O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (@carloshbfavaro), prepara as malas para deixar Brasília em abril com um cálculo político arriscado, mas matematicamente viável, debaixo do braço. Ciente de que a polarização ideológica em Mato Grosso torna o eleitorado bolsonarista raiz impenetrável, Fávaro busca ser não apenas o "candidato da centro esquerda", mas também o fiel da balança do agronegócio pragmático.
Sua estratégia para 2026 foca na captura do chamado "segundo voto". Com duas vagas ao Senado em disputa, a aposta do ministro é que, enquanto a primeira vaga deve ser majoritariamente destinada a um nome da direita conservadora (provavelmente Mauro Mendes e Janaína Riva), a segunda vaga ficará aberta para uma disputa de perfil.
Nos bastidores, Fávaro e seu grupo (PSD) articulam uma aliança híbrida que pode surpreender. A ideia é unir a base lulista — que garante um piso eleitoral de cerca de 30% no estado — com o setor do agronegócio que, embora conservador, prioriza resultados comerciais e portas abertas em Brasília e no mercado internacional, caso do ex-governador e ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi.
Nas redes sociais, o perfil de Fávaro ignora as guerras culturais. Seu feed é um monólogo sobre "abertura de mercados", "recordes de exportação" e "recursos para o Plano Safra". A mensagem subliminar para o produtor rural de Mato Grosso é clara: "Você pode não gostar do meu chefe (Lula), mas precisa do meu trabalho".
O maior trunfo de Fávaro, contudo, não está em seus méritos, mas nos erros dos adversários. O ministro observa de camarote o congestionamento na pista da direita. Com nomes como Mauro Mendes, Janaína Riva, José Medeiros, Antonio Galvan e possivelmente outros disputando o mesmo eleitorado, o risco de fragmentação é real.
Além disso, a candidatura do ex-senador e ex-governador Pedro Taques, com forte atuação oposicionista, mina a candidatura de Mendes, o favorito da disputa pela senatória.
Se a direita lançar três ou quatro candidatos fortes ao Senado, os votos tendem a se diluirem. Nesse cenário, Fávaro, correndo sozinho na raia da centro-esquerda com apoio do agro moderado (liderado por figuras como Blairo e Eraí Maggi), precisaria de apenas uma votação mediana para garantir a segunda vaga.
É a tática de sobrevivência de quem sabe que não será o mais amado, mas trabalha para ser o "necessário". Enquanto a direita que se impôr pela pela pureza ideológica, Fávaro aposta na calculadora e no pragmatismo de quem prefere um senador com trânsito em Brasília a um discurso inflamado na tribuna.





