NOTICIÁRIO Quinta-feira, 31 de Julho de 2025, 14:18 - A | A

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RELAÇÕES COMERCIAIS

Tesouro dos EUA busca diálogo com Haddad sobre tarifas

Da Redação com Abr

O Tesouro dos Estados Unidos procurou o Ministério da Fazenda do Brasil para agendar uma reunião a fim de debater as novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump a uma parte das exportações brasileiras. As informações foram divulgadas pelo ministro Fernando Haddad, conforme apurado pelo jornalista Lucas Pordeus León, da Agência Brasil.

Ainda não há uma data definida para o encontro, que será o segundo entre Haddad e o Secretário do Tesouro americano, Scott Bessent. O primeiro ocorreu em maio, antes do anúncio da sobretaxa de 50% sobre centenas de produtos brasileiros.

“A assessoria do secretário Bessent fez contato conosco ontem [quarta-feira, 30] e, finalmente, vai agendar uma segunda conversa”, afirmou o ministro da Fazenda nesta quinta-feira (31). Haddad disse que o governo brasileiro levará seu ponto de vista às autoridades americanas nesta nova rodada de discussões.

Apesar da retomada do diálogo, o ministro destacou que as negociações estão apenas no começo. “Nós estamos em um ponto de partida mais favorável do que se imaginava. Mas longe do ponto de chegada. Há muita injustiça nas medidas que foram anunciadas ontem”, esclareceu Haddad.

Cerca de 700 produtos brasileiros foram excluídos da lista final do tarifaço, o que representa, segundo estimativas, 43% do valor total que o Brasil exporta para os Estados Unidos. No setor mineral, um dos mais importantes na pauta de exportação, aproximadamente 25% dos produtos foram sobretaxados.

Apesar das exceções, o ministro Fernando Haddad reconheceu que o impacto da medida é “dramático” para alguns setores da economia nacional. Ele anunciou que, nos próximos dias, o governo divulgará um plano de contingência para auxiliar as empresas e os empregos prejudicados pelas novas tarifas americanas.

“Há casos que são dramáticos, que deveriam ser considerados imediatamente. Nós vamos lançar parte do nosso plano previsto para ser lançado nos próximos dias de apoio e proteção à indústria e aos empregos”, disse o ministro.

O pacote de ajuda deverá incluir a oferta de linhas de crédito e outras formas de apoio direto às companhias afetadas. Haddad manifestou alívio pelos setores que foram poupados, mas ressaltou a necessidade de proteger os segmentos mais frágeis e que, embora menores, são importantes para a manutenção de postos de trabalho no país.

“Tem setores que, na pauta de exportação, não são significativos, mas o efeito sobre eles é muito grande. Às vezes, o setor é pequeno, mas é importante para o Brasil manter os empregos”, explicou.

O ministro avaliou que mesmo grandes setores, como os de commodities, que possuem um mercado global consolidado, precisarão de um período de adaptação para redirecionar suas vendas.

“Obviamente, tem setores afetados cuja solução de curto prazo é mais fácil porque se trata de uma commoditie que o Brasil tem muitos mercados abertos, mas, ainda esses, vão exigir algum tempo de adaptação. Você não muda um contrato de uma hora para outra. Temos que analisar caso a caso e vamos ter as linhas [de crédito] para isso”, detalhou.

Haddad fez questão de separar as negociações comerciais da crise política gerada pela sanção dos EUA ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Ele reafirmou que qualquer tentativa de interferir no julgamento sobre a tentativa de golpe de Estado no Brasil não pode entrar na mesa de negociação, ressaltando a independência do Poder Judiciário.

“Talvez o Brasil seja uma das democracias mais amplas do mundo, ao contrário do que a Ordem Executiva [de Trump] faz crer”, afirmou o ministro.

“Nós temos que explicar que a perseguição ao ministro da Suprema Corte [Alexandre de Moraes] não é o caminho de aproximação entre os dois países”, concluiu Haddad.



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