva sua influência institucional e fortalece as chapas proporcionais do partido. Em contrapartida, aceita ingressar na coligação sem ocupar, até agora, uma vaga de destaque na composição majoritária.
O movimento também evidencia os limites da pressão exercida pelo Podemos. A ameaça de candidatura própria reabriu as conversas, mas não alterou a escolha de Fábio Garcia para vice. Max retornou ao campo governista sem a posição inicialmente reivindicada.
Nota de Transparência
Esta matéria foi produzida a partir da declaração pública de Max Russi anunciando a decisão do Podemos, das manifestações de Otaviano Pivetta sobre a reunião realizada nesta quarta-feira (5).






