OPINIÃO Segunda-feira, 24 de Maio de 2021, 09:52 - A | A

Segunda-feira, 24 de Maio de 2021, 09h:52 - A | A

GABRIEL NOVIS NEVES

Palavras em desuso

Gabriel Novis Neves

Médico obstetra, professor-fundador e primeiro reitor da Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT.

Quem não se lembra do apogeu do termo bossa nova, no final dos anos cinquenta?

O Presidente do Brasil, Juscelino Kubistchek era chamado de “presidente bossa nova”, quando iniciou a industrialização do país e a construção de Brasília.

E tudo que fugia a rotina do nosso dia- a- dia nos causava estranheza. A música cantada bem baixinha, geralmente pelos próprios compositores da melodia, deu origem ao antigo movimento musical consagrado com o nome de “bossa nova”, que ficou conhecida no mundo todo.

Era uma mistura de samba com o jaz americano, sendo seu expoente máximo o baiano João Gilberto.

Hoje quase não ouvimos mais esse termo. Temos novos em seu lugar, como negacionista e protagonista.

O protagonista é usado à exaustão, principalmente entre jornalistas esportivos.

“O jogador tal foi o grande protagonista do jogo; o clube tal necessita comprar alguém para ser protagonista; infelizmente hoje o fulano de tal não foi protagonista do jogo”.

Vamos ouvir e ler por muito tempo esse adjetivo, que representa um personagem que desempenha o papel principal.

Os formadores de opinião gostaram desse termo, como antigamente adoravam bossa nova.

Outro termo da moda é o negacionista, que teve seu apogeu na eleição do último presidente do Brasil, e praticamente dividiu a nação entre negacionistas (pessoas do mal) e antinegacionistas (pessoas do bem).

Não vou entrar nessa discussão, porque daqui a pouco entram em desuso.

A língua portuguesa é muito criativa, e fico lembrando “modismos linguísticos que provocavam o empobrecimento vocabular”.

Essas expressões citadas correm o risco de se tornarem “cafonas”.

As expressões que selecionei como os da moda atual, algumas transformam a linguagem em chata ou pedante, outras são absolutamente inexpressivas e desnecessárias como: a nível de, gerundismo e junto a.

A nível de, talvez seja a expressão mais desagradável de todas.

Gerundismo é o campeão dos campeões quando o assunto é modismo literário.

Junto a: antigamente era um advérbio de lugar, de repente virou modo, especialmente entre os jornalistas. 



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