NOTICIÁRIO Quarta-feira, 09 de Julho de 2025, 19:00 - A | A

Quarta-feira, 09 de Julho de 2025, 19h:00 - A | A

CONTRA O BRASIL

Trump Impõe Tarifa de 50% ao Brasil e declara guerra comercial em defesa de Bolsonaro

Da Redação com portais e agências nacionais

Pixabay

Donald Trump

 

A relação diplomática e comercial entre o Brasil e os Estados Unidos, as duas maiores democracias do hemisfério, mergulhou em sua mais grave crise em décadas. Em uma decisão de impacto sísmico, o presidente americano Donald Trump anunciou nesta quarta-feira a imposição de uma tarifa punitiva de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. A medida, que entrará em vigor em 1º de agosto, não se baseia em disputas comerciais tradicionais, mas sim em uma justificativa abertamente política: uma retaliação às instituições brasileiras pelo que Trump classifica como uma "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e um ataque à liberdade de expressão promovido pelo Judiciário brasileiro.

A notícia caiu como uma bomba no Palácio do Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou imediatamente uma reunião de emergência com seu núcleo duro, incluindo o chanceler Mauro Vieira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. Sobre a mesa, estão respostas que vão desde a convocação da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, até a elaboração de uma lista de produtos americanos que poderiam ser sobretaxados em retaliação.

A justificativa de Trump, detalhada em uma carta dura enviada a Lula e postada em suas redes sociais, representa uma quebra de todos os protocolos diplomáticos. O presidente americano não apenas ataca a soberania de outro país ao interferir em seus assuntos judiciais internos, como também instrumentaliza a política comercial de forma explícita, algo vedado pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

"A maneira como o Brasil tratou o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional", escreveu Trump. "Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma Caça às Bruxas que deve terminar IMEDIATAMENTE!", completou, referindo-se aos processos que tornaram o ex-presidente inelegível.

A escalada é sem precedentes. Nem mesmo durante os anos mais sombrios da Ditadura Militar (1964-1985), quando o governo de Jimmy Carter pressionava o regime por violações de direitos humanos, tortura e ausência de democracia, sanções comerciais desta magnitude foram impostas ao Brasil. A decisão de Trump marca uma nova era de instabilidade, onde a maior economia do mundo se sente à vontade para usar seu poder de mercado como uma arma para ditar políticas internas de nações parceiras.

O argumento central de Trump vai além da defesa de seu aliado político. Ele mira diretamente no coração das instituições brasileiras, ecoando narrativas da extrema-direita. O presidente americano acusa o Supremo Tribunal Federal (STF) de promover censura e atacar a liberdade de expressão de empresas americanas.

"Devido, em parte, aos ataques insidiosos do Brasil às eleições livres e aos direitos fundamentais de liberdade de expressão dos americanos (conforme ilustrado recentemente pela Suprema Corte do Brasil, que emitiu centenas de ordens de censura SECRETAS e INJUSTAS para plataformas de mídia social dos EUA, ameaçando-as com multas de até R$ 1 milhão e expulsão do mercado brasileiro de mídia social), a partir de 1º de agosto de 2025, cobraremos do Brasil uma tarifa de 50%", afirma a carta.

A menção às ordens judiciais remete diretamente às decisões do ministro Alexandre de Moraes no âmbito de inquéritos que investigam a disseminação de fake news e ataques antidemocráticos, uma pauta sensível e que gerou atritos com plataformas como o X (antigo Twitter), de Elon Musk, outro aliado de Trump. Ao adotar essa narrativa, Trump não apenas compra uma briga em nome de Bolsonaro, mas também se alinha a uma agenda global de ataque a sistemas judiciários que tentam regular a desinformação online.

Fontes do Itamaraty, ouvidas por agências de notícias e portais nacionais, expressaram choque e perplexidade. "É uma agressão frontal. Não há outra palavra", afirmou um diplomata experiente. "Ele está usando argumentos de política interna, que são, no mínimo, distorcidos, para justificar uma guerra comercial. Isso destrói qualquer previsibilidade e confiança nas relações internacionais."

A ilegalidade da medida sob a ótica da OMC é clara. As regras do comércio global proíbem a discriminação e o uso de barreiras por razões puramente políticas. O problema é que, na prática, o Brasil tem poucas saídas. O Órgão de Apelação da OMC, que funciona como uma corte suprema para disputas comerciais, está paralisado há anos por um bloqueio dos próprios Estados Unidos à nomeação de novos juízes. Sem um tribunal funcional, o Brasil não tem onde recorrer para reverter a medida.

O impacto da tarifa de 50% na economia brasileira pode ser devastador. Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, e um destino crucial para produtos de alto valor agregado. Em 2024, as exportações brasileiras para o mercado americano somaram mais de US$ 37 bilhões. Com a nova tarifa, a competitividade de praticamente todos os produtos brasileiros será dizimada da noite para o dia.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) soltou uma nota de repúdio imediato, alertando para "consequências catastróficas". Segundo a entidade, setores inteiros podem ser paralisados. A indústria aeronáutica, liderada pela Embraer, é uma das mais vulneráveis. A empresa brasileira é uma grande fornecedora de jatos regionais e executivos para o mercado americano. Uma tarifa de 50% pode inviabilizar suas operações e colocar em risco milhares de empregos qualificados.

O agronegócio, motor da balança comercial brasileira, também sofrerá um golpe duro. Produtos como suco de laranja, café, carnes e açúcar, que já enfrentam barreiras e cotas, se tornarão inviáveis. A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) estima perdas bilionárias e um efeito cascata que pode afetar toda a cadeia produtiva, do pequeno produtor aos grandes frigoríficos.

Outros setores na linha de tiro incluem:

Siderurgia: O aço brasileiro, que já sofre com sobretaxas de 25% impostas pelo próprio Trump em seu primeiro mandato, agora enfrentará uma barreira quase intransponível. Empresas como Gerdau e Usiminas, com forte presença nos EUA, terão suas margens esmagadas.

Calçados e Têxteis: Setores que empregam mão de obra intensiva e que já lutam para competir com a produção asiática podem ver suas exportações para os EUA zeradas.

Produtos Manufaturados: Máquinas, equipamentos, autopeças e produtos químicos, que compõem uma fatia importante da pauta exportadora, perderão completamente o acesso ao mercado.

A ironia, apontada por economistas, é que Trump justifica a medida citando "déficits comerciais insustentáveis contra os Estados Unidos", o que é uma inverdade. Nos últimos anos, a balança comercial entre os dois países tem sido favorável aos americanos. Dados do próprio governo dos EUA mostram um superávit para Washington na casa de US$ 1 bilhão, um dos raros saldos positivos que os EUA têm com grandes economias. A agressão, portanto, carece de qualquer fundamento econômico, reforçando seu caráter puramente político e ideológico.

Iniciativa brasileira

A decisão abrupta de Trump acontece após semanas de negociações infrutíferas nos bastidores. O governo brasileiro, ciente da retórica agressiva do presidente americano desde sua campanha, enviou delegações a Washington e promoveu encontros ministeriais para tentar encontrar uma saída negociada e evitar o pior.

 

O UOL informou que o Brasil chegou a apresentar uma oferta concreta, que incluía a redução da tarifa de 18% sobre o etanol americano, uma demanda histórica dos produtores de milho dos EUA. Em troca, o Brasil pedia a redução das barreiras ao açúcar brasileiro e a outros produtos do agronegócio. A proposta, no entanto, ficou dias sem resposta da Casa Branca, gerando frustração e apreensão no governo brasileiro.

Técnicos do Ministério da Fazenda e do Itamaraty já temiam que a negociação comercial fosse apenas uma cortina de fumaça. A percepção era de que Trump não estava genuinamente interessado em um acordo técnico, mas sim buscando um pretexto para uma ação de força. A instrumentalização política da pauta, ligando-a a Bolsonaro e ao STF, era o pior cenário imaginado e, infelizmente, o que se concretizou.

Horas antes do anúncio oficial, Trump já havia dado o tom. Em um evento na Casa Branca, ele afirmou que "o Brasil não tem sido bom para nós, nada bom", indicando que o país seria um de seus alvos. A declaração pegou de surpresa a diplomacia brasileira, que ainda mantinha esperanças de um desfecho negociado.

Reações em Brasília: unidade em defesa da soberania

A agressão de Trump provocou uma rara onda de unidade entre os poderes em Brasília. O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), classificou a medida como "inaceitável" e uma "afronta à soberania nacional". "O Congresso Nacional não se curvará a pressões externas e estará ao lado do Poder Executivo na defesa dos interesses do Brasil e de nossas instituições", declarou.

Arthur Lira (PP-AL), seguiu na mesma linha, afirmando que "divergências políticas internas se resolvem no Brasil, de acordo com nossas leis e nossa Constituição". "Usar o comércio como instrumento de chantagem política é um erro grave que atenta contra as boas relações entre duas nações amigas", disse.

Até mesmo na oposição bolsonarista, o clima é de constrangimento. Embora defendam a narrativa de Trump sobre uma suposta perseguição a Bolsonaro, a defesa de uma medida que prejudica diretamente a economia brasileira e os empregos de milhares de pessoas se tornou uma tarefa difícil. Lideranças do PL, ouvidas por veículos de comunicação, tentaram separar as coisas, elogiando a "preocupação" de Trump com Bolsonaro, mas criticando o "exagero" da medida econômica.

Para o governo Lula, o desafio é duplo. É preciso formular uma resposta firme para defender a economia e a soberania, sem escalar para uma guerra comercial total que poderia ser ainda mais prejudicial. Ao mesmo tempo, a crise oferece a Lula uma oportunidade de se posicionar como o defensor da nação contra uma agressão externa, potencialmente unindo o país em torno de sua liderança.

A crise entre Brasil e Estados Unidos está apenas começando. Os próximos dias serão decisivos para definir os contornos de uma disputa que transcende o comércio e toca no cerne da democracia, da soberania e do futuro da ordem global. O Brasil está, por enquanto, no olho do furacão, obrigado a responder a um ataque sem precedentes vindo de seu parceiro mais tradicional.

ÍNTEGRA DA CARTA DE DONALD TRUMP PARA LULA

Eu conheci e lidei com o ex-presidente Jair Bolsonaro e o respeitei muito, assim como a maioria dos outros líderes de países. A maneira como o Brasil tratou o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma Caça às Bruxas que deve terminar IMEDIATAMENTE!

Devido, em parte, aos ataques insidiosos do Brasil às eleições livres e aos direitos fundamentais de liberdade de expressão dos americanos (conforme ilustrado recentemente pela Suprema Corte do Brasil, que emitiu centenas de ordens de censura SECRETAS e INJUSTAS para plataformas de mídia social dos EUA, ameaçando-as com multas de até R$ 1 milhão e expulsão do mercado brasileiro de mídia social), a partir de 1º de agosto de 2025, cobraremos do Brasil uma tarifa de 50% sobre todo e qualquer produto brasileiro enviado para os Estados Unidos, além de todas as tarifas setoriais. Os produtos transbordados para burlar essa tarifa de 50% estarão sujeitos a essa tarifa mais alta.

Além disso, tivemos anos para discutir nossa relação comercial com o Brasil e concluímos que devemos nos afastar da relação comercial de longa data e muito injusta, gerada pelas políticas tarifárias e não tarifárias do Brasil e pelas barreiras comerciais. Nosso relacionamento, infelizmente, está longe de ser recíproco.

Por favor, entenda que o número de 50% é muito menor do que o necessário para ter o campo de jogo nivelado que precisamos ter com seu país. E é necessário que isso aconteça para corrigir as graves injustiças do regime atual. Como é de seu conhecimento, não haverá nenhuma tarifa se o Brasil ou empresas de seu país decidirem construir ou fabricar produtos nos Estados Unidos e, na verdade, faremos todo o possível para obter aprovações de forma rápida, profissional e rotineira - em outras palavras, em questão de semanas.

Se, por qualquer motivo, você decidir aumentar suas tarifas, qualquer que seja o número escolhido para aumentá-las, ele será adicionado aos 50% que cobramos. Entenda que essas tarifas são necessárias para corrigir os muitos anos de políticas tarifárias e não tarifárias do Brasil e as barreiras comerciais que causam esses déficits comerciais insustentáveis contra os Estados Unidos. Esse déficit é uma grande ameaça à nossa economia e, de fato, à nossa segurança nacional! Além disso, devido aos contínuos ataques do Brasil às atividades de comércio digital das empresas americanas, bem como a outras práticas comerciais injustas, estou instruindo o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a iniciar imediatamente uma investigação do Brasil nos termos da Seção 301.

Se desejar abrir seus mercados comerciais até então fechados para os Estados Unidos e eliminar suas políticas tarifárias e não tarifárias e barreiras comerciais, talvez possamos considerar um adendo a esta carta. Essas tarifas podem ser modificadas, para cima ou para baixo, dependendo de nosso relacionamento com seu país. Você nunca ficará desapontado com os Estados Unidos da América.

Donald Trump



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