NOTICIÁRIO Quarta-feira, 02 de Setembro de 2026, 12:01 - A | A

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CRISE SE INTENSIFICA

Thiago Boava denuncia “boicote” dentro do PL após rejeitar palanque de Wellington Fagundes

Da Redação

Divulgação

thiago boava

O candidato a deputado federal pelo PL em Mato Grosso, Thiago Boava, afirmou que está sendo “sabotado” dentro do próprio partido por não aderir ao palanque do senador Wellington Fagundes, candidato da legenda ao Governo de Mato Grosso. Em vídeo publicado nas redes sociais, Boava acusou o partido de romper compromissos políticos firmados com ele, com o candidato ao Senado José Medeiros e com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A declaração ocorre em meio ao racha que se aprofundou no PL mato-grossense depois que a legenda decidiu formar aliança com o MDB para a disputa estadual. Boava afirmou que não pretende subir no palanque formado em torno de Fagundes e pediu aos eleitores que observem quais candidatos a deputado federal estarão ao lado do grupo durante a campanha.

“Não sei se é por esse motivo que estou sendo sabotado, por não subir no palanque que foi montado. Mas, se o preço for esse, eu ficarei aqui embaixo, sem subir nesse palanque”, afirmou.

Segundo o candidato, o PL, que se apresenta sob as bandeiras de “Deus, Pátria, Família e Liberdade”, teria rompido com um de seus princípios, a “moralidade”. Boava também declarou que a legenda não teria cumprido acordos previamente estabelecidos.

“Não cumpriu comigo o que foi combinado. Não cumpriu também o que foi combinado com o Zé Medeiros, não cumpriu o que foi combinado com o capitão”, disse, em referência a Jair Bolsonaro. No entanto, Boava não descreveu que acordos não teriam sido honrados. 

Uma das expectativas frustradas foi o lançamento de candidatura única ao Senado. Medeiros não queria um segundo nome disputando pelo grupo. No entanto, no prazo final de articulação, PL e MDB selaram acordo e Janaina Riva, candidata ao Senado, ganhou espaço no palanque. Medeiros ficou desconfortável com o arranjo. 

Crise começou com aliança entre PL e MDB

A manifestação de Boava acontece semanas depois de o PL em Mato Grosso fechar uma composição com o MDB para a eleição de 2026. O acordo colocou Wellington Fagundes na disputa pelo Governo e reuniu no mesmo arco eleitoral PL, MDB, Novo, PRD e Solidariedade.

A aliança provocou reação imediata dentro do próprio PL. O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, anunciou que não faria campanha para Wellington e para a candidata do MDB ao Senado, Janaina Riva. Na ocasião, afirmou que sua prioridade seria a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, a campanha de José Medeiros ao Senado e os candidatos proporcionais do PLl, principalmente a sua esposa, Samantha Iris, que disputa uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

A resistência também partiu de Medeiros. O deputado federal, que disputa uma das duas vagas ao Senado, sempre se posicionou contra a aproximação com o MDB e chegou a afirmar que não pediria votos para Janaina Riva. Sobre a candidatura de Wellington, resumiu sua posição dizendo que “não vai atrapalhar”.

O conflito chegou a provocar ameaças de expulsão de integrantes do PL que não acompanhassem o projeto eleitoral de Wellington. O presidente estadual da legenda, Ananias Filho, confirmou a existência de mensagens que advertiam filiados sobre possíveis consequências para quem fizesse campanha contrária ao candidato do partido ao Governo.

A crise também alcançou os prefeitos. Wellington Fagundes chegou a articular com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, a possível expulsão de prefeitos da legenda que declararam apoio ao governador Otaviano Pivetta.

Posteriormente, um movimento mais amplo expôs a dificuldade de Wellington em manter unificada sua base. Uma carta de apoio a Pivetta reuniu 133 dos 142 prefeitos de Mato Grosso, sendo 25 deles ligados ao arco de alianças de Wellington: 13 do MDB e 12 do PL.

“Esse palanque fortalece interesses pessoais”, diz Boava

No vídeo, Boava associa sua decisão de permanecer fora do palanque de Wellington à defesa de uma posição política que considera coerente com o bolsonarismo.

O candidato afirmou que pretende dar continuidade ao trabalho desenvolvido pela ex-deputada federal Amália Barros, sua esposa, e disse que sua entrada na política ocorreu para defender aquilo em que acredita.

“Não estou indo para a política pra fazer o que não acredito. Estou indo de peito aberto pra fazer o que acredito e dar continuidade no trabalho sério que a Amália iniciou”, declarou, referindo-se à trajetória política de Amália.

Boava também pediu que os eleitores avaliem, no dia da eleição, quais candidatos a deputado federal estarão no palanque de Wellington.

“Esse palanque não fortalece Zé Medeiros, o principal ativo do capitão (Jair Bolsonaro). Esse palanque não fortalece a liberdade que tanto buscamos. Esse palanque fortalece interesses pessoais”, afirmou.

A referência a Medeiros ocorre em um momento no qual o próprio candidato ao Senado mantém uma campanha relativamente independente em relação a Wellington. O episódio mais recente do confronto ocorreu no início da propaganda eleitoral gratuita, quando Medeiros protagonizou uma inserção na televisão em que cortava uma melancia, numa crítica aos chamados políticos “melancia”. A peça foi interpretada nos bastidores como uma provocação a Wellington, embora o candidato não tenha citado o senador nominalmente.

Fagundes ganhou o apelido de melancia da ala mais radical do bolsonarismo. Isso por ser "verde por fora e vermelho por dentro". O vermelho faria referência ao perído em que Fagundes apoiou as gestões de Lula e Dilma Rousseff no governo federal. 

Boava já recebeu R$ 400 mil do PL

Apesar da acusação de boicote, a prestação de contas eleitoral mais recente disponível para a candidatura mostra que Thiago Boava recebeu R$ 400 mil da direção nacional do PL, provenientes do Fundo Especial de Financiamento de Campanha.

O valor representa a maior fonte individual de recursos declarados pela campanha. Além do repasse partidário, Boava registra R$ 100 mil em doação de pessoa física, R$ 9.396 em financiamento coletivo e R$ 5,5 mil em recursos próprios. Ao todo, a arrecadação declarada chega a aproximadamente R$ 514,9 mil.

O repasse de R$ 400 mil coloca Boava entre os candidatos a deputado federal beneficiados diretamente pela direção nacional do PL em Mato Grosso. O partido também destinou R$ 400 mil a Giovane Mendes e Gilberto Mello, enquanto os maiores repasses foram para Rodrigo da Zaeli, com R$ 2,675 milhões; Coronel Assis, com R$ 2,1 milhões; e Rafael Ranalli, com R$ 1 milhão.

Apoio do casal Bolsonaro

Boava entrou na disputa pela Câmara Federal com apoio público do núcleo bolsonarista. Em agosto, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro classificou o produtor rural como “candidato do nosso capitão” e afirmou que ele teria a missão de dar continuidade ao trabalho realizado por Amália Barros.

A candidatura foi homologada pelo PL durante a convenção estadual realizada em julho. Boava integra a chapa do partido para deputado federal ao lado de Coronel Assis, Coronel Fernanda, Giovane Mendes, Luísa Böer, Gislaine Yamashita, Rafael Ranalli e Rodrigo Zaeli.

Agora, ao declarar publicamente que não pretende participar do palanque de Wellington, Boava amplia o conflito dentro de uma legenda que tenta conciliar, em Mato Grosso, diferentes grupos da direita e uma aliança formal com o MDB.

A poucos dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, a disputa interna transforma o palanque de Wellington em mais um teste de fidelidade dentro do PL e Boava decidiu deixar claro que não pretende participar dele.





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