A política mato-grossense amanheceu sob a fumaça de um incêndio que a cúpula do Partido Liberal (PL) tenta, a todo custo, rotular como "fogo controlado". Em entrevista concedida aos jornalistas Antero Paes de Barros e Michely Figueiredo no Jornal da Cultura, nesta quarta-feira (06), o presidente estadual da sigla, Ananias Filho, viveu um dia de equilibrista. O dirigente tentou blindar a pré-candidatura de Wellington Fagundes ao Governo, enquanto admitia manobras de bastidor que envolvem jatinhos privados e "mecenas" misteriosos.
O centro da crise é uma reunião ocorrida em um escritório de advocacia em Cuiabá. O objetivo seria um rearranjo na chapa majoritária: a retirada de Wellington Fagundes para a entrada de Otaviano Pivetta. O combustível dessa articulação? Um "financiador de campanha" que cedeu ou bancou um avião para buscar o presidente nacional, Valdemar da Costa Neto, em Brasília. Ananias admite a existência do grupo, mas nega a traição: "O presidente Valdemar me avisou. Ele atende pré-candidatos nesse tipo de agenda para aumentar a arrecadação".
A temperatura subiu quando o assunto foi a dissidência de prefeitos eleitos pelo PL. Cláudio Ferreira (Rondonópolis) e Flávia Moretti (Várzea Grande) declararam apoio a Pivetta, ignorando o projeto do próprio partido. Ananias abandonou a diplomacia: classificou a fala de Cláudio como "falta de cérebro" e disparou contra a ingratidão. "O PL não tem capacidade de receber pessoas insatisfeitas e ingratas. Wellington é o maior entregador de recursos da história de Rondonópolis", rebateu.
Sobre a prefeita de Várzea Grande, o tom foi de advertência severa. Confrontado com áudios que sugerem a "compra" de apoio de vereadores — onde se ouve "o Wanderlei paga 10, eu pago 20" — e investigações sobre desvios no DAE, Ananias confirmou que o partido não passará a mão na cabeça. "Tudo será enviado ao jurídico para abertura de procedimento. O PL tem posicionamento e será respeitado", finalizou.




