Os últimos dias foram marcados por alertas meteorológicos críticos em Mato Grosso. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) emitiu avisos de risco moderado a alto para eventos geo-hidrológicos, como enxurradas e deslizamentos, em diversas regiões do estado. Municípios do "Nortão", como Colíder, Serra Nova Dourada e Cotriguaçu, decretaram situação de emergência após temporais destruírem pontes, bueiros e trechos de estradas vicinais. O volume de chuva saturou o solo, provocando erosões profundas e isolando comunidades rurais que dependem dessas vias para acesso a serviços básicos e transporte da produção.
Em Cuiabá e Várzea Grande, o monitoramento da Defesa Civil concentrou-se em áreas de risco e encostas. O transbordamento de córregos urbanos causou alagamentos em avenidas principais, evidenciando gargalos históricos no sistema de drenagem das cidades. O acúmulo de lixo em bueiros e a impermeabilização excessiva do solo são citados por técnicos como fatores que potencializam os danos causados pelas precipitações. A previsão indica que as pancadas de chuva devem continuar com intensidade moderada a forte, mantendo as equipes de socorro em prontidão.
Impacto na infraestrutura e transporte escolar
A situação de emergência nos municípios do interior afeta diretamente o cotidiano das populações rurais. Em Colíder, por exemplo, o levantamento da prefeitura estimou prejuízos próximos a R$ 1 milhão apenas em infraestrutura básica de estradas rurais. A queda de pontilhões interrompeu o transporte escolar, prejudicando o início do calendário letivo em diversas localidades. Além disso, o escoamento de produtos perecíveis, como o leite, e o transporte de gado foram prejudicados pela impossibilidade de tráfego de caminhões em trechos tomados por atoleiros.
Engenheiros e gestores públicos discutem a necessidade de projetos de infraestrutura mais resilientes a eventos climáticos extremos, que têm se tornado mais frequentes. A substituição de pontes de madeira por estruturas de concreto e a ampliação da capacidade de vazão de bueiros são apontadas como medidas urgentes, mas que demandam recursos que muitas prefeituras não possuem em caixa, dependendo de repasses emergenciais do Estado e da União.
Prevenção e planejamento urbano
O debate sobre o planejamento urbano ganha força diante das imagens de destruição. Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a ocupação desordenada de margens de rios e áreas de preservação permanente (APPs) eleva a vulnerabilidade das famílias em períodos de cheia. A necessidade de programas de habitação popular que retirem populações de áreas de risco é vista como a única solução definitiva para evitar tragédias humanas recorrentes.
A Defesa Civil estadual orienta a população a se cadastrar nos sistemas de alerta via SMS e a evitar atravessar áreas alagadas ou permanecer sob árvores e estruturas metálicas durante tempestades com raios. O acompanhamento em tempo real das condições climáticas é essencial para a tomada de decisões rápidas, tanto por parte do poder público quanto dos cidadãos, em um cenário onde o clima tem se mostrado cada vez mais imprevisível e severo.





