NOTICIÁRIO Sábado, 24 de Janeiro de 2026, 18:59 - A | A

Sábado, 24 de Janeiro de 2026, 18h:59 - A | A

Polícia de Trump mata mais um em Minneapolis e reacende debate sobre operações federais

Da Redação com ABr

Um homem de 37 anos morreu neste sábado (24) em Minneapolis após ser baleado por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). Segundo autoridades locais, ele morava na cidade e seria cidadão norte‑americano. O episódio ocorreu durante uma operação federal voltada à localização de um imigrante em situação irregular no estado de Minnesota. As informações são do jornalista Wellton Máximo, da ABr.

O governador Tim Walz descreveu o caso como “atroz” e afirmou ter exigido da Casa Branca o fim imediato das operações federais no estado. “Minnesota não aguenta mais. Isso é repugnante”, publicou em rede social. O Departamento de Segurança Interna informou que o homem estava armado com uma pistola semiautomática e dois carregadores e teria reagido de forma violenta, o que levou um agente a disparar.

Vídeos não verificados que circulam nas redes mostram agentes usando coletes com a inscrição “Polícia” imobilizando uma pessoa no chão antes dos tiros. O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, declarou que o caso foi comunicado à corporação por volta das 9h e que a vítima aparentemente possuía porte legal de arma, permitido pela legislação estadual.

Autoridades democratas criticaram a operação. O prefeito Jacob Frey afirmou que a ação reacende tensões que vêm se acumulando desde o início do mês, quando outra intervenção do ICE resultou na morte de Renee Good, cidadã norte‑americana de 37 anos. O episódio desencadeou protestos e investigações ainda em andamento.

Nas redes sociais, o presidente Donald Trump responsabilizou policiais locais pelo tiroteio. Ele elogiou agentes do ICE como “patriotas” e acusou o governador e o prefeito de provocarem uma “insurreição”. Trump compartilhou a imagem de uma arma atribuída à vítima e afirmou que autoridades estaduais estariam “encobrindo fatos” para enganar o governo federal.

O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu investigação sobre práticas migratórias adotadas pelo governo norte‑americano. Segundo ele, políticas recentes têm resultado em “abusos rotineiros”, prisões arbitrárias e ações que estariam “destruindo famílias”. Em comunicado emitido na sexta‑feira (23), Türk disse estar “estarrecido” com detenções violentas e ilegais baseadas apenas na suspeita de irregularidade migratória.

O alto comissário afirmou que operações do ICE têm ocorrido em locais como hospitais, escolas e igrejas. “Indivíduos estão sendo vigiados e detidos, às vezes de forma violenta, frequentemente apenas sob a mera suspeita de serem migrantes indocumentados”, declarou. Ele criticou ainda o que classificou como abordagem “desumanizante” em relação a migrantes e refugiados.

Um dos casos mencionados pela ONU ocorreu na terça‑feira (20), também em Minneapolis, quando um menino de cinco anos foi detido com o pai por agentes migratórios. Segundo autoridades educacionais locais, a criança teria sido usada como “isca” para localizar outros imigrantes em uma residência. Ambos foram encaminhados para um centro de detenção no Texas, segundo o advogado da família.

Türk expressou preocupação com o uso de força considerada desnecessária ou desproporcional. Ele lembrou que o direito internacional permite o uso letal apenas como último recurso, diante de ameaça iminente à vida. As ações do ICE têm se intensificado nos últimos meses, mobilizando milhares de agentes federais em grandes cidades.

Outro ponto destacado pelo alto comissário foi a falta de acesso oportuno à assistência jurídica e a ausência de avaliações individualizadas em processos de prisão e deportação. Para a ONU, essas práticas ignoram a preservação da unidade familiar e colocam crianças em risco. Türk solicitou investigação independente sobre mortes sob custódia do ICE. Segundo ele, ao menos 30 mortes ocorreram em 2025 e outras seis foram registradas neste ano.

“Os Estados Unidos têm o direito de definir suas políticas migratórias, mas isso deve ser feito em plena conformidade com o direito internacional e o devido processo legal”, afirmou. Ele pediu que Washington encerre práticas que, segundo a ONU, violam direitos fundamentais e afetam a confiança pública.

Repercussão nos principais jornais americanos

The New York Times destacou o episódio como mais um elemento de escalada de tensão entre autoridades estaduais e o governo federal. O jornal enfatizou o impacto político no estado e a repetição de mortes envolvendo agentes federais em Minneapolis.

The Washington Post deu foco ao questionamento sobre o uso da força e ao aumento das operações migratórias. A publicação ressaltou que autoridades estaduais pedem revisão imediata dos protocolos federais.

Los Angeles Times repercutiu a fala do governador Tim Walz e a cobrança pela suspensão das ações do ICE em Minnesota. O veículo relacionou o caso ao clima de protestos que cresce desde a morte de Renee Good.

USA Today apontou o temor de que novos confrontos possam ocorrer, especialmente após as declarações de Trump responsabilizando autoridades locais.

Reuters e Associated Press (AP) também repercutiram o caso, reforçando o contexto político e o apelo internacional vindo da ONU.



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