NOTICIÁRIO Quinta-feira, 03 de Setembro de 2026, 11:42 - A | A

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Vorcaro foi ouvido sem PF no dia de depoimento

Da Redação

Ilustração sobre foto de divulgação do liquidado Banco Master

Vorcaro

 

Daniel Vorcaro foi ouvido pelo gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no mesmo dia em que deveria prestar depoimento à Polícia Federal em uma investigação sobre suspeitas de corrupção envolvendo ex-servidores do Banco Central. A audiência no STF ocorreu sem a participação da PF e permaneceu sob sigilo até ser revelada nesta semana.

A coincidência das duas oitivas acrescenta um novo elemento à crise aberta em torno das investigações do Banco Master. No dia 27 de agosto, a Polícia Federal informou que não havia conseguido ouvir Vorcaro por videoconferência em razão de problemas técnicos. O depoimento foi realizado no dia seguinte e durou aproximadamente quatro horas.

O que não havia sido informado naquele momento era que, no dia 27, Vorcaro também havia sido ouvido em uma audiência determinada pelo gabinete de Mendonça.

Audiência sem a Polícia Federal

O gabinete do ministro confirmou a realização da audiência depois que sua existência foi revelada pela imprensa. Vorcaro pediu para ser ouvido alegando que sofria “graves intimidações” e que precisava prestar depoimento com urgência.

A oitiva foi conduzida por um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça e contou com a presença de um representante do Ministério Público. A Polícia Federal não participou. O gabinete sustenta que o procedimento foi regular e que o afastamento dos policiais observou normas destinadas a preservar a integridade física e psicológica de pessoas que relatam intimidação por investigadores.

O depoimento foi registrado em vídeo e permanece sob sigilo. Mendonça afirmou ainda que Vorcaro não tratou de Alexandre de Moraes durante a audiência.

A data da audiência, inicialmente não divulgada pelo gabinete, foi posteriormente confirmada como 27 de agosto.

Era justamente o dia em que Vorcaro estava convocado para prestar depoimento à Polícia Federal.

Depoimento da PF foi adiado

A oitiva policial estava prevista para ocorrer por videoconferência e integrava uma investigação sobre a atuação de dois ex-servidores do Banco Central suspeitos de receber vantagens para favorecer o Banco Master durante a supervisão da instituição.

A videoconferência não avançou. A informação divulgada naquele dia foi de que problemas técnicos na transmissão haviam impedido o depoimento. A audiência foi remarcada para 28 de agosto.

No dia seguinte, Vorcaro respondeu durante aproximadamente quatro horas às perguntas da Polícia Federal. Segundo a defesa, negou que tenha ocorrido corrupção envolvendo os servidores investigados e voltou a manifestar disposição para negociar uma colaboração premiada.

Duas tentativas anteriores de colaboração haviam sido rejeitadas pelos investigadores. Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, a avaliação foi de que Vorcaro não havia apresentado fatos novos em relação às provas já obtidas e tampouco admitido participação nos crimes investigados.

Vorcaro tenta reabrir delação

O conteúdo integral da audiência conduzida pelo gabinete de Mendonça não foi tornado público pelo Supremo. Reportagem de Cezar Feitoza e Fábio Serapião, do UOL, afirma ter obtido acesso à íntegra da oitiva.

Segundo os jornalistas, Vorcaro procurou usar o depoimento para reabrir a possibilidade de colaboração premiada. Disse possuir informações sobre integrantes do governo Lula, afirmou ser vítima de um complô e fez acusações contra o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

As declarações são de Vorcaro e não foram acompanhadas, até agora, da divulgação de documentos que comprovem as acusações.

A Procuradoria-Geral da República analisou as alegações de intimidação e pediu o arquivamento desse procedimento. O procurador-geral Paulo Gonet considerou que Vorcaro não apresentou elementos concretos capazes de justificar uma investigação sobre as supostas ameaças.

PGR e Mendonça já divergem

A audiência ocorre em meio a outro confronto entre a Procuradoria-Geral da República e André Mendonça sobre a condução do caso Master.

Mendonça determinou à Polícia Federal o aprofundamento da análise de mensagens extraídas do telefone de Vorcaro que mencionam autoridades, entre elas Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues. Depois de receber o relatório policial, o ministro retirou seu sigilo e defendeu que os novos elementos fossem examinados pelo plenário do Supremo.

Gonet reagiu pedindo a nulidade da investigação relacionada a Moraes. Para o procurador-geral, Mendonça não poderia ter determinado por iniciativa própria uma investigação específica sobre outro ministro do Supremo sem provocação do Ministério Público, da Polícia Federal ou autorização do plenário.

O caso também colocou Mendonça e a direção da Polícia Federal em posições distintas. Reportagens do UOL apontam insatisfação de integrantes da corporação com determinações do ministro relacionadas ao relatório sobre Moraes, Gonet e Andrei Rodrigues.

Nesta quinta-feira, o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, manifestou-se sobre as acusações envolvendo a corporação. Disse que buscar a verdade é interesse da Polícia Federal, da lei e da sociedade e manifestou confiança na instituição.

O diretor-geral da PF nega as acusações atribuídas a Vorcaro.

Caso Master chega ao plenário

A disputa sobre a condução das investigações ocorre enquanto o STF precisa decidir o destino das informações encontradas no telefone de Vorcaro.

Mendonça defende que o plenário analise os elementos produzidos pela Polícia Federal. Gonet sustenta que a parte da investigação relacionada a Moraes é nula.

Vorcaro permanece preso e é investigado na Operação Compliance Zero, que apura fraudes relacionadas ao Banco Master e às operações realizadas durante a tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).

 

Nota de Transparência

A matéria utiliza a confirmação do gabinete do ministro André Mendonça sobre a audiência, informações oficiais sobre o depoimento prestado à Polícia Federal em 28 de agosto e a manifestação da Procuradoria-Geral da República. O conteúdo ainda sigiloso da audiência de 27 de agosto é atribuído nominalmente à apuração de Cezar Feitoza e Fábio Serapião, do UOL. As acusações feitas por Daniel Vorcaro são apresentadas como declarações do investigado e não como fatos comprovados.

Agência Brasil — confirmação da audiência pelo gabinete de André Mendonça

Agência Brasil — depoimento de Vorcaro à Polícia Federal em 28 de agosto

UOL — apuração sobre o conteúdo da audiência de 27 de agosto

Agência Brasil — manifestação da PGR sobre a investigação envolvendo Moraes



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