O pré-candidato ao Senado pelo Avante, Antônio Galvan, levou ao microfone da Rádio Cultura FM de Cuiabá uma denúncia grave e direta: há parlamentares cobrando propina disfarçada de "devolução" sobre emendas parlamentares — e o percentual chega a 50% do valor total do recurso. As informações foram prestadas em entrevista ao Jornal da Cultura, aos jornalistas Antero Paes de Barros e Michely Figueiredo.
Galvan afirmou que ouviu de prefeitos e ex-prefeitos o relato da prática. "Casos de 50% de volta, 30%. O cara chega com a emenda e pede um valor absurdo de volta para liberar. O prefeito não pega, e o deputado sai falando na cidade: 'Eu vim trazer o recurso, o prefeito de vocês não quis'. Isso eu escutei, e não foi de um, nem de dois."
Para ele, a denúncia expõe a face mais perversa do sistema de emendas parlamentares — um mecanismo que, em sua avaliação, deveria ser simplesmente extinto. "O legislativo foi criado para legislar e fiscalizar, não para fazer gestão de recurso. O que a polícia bate, acha esquema. Escapou alguma prefeitura, algum governo do Estado? A corrupção está galgada em cima das emendas."
O pré-candidato explicou a dinâmica: o parlamentar consegue a emenda, mas o prefeito precisa devolver parte do dinheiro — às vezes 30, às vezes 50 por cento — para que o recurso seja efetivamente liberado. Quando o gestor se recusa, o político usa o próprio fato como arma eleitoral contra ele. "O cara não tem contrapartida para colocar no restante da obra. Aí o prefeito fica numa sinuca: não pega o recurso porque teria que devolver metade e ainda colocar dinheiro do município. E vira alvo de mentira na cidade."
Galvan defende que os recursos públicos devem chegar diretamente aos municípios, nas mãos do gestor eleito, sem intermediação do Legislativo. "Quem quiser fazer gestão de dinheiro, vira prefeito, governador ou presidente da República. Quem está no Legislativo tem que fazer gestão das próprias despesas e fiscalizar."
O pré-candidato fez questão de ressaltar que sua campanha ao Senado não conta com estrutura financeira tradicional e que isso, para ele, é motivo de orgulho. "Desafio alguém a achar uma única pessoa que eu contratei no interior em 2022. Todos foram voluntários. Tive voto em todos os municípios. Política não se faz só com dinheiro."
Ao final, deixou um recado direto ao eleitor: "Cobre do seu candidato a mudança da lei. O município é que abriga as pessoas no primeiro momento. É o gestor municipal o responsável direto. O recurso tem que chegar sem contrapartida, sem taxa, sem devolução."






